DEPUTADO ROGÉRIO CORREIA (PT)
Discurso
Declaração de posição contrária aos vetos às proposições de lei oriundas
dos projetos de lei da reforma administrativa, em especial a que extingue
o apostilamento dos detentores de função pública e dos Diretores de
escolas. Comenta o veto à proposição de lei que veda a inscrição do nome
de consumidor de serviço público em cadastro de restrição ao crédito e
declara posição contrária a ele.
Reunião
49ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/09/2003
Página 38, Coluna 2
Assunto REFORMA ADMINISTRATIVA. DEFESA DO CONSUMIDOR. EXECUTIVO. PESSOAL.
Aparteante André Quintão, Alencar da Silveira Júnior.
Proposições citadas PL 719 de 2003
PL 71 de 2003
VET 15577 de 2003
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/09/2003
Página 38, Coluna 2
Assunto REFORMA ADMINISTRATIVA. DEFESA DO CONSUMIDOR. EXECUTIVO. PESSOAL.
Aparteante André Quintão, Alencar da Silveira Júnior.
Proposições citadas PL 719 de 2003
PL 71 de 2003
VET 15577 de 2003
49ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
15ª LEGISLATURA, EM 10/9/2003
Palavras do Deputado Rogério Correia
O Deputado Rogério Correia - Sr. Presidente, colegas Deputados e
Deputadas, conforme anunciado, estamos nos esforçando para buscar
a apreciação dos cinco vetos que estão bloqueando a pauta, porque
já estão na faixa constitucional. Para fazer a votação, defendemos
um acordo com o Governo em torno dos vetos. Nós, do PT e do PCdoB,
não concordamos com os vetos feitos pelo Governador Aécio Neves
aos diversos projetos votados nesta Casa no semestre passado, em
especial aqueles vetos oriundos dos projetos da reforma
administrativa, que no nosso entender dizem respeito a acordos
firmados com o funcionalismo público, notadamente a questão do
apostilamento dos detentores de função pública, que correm o risco
de perder até 1/3 de seu salário.
Infelizmente, houve um veto do Governador Aécio Neves em torno
desse item da reforma administrativa, o que tem nos feito discutir
seguidamente, visando a um acordo com a base do Governo, que votou
favoravelmente à solicitação dos detentores de função pública, que
são milhares, de toda a parte do Estado, e de diversos órgãos. No
nosso entender, o Governo opôs o veto sem uma justificativa
plausível. Estamos buscando um acordo para ver se o Governo volta
atrás e se a base do Governo derruba esse veto conosco, já que ela
própria fez questão de aprovar o projeto. Na época, recebeu muitos
aplausos dos detentores de função pública, que lotaram a galeria,
escutaram os discursos dos Líderes partidários da Oposição e da
Situação, aplaudiram-nos, mas agora não estamos vendo nenhuma
sinalização real de que vá derrubar esse veto.
Gostaria de fazer uma comunicação aos funcionários públicos que
nos assistem pela TV Assembléia e que acompanham a votação desde o
instante em que esse veto chegou à Casa, desde que iniciamos a
discussão na tribuna.
Acordamos, com o Presidente da Assembléia e com a Liderança de
Governo, fazer a votação dos vetos referentes às questões da
reforma administrativa, em especial dos detentores de função
pública e dos Diretores de escolas, na quarta-feira, à tarde.
Dessa forma, embora seja secreta, os funcionários poderão
acompanhar e convencer os Deputados a aprovarem os vetos.
Amanhã, provavelmente na parte da manhã, serão completadas seis
reuniões consecutivas em que os vetos estão na pauta. Após a 6ª
reunião, o veto automaticamente entra em votação, tornando-se
menor a possibilidade de obstrução. Poderemos votar outros vetos
antes.
Peço atenção especial ao Líder do Governo, Deputado Alberto Pinto
Coelho, para o projeto de lei da Deputada Maria José Haueisen, que
visa não permitir que aqueles que não pagam as contas de água e de
luz tenham seu nome remetido ao SERASA ou ao SPC. O projeto é
justo.
O corte de água e luz não deveria ocorrer. Porém, o Governo, a
CEMIG e a COPASA o fazem. Cortar já é errado, remeter os nomes ao
SERASA e ao SPC é, no mínimo, maldade. A pessoa que possui essas
contas cortadas e ainda tem o nome no SERASA e no SPC recebe
punição em dobro.
Nunca é demais frisar a diferença de tratamento dado ao pobre que
não consegue quitar as contas de água e luz e o oferecido àqueles
que deram “megacalote” no processo de privatização do setor
energético brasileiro.
As empresas multinacionais, como a Southem, AES e outras tiveram
tratamento “vip” para conseguirem a privatização do sistema
energético brasileiro. Só para a privatização da ELETROPAULO,
foram quase US$2.000.000.000,00 para a compra da CEMIG, podendo
ser sócios, com direito a veto e assento na diretoria, apesar de
terem apenas 1/3 das ações. Foram US$1.200.000,00, sendo
US$600.000.000 ou mais financiados pelo BNDES. Essas
multinacionais pegaram emprestado dinheiro do BNDES para
participar do processo de privatização. Além disso, não pagaram e
fizeram “megacalote” na transação proporcionada pelo Governo
Fernando Henrique, que, agora, vem à tona.
O processo de privatização do setor energético brasileiro foi
completamente equivocado. Sem falar do apagão, fruto da falta de
investimentos da política neoliberal, em que o Estado se absteve
de investir em áreas estratégicas, e o setor privado, sempre
querendo grandes lucros, provocou calote no dinheiro público. E os
responsáveis por isso recebem tratamento “vip”. Deveriam estar na
cadeia. Mas não houve ação. O nome deles não está inscrito no
cadastro do SERASA. Continuam aplicando seus dinheiros nas Ilhas
Cayman, nas Bahamas ou em outros paraísos fiscais.
Essa denúncia deve ser feita para que analisemos o sentido de
conceder privilégio aos poderosos. O Governador Aécio Neves faz
vista grossa a esse processo. Na época, acompanhou de perto as
negociações, como Deputado influente, apoiador confesso do ex-
Presidente Fernando Henrique Cardoso e Presidente da Câmara dos
Deputados. Permitiu que o dinheiro brasileiro entrasse nessa
negociata. E agora, veta um projeto como esse da Deputada Maria
José Haueisen, que prevê que o pobre coitado em dificuldade para
pagar sua conta de luz não tenha seu nome inscrito no SERASA ou
SPC. Tratamentos, portanto, completamente contraditórios.
Hoje, o BNDES vê-se obrigado a fazer um acordo para tentar evitar
que o prejuízo decorrente do processo de privatização do sistema
energético brasileiro continue. Aí, partidários do Governo
Fernando Henrique fazem críticas à instituição, dizendo que o
Banco está estatizando o setor elétrico novamente. Ora, o processo
de retomada das ações acontece porque houve calote no dinheiro
público. Fico encabulado ao ver que os que propiciaram essa
transação têm a coragem de fazer críticas como essa. Na verdade, a
retomada das ações significa autodefesa do Estado quanto ao
dinheiro público.
Sr. Presidente, colegas Deputados, isso é algo que nos deixa
abismados. Felizmente, o Governo Fernando Henrique Cardoso foi
varrido do mapa eleitoral brasileiro. Se Deus e o povo quiserem,
não volta tão cedo, para que o processo de entrega do Brasil ao
capital especulativo e financeiro, ao imperialismo norte-
americano, não se perpetue. Felizmente, hoje o Brasil tem Governo
para colocar as coisas em ordem, retomar a discussão da soberania
nacional e promover o desenvolvimento, colocando o País nos
trilhos do crescimento econômico.
Mais uma vez, denunciamos esse processo podre de negociação.
Estamos reiterando pedido ao Ministério Público Federal para que,
no caso de Minas, os lucros e dividendos da CEMIG não sejam
repartidos com os sócios minoritários da Southern e da AES.
Que não continuem recebendo dinheiro do lucro da CEMIG, já que
devem uma fortuna ao BNDES. Como se trata de dinheiro do povo, os
dividendos deveriam ser diretamente destinados ao BNDES. Não
podem, portanto, parar nas Ilhas Cayman, para enriquecer
capitalistas internacionais, especuladores, que se locupletaram do
dinheiro brasileiro no processo podre de privatização.
Impressionante o fato de o Governador Aécio Neves ter a coragem de
vetar projeto tão simples como o da Deputada Maria José Haueisen e
não abrir a boca sobre o processo de podridão da privatização, ao
qual assistiu e apoiou durante o Governo do Fernando Henrique.
O Deputado André Quintão (em aparte)* - Ao ouvi-lo tratando do
projeto da Deputada Maria José Haueisen, vetado injustamente, veio-
me à mente a defesa dos segmentos populares e das pessoas
carentes. Com muita tristeza, registro a perda do representante e
defensor do segmento, Vereador Marco Antônio Menezes, cujo
sepultamento se dará amanhã de manhã.
O veto, inexplicável, não corresponde aos interesses da
população. Não se trata de não cortar, de isentar de multa, mas de
não cortar o que a pessoa tem de mais importante: dignidade e
cidadania. Trata-se de não passar por situações vexatórias, em
razão do remédio da criança, da comida e de alguns reais, muitas
vezes solicitados a nós, Deputados, para completar o valor da
conta de luz ou de água. A água é sagrada. Será justo não terem
água tratada? Infelizmente, essas pessoas serão penalizadas. E as
grandes empresas transnacionais, que prometem mundos e fundos,
empregos à revelia, produtos de qualidade, que levam bilhões,
terrenos e ICMS por intermédio de renúncia fiscal? O pacote de
vetos prejudica o servidor, a Diretora de escola, o detentor de
função pública, o humilde que não teve condição de pagar a conta
de água e de luz.
Estávamos em Brasília, no evento dos municípios. Os Prefeitos,
justamente, reivindicam mais verbas.
Por que o Estado não corta um pouco dessas renúncias fiscais
indevidas para beneficiar os municípios mineiros?
Imagina esse município longínquo que assiste hoje à TV
Assembléia, aquele Prefeito que assiste à TV Assembléia e quer
recurso para um grupo de geração de renda, para uma política
agrícola, uma pequena barragem, um pequeno açude ou, às vezes,
para equipar um posto de saúde.
Infelizmente o dinheiro vai para as grandes empresas
transnacionais. Nem sequer temos o direito de ter esse
acompanhamento.
Concordo com V. Exa. Hoje, o encontro em Brasília foi muito
importante. Gostaria que os municípios, em Minas, discutissem
essas renúncias. Às vezes os municípios entram na guerra fiscal,
exprimidos, porque há chantagem das grandes empresas
transnacionais que querem sugar tudo. Sugar o terreno do
município, o IPTU do município. Como disse o Deputado Alberto
Bejani, até vaga em escola pública ou privada, quando a escola
privada é de alta qualidade, tem de ser paga para filhos de
executivos das grandes empresas. Formam executivos para irem para
outros países.
Deputado Rogério Correia, quero parabenizá-lo mais uma vez. Tenho
certeza de que não há governo, não há pressão, não há nenhum tipo
de negociação nesta Casa que impeça que os Deputados votem a favor
de o cidadão ter o livre exercício de cidadania nos seus
contratos. Seria injusto àquele cidadão que deixou de pagar uma
conta de água de R$3,00, R$5,00. Por causa disso ele é inscrito no
SERASA e é prejudicado, deixando até de conseguir um emprego.
Registro, Deputado Dalmo, a importante atuação da Assembléia de
Minas em dois eventos importantes hoje, em Brasília. Os Deputados
Dalmo Ribeiro Silva, Adalclever e José Henrique representaram bem
esta Casa no movimento dos Prefeitos por uma política tributária
justa, que não é apenas a reforma do Governo Lula. Precisamos
rever a política tributária do Estado e as renúncias fiscais
indevidas.
Os Deputados Gustavo Valadares e Deputado Mauro Lobo
representaram a Assembléia Legislativa num evento coordenado pela
Comissão de Legislação Participativa do Congresso, do Senado e da
Câmara, para facultar aos eleitores, aos cidadãos e às cidadãs um
contato mais próximo com a Assembléia, como fizeram os eleitores
pobres, os eleitores que inspiraram esse projeto de lei da
Deputada Maria José Haueisen, que terá sua validade conferida pela
Assembléia, por meio da derrubada unânime desse veto injusto pelo
conjunto dos Deputados desta Casa.
Parabéns, Deputado Rogério Correia! Tenho a certeza de que todos
os Deputados votarão com o povo mineiro nessa causa que é justa,
uma causa de cidadania.
O Deputado Rogério Correia - Como o Deputado André Quintão
anunciou, gostaria de prestar minha homenagem à família do
Vereador Marco Antônio Menezes, cujo corpo está sendo velado na
Câmara Municipal.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Com certeza.
Antes, dou minhas condolências à família do colega Marco Antônio
Menezes. Quando entrei na Câmara Municipal em 1988, tive
oportunidade de ser Vereador ao seu lado. Apesar da doideira e da
criatividade do Marco Antônio, tivemos uma boa convivência. Mesmo
sendo cruzeirense, sempre realizou um bom trabalho e trouxe
esperança de dias melhores para a Câmara Municipal. Tenho várias
recordações de sua residência e de outras oportunidades, ao lado
da Sra. Helena, sua esposa. Deixamos nosso pesar por seu
falecimento. Gostaria que o voto de pesar constasse em ata e
acredito que deva ser assinado por todos os Deputados,
principalmente aqueles ligados a Belo Horizonte, que tiveram uma
convivência alegre com o Vereador Marco Antônio Menezes.
O PT está obstruindo o veto, e a Situação também o fará. Todos os
Líderes de partidos que integram a base de Governo estão
debatendo. Não é só o PT que faz obstrução para tentar ampliar o
prazo para a derrubada do veto. Desde o início da legislatura,
acompanhamos as votações, mesmo as do PT. Estou aqui pela minha
amizade com o Governador Aécio Neves, que me deixou para ajudá-lo.
Entretanto, Deputado Rogério Correia, não dei nenhum voto
diferente do seu em toda a reforma.
O voto do Deputado Alencar da Silveira Jr. é o voto do Governador
Aécio Neves - e tem de ser, pois sou grato. Mas, até então,
acompanhei os votos de V. Exa. nos últimos seis meses. Não
acompanhei a liderança do Governo, mas a sua. É uma pena que seu
partido não tenha acompanhado o PDT na votação da taxação dos
aposentados. Entendemos que é difícil contrariar o Governo na
condição de base de apoio. O PDT votou contra as reformas e
favorável aos aposentados; logo, contra o voto do PT, pois
seguimos o Presidente Leonel Brizola. Tenho certeza de que
chegaremos a um denominador comum. Meu voto depende da posição do
Governador, porque entendo que ele busca o melhor para Minas, como
Lula faz pelo Brasil. Temos de esquecer os problemas políticos e
deixar de falar como antigamente, V.Exa. lembra bem.
Coisa bonita era de autoria do PT, e coisa feia era de autoria de
outros partidos. Hoje, todos sabemos que dirigir um país como o
nosso é difícil, independente das mazelas deixadas pelo Governador
Itamar Franco, em nível estadual, ou pelo Presidente Fernando
Henrique, em nível federal. Lula está tentando fazer. Se houvesse
uma vara de condão, estava tudo resolvido, mas não há. Teremos
dificuldades com os projetos desta Casa e com os do Governo
Federal, mas nada melhor que ser governo, sentir governo e votar
com o governo, como temos acompanhado na Câmara Federal.
O PT não poderia ter escolhido melhor seu Líder, pela sua
experiência, sabedoria e trânsito em todos os partidos, sendo uma
pessoa séria e respeitada. O PT, a Oposição ao Governo Estadual e
a Situação do Governo Federal, tem, dentro desta Casa, um Líder
que saiu das bases. A escola que tivemos - a Câmara de Vereadores
- deveria ser a escola de todos os homens públicos. V. Exa. está
de parabéns! Pode ter certeza de que vai continuar conversando,
negociando e mostrando seus argumentos para todos os Líderes de
Governo, para toda a base de Governo e seus liderados. Parabéns
pela sua conduta e sua moral! Sou suspeito, porque gosto e sou
amigo de V. Exa. Afinal de contas, começamos juntos. Obrigado.
O Deputado Rogério Correia - Obrigado, Deputado Alencar da
Silveira. Tenho certeza de que a presença de V. Exa. nesta
Assembléia evidentemente é por merecimento. O Governador Aécio
Neves sabia que a presença de V. Exa. aqui seria merecida. V. Exa.
se encontra na Assembléia Legislativa exatamente por esse
merecimento e reconhecimento dos eleitores. O Governador Aécio
Neves certamente não cobrará de V. Exa. nenhum voto que não seja
de livre arbítrio. Por isso mesmo, não imporia a condição de
suplência para que V. Exa. tivesse de dar voto forçado. Temos
certeza disso. Esperamos continuar o processo de diálogo e - quem
sabe? - conseguir que o Governo reveja os vetos que deu aos
projetos mais importantes que temos discutido. Tomara que possamos
votar em conjunto.
Sr. Presidente, parece que a base de Governo ainda não se
convenceu e, por não ter nenhuma sinalização do Governo sobre como
agir diante dos vetos, não sabe como proceder. Tirando V. Exa.,
Deputado Alencar da Silveira, está aqui apenas a Bancada do PT e a
do PCdoB.