Marcelo Henrique Silva: "os marginalizados guardam as grandes histórias"
Mineiro de Passos, no Sul de Minas, este jovem médico surpreendeu o ramo literário ao vencer o Prêmio Jabuti de 2025, na categoria "Escritor estreante" com o seu primeiro livro "Sangue Neon". Um romance que trata de histórias que ficaram à margem durante a epidemia de Aids nos anos 1980. Estão lá a solidariedade dos travestis, a empatia de comissários de bordo, a luta dos profissionais da saúde pela implantação do Sistema Único de Saúde no país. Lançando o segundo livro, "Só fumo quando bebo", a escolha pelos "dissidentes" permanece: "São personagens que têm dificuldade em se posicionar no mundo ou que a sociedade prefere deixar de lado. E são pessoas que têm de aprender a se reconhecer e a descobrir seus próprios caminhos", explica Marcelo, que, na literatura, validou sua vocação de médico. "A leitura me fez ser mais humano no trato com meus pacientes. Ser escritor me tornou um médico melhor".