No Plenário, deputados denunciam casos de violência contra mulheres
Estupro coletivo, fotos inapropriadas de crianças e críticas à deputada trans Erika Hilton foram temas de discursos
Casos de violência contra mulheres foram tema de discursos durante a Reunião Ordinária do Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (17/3/26). A 1ª-vice-presidenta, deputada Leninha (PT), lamentou o caso de estupro sofrido por uma menina de 13 anos no Município de Coração de Jesus (Norte de Minas), que veio a conhecimento público recentemente.
Segundo a deputada, há indícios de a criança ter sido vítima de estupro coletivo, que resultou em gravidez. Leninha informou que já solicitou ao Ministério Público, além de investigação rigorosa, toda assistência psicológica e de saúde, o acolhimento e a proteção integral à garota e sua família. “Não podemos nos silenciar diante dessa situação".
A deputada também rechaçou críticas direcionadas à deputada federal Erika Hilton (Psol/SP), após sua eleição para presidenta da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Sem citar nomes, ela condenou a fala de uma vereadora de Pirapora (Norte), que teria afirmado que mulher é quem menstrua e gera filhos. “Somos muito mais que isso”, respondeu Leninha, ao completar que o papel de um vereador não pode ser o de exclusão. “Não são as mulheres trans que nos violentam e nos matam”.
Já o deputado Eduardo Azevedo (PL) comentou sobre a prisão de um pedófilo no último final de semana em Divinópolis (Centro-Oeste). O homem, que não teve a identidade informada, foi detido ao ser flagrado tirando fotos por debaixo de saias e vestidos de crianças, durante uma apresentação da esquadrilha da fumaça.
Eduardo Azevedo protestou contra a proteção da identidade do criminoso. “É uma inversão de valores”, disse. Ele defendeu a criação de leis e mecanismos para coibir a prática da pedofilia e citou um projeto de lei que protocolou para criar um cadastro para divulgação de criminosos mineiros. Em aparte, o deputado Mauro Tramonte (Republicanos) sugeriu a implantação de prisão perpétua para pedófilos.
Em discurso, Eduardo Azevedo também reclamou do que considera “perseguição” a jovens cristãos que têm usado os intervalos de aulas para fazer louvores e pregações nas escolas. Segundo o deputado, esses religiosos têm sido criticados e coibidos. “Liberdade religiosa é um direito constitucional”.
Transplante de órgãos
O deputado Carlos Pimenta (PDT) usou a tribuna para defender a criação de uma rede mineira de transplante renal, contida em projeto de sua autoria protocolado na Casa. A intenção, de acordo com o parlamentar, é organizar a gestão do transplante em Minas, desde a implantação de captação ativa até medidas que visem a agilidade nos testes de compatibilidade e transporte até o receptor.
No Estado, segundo Carlos Pimenta, há uma fila de aproximadamente 5 mil pessoas aguardando doação de um rim e que se submetem diariamente à hemodiálise para sobreviver. Ele disse que se inspirou no município paulista de Sorocaba, reconhecido como um dos principais centros de córnea do País.
Outro orador da tarde, Bruno Engler (PL) defendeu a prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro, após sua internação. O deputado acredita que o ex-mandatário corre o risco de morrer na cadeia, pois precisa de vigilância constante. “O que a gente pede é o mínimo de humanidade e o cumprimento da lei que visa garantir a vida do custodiado”, argumentou.
Leleco Pimentel (PT) protestou contra a reação de um policial rodoviário, o Sargento Alexandre, a uma manifestação popular realizada na segunda-feira (16/3), no entroncamento das rodovias MG‑129 e MG‑326, em Catas Altas (Região Central). Conforme o deputado, o policial agiu de forma individual, ameaçando manifestantes e chegando a borrifar spray de pimenta em mulheres e até em pessoas com deficiência. Ele disse ter denunciado o profissional ao Ministério Público pelas agressões. “Na verdade, é um criminoso”.
Já o deputado Caporezzo (PL) discursou a respeito das eleições estaduais e presidencial deste ano.
No início da reunião, um minuto de silêncio, a pedido do deputado Doutor Jean Freire (PT), homenageou o empresário e produtor de eventos Hélcio Flores, o Denga, no dia 12, em Almenara (Jequitinhonha-Mucuri).
