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Especialistas cobram medidas para proteger crianças e adolescentes

Casos de exploração infantojuvenil foram relatados e discutidos durante audiência pública.

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Relatos de abuso de crianças e adolescentes foram apresentados e debatidos durante audiência pública realizada pela Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ativistas e delegados foram recebidos no Auditório José Alencar nesta segunda-feira (18/5/26).

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A reunião teve como objetivo discutir as conexões existentes entre drogas, tráfico de pessoas e violência infantojuvenil no contexto do Maio Laranja, campanha nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

“Há muita subnotificação e, por isso, não gosto de mencionar estatísticas. Mas, infelizmente, é algo que pode acontecer com alguém muito próximo. Por isso, temos que estar bem informados”, alertou a deputada Delegada Sheila (PL), responsável por solicitar a audiência.

Durante o trabalho de conscientização nas escolas, interagindo com crianças e adolescentes, ela recebe denúncias das próprias vítimas. De acordo com o que escuta, muitos crimes são praticados por pais, avôs, outros familiares e estranhos conhecidos pela internet.

“O inimigo contra o qual estamos lutando não é o explorador, o pedófilo… É uma cultura inteira”, apontou a diretora-executiva do Instituto 3 Palavrinhas, Nathália de Miranda. Conforme avaliou, o crime às vezes é naturalizado por quem está perto e até mesmo aceito em troca de supostos benefícios, como recursos materiais para a família, manutenção de amizade e proteção de pessoas em posição de destaque.

“É toda uma sociedade que se cala”, criticou. Mesmo sem ter certeza sobre a prática criminosa, Miranda salientou a importância de informar sobre as suspeitas às autoridades públicas. Só elas poderão confirmar ou não o delito. “Precisamos trocar o silêncio por responsabilidade”, frisou.

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“Nenhuma instituição consegue enfrentar sozinha esse problema”, reconheceu o delegado-chefe da Divisão Especializada de Referência da Pessoa Desaparecida da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG), Matheus Salles. Ele explicou que, muitas vezes, os casos de desaparecimento estão relacionados ao tráfico de pessoas e exploração de crianças e adolescentes.

“A gente tem aquele imaginário de que o tráfico começa com uma pessoa sendo raptada e colocada dentro de um carro, mas ele começa na vulnerabilidade, que nem sempre é econômica, mas emocional”, observou a presidente e CEO do Instituto Basta, Thais Rocha Münstermann. Ela informou que existem mais de 50 milhões de pessoas em situação de escravidão, citando o exemplo de migrantes em trabalhos forçados.

O delegado da PCMG, Sérgio Paranhos Fleury Belizário, que lidera a divisão de combate ao narcotráfico, falou sobre a cooptação de crianças e adolescentes pelo crime organizado. Segundo ele, “muitas vezes, quando se cresce em ambientes de extrema vulnerabilidade social e em famílias desestruturadas, o tráfico se torna um destino”. 

Fleury ressaltou que o tráfico tem utilizado crianças e adolescentes como mão de obra barata. “A maioria deles é proveniente de comunidades carentes, onde, geralmente, as mães se encontram viciadas e os pais já atuam dentro das facções criminosas”, lamentou o delegado. De acordo com ele, as crianças fogem da própria violência dentro de casa e acabam exploradas e abusadas pelos traficantes.

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Especialistas incentivam denúncias e projetos educativos nas escolas

“Há 18 anos, eu entendi que muito melhor do que estarmos prendendo criminosos é atuarmos na prevenção”, refletiu a Delegada Sheila. Ela lidera o projeto Escola Consciente a fim de proporcionar orientação e acolhimento nas instituições de ensino no interior mineiro. “A criança não nasce sabendo e é muito importante esse trabalho de educação”, destacou.

Na, foi acompanhada pela diretora do Programa de Educação Protetiva e Emocional, Camilla Nascimento. Além de frisar a importância do Disque 100 e outros canais de denúncia, a deputada Ione Pinheiro, também presente na audiência, chamou a atenção para a responsabilidade dos pais no sentido de monitorar interações no ambiente online, como fóruns e jogos.

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Comissão de Prevenção e Combate ao uso de Crack e outras Drogas - debate sobre a inter-relação entre o tráfico de drogas, o tráfico nacional e internacional de pessoas e a exploração sexual de crianças e adolescentes
Comissão de Prevenção e Combate ao uso de Crack e outras Drogas - debate sobre a inter-relação entre o tráfico de drogas, o tráfico nacional e internacional de pessoas e a exploração sexual de crianças e adolescentes
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Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, a cada dez vítimas de estupro, seis têm menos de 13 anos de idade. TV Assembleia

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