Embates marcam pronunciamentos de deputadas e deputados no Plenário
Principais alvos foram a ex-prefeita Marília Campos e o governador Mateus Simões.
Críticas a oponentes e elogios a aliadas. Essa foi a tônica dos discursos de deputadas e deputados na Reunião Ordinária do Plenário desta terça-feira (7/7/26).
O nome mais abordado foi da ex-deputada e ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado este ano. A deputada Amanda Teixeira Dias (PL) criticou a política adotada pela ex-prefeita no trato com pessoas em situação de rua, com a distribuição de barracas em substituição temporária a proteções de papelão e madeira.
Na opinião da deputada, o melhor seria acolher essas pessoas em abrigos ou encaminhá-las para suas cidades de origem. As barracas, segundo Amanda Teixeira Dias estimula a presença das pessoas nas ruas, aumentando o índice de violência e conflito com comerciantes.
A ex-prefeita foi defendida por três parlamentares do PT. Ricardo Campos afirmou que as barracas foram distribuídas durante o período de chuvas, em kits de defesa civil e humanitários. Segundo ele, Contagem é o município mineiro que mais construiu moradias populares, com mais de 5 mil unidades. “Marília promoveu inclusão, apoio e acolheu a população de rua”, rebateu.
Leleco Pimentel acusou a deputada de espalhar mentiras, ao “desvirtuar” o que de fato ocorreu na cidade vizinha. E ameaçou denunciar Amanda Teixeira Dias ao Conselho de Ética e ao Tribunal Regional Eleitoral.
Bella Gonçalves completou a defesa, relatando a trajetória de Marília Campos que já foi vereadora, deputada estadual e por quatro vezes prefeita de Contagem. Citou que a prefeitura criou centros de acolhimento às pessoas em situação de rua e dependentes químicos. “Ela conseguiu barrar muitos despejos e cuidar da moradia popular e das pessoas em situação de rua”, afirmou.
Críticas ao governo estadual
Os deputados da oposição também fizeram críticas ao governo estadual.
Bella Gonçalves condenou isenções fiscais concedidas pelo Executivo para empresas como Ambev, fabricante de cerveja, e Souza Cruz, produtora de cigarros. “Não atenta só contra o bolso dos mineiros, mas também ataca a saúde pública”, protestou. Segundo a deputada, a renúncia de R$ 20 bilhões em impostos é maior do que o recurso aplicado pelo Estado em saúde.
Em aparte, o deputado Gil Pereira (PSD) fez um apelo para que o Ministério Público e o Incra impeçam o esvaziamento da Barragem da Caatinga no Distrito de Engenheiro Dolabela, em Bocaiúva (Norte de Minas), determinada pela Justiça Federal. Ele disse que a estrutura é usada por agricultores, moradores e até animais.
Em seu discurso, Leleco Pimentel lembrou a visita que fez ao Palácio das Mangabeiras, ex-residência oficial do governador, onde constatou a falta de objetos e móveis que pertenciam ao imóvel. Ele lamentou o desmonte irreversível do cinema criado pelo ex-governador e ex-presidente Juscelino Kubitschek e a dissolução do acervo de livros e das estantes que os abrigavam.
Leleco Pimentel reclamou ainda da transformação do local e, também, do Palácio da Liberdade, em lugares de eventos festivos, com dano ao patrimônio e à história de Minas Gerais. Ele comemorou que o Tribunal de Contas do Estado (TCEMG) acatou a denúncia e admitiu o prosseguimento das investigações.
Por fim, Ricardo Campos acusou o governador Mateus Simões (PSD) de fazer promessas de obras, cujas licitações seriam iniciadas apenas no ano que vem, quando começa um novo mandato no Estado. “É uma campanha antecipada e eleitoreira. Obras que ele não vai entregar”, disse ele. O deputado afirmou que muitas obras prometidas há quatro anos ainda não foram finalizadas.
Minuto de silêncio
Durante a reunião, o deputado Leleco Pimentel solicitou um minuto de silêncio pela morte do ex-deputado e ex-prefeito de Coronel Fabriciano (Vale do Aço), Chico Simões, nesta segunda-feira (6). A homenagem também se estendeu ao passamento de três anos da morte do ex-deputado federal e ex-prefeito de Ipatinga, Chico Ferramenta, da mesma região, e pelo falecimento de Mauro Lúcio da Silva, de Ouro Preto (Região Central).