Combate a facções é destaque em prestação de contas da Secretaria de Segurança Pública
Também foi ouvida a chefia da Polícia Civil nesta terça (16), quando estrutura de unidades prisionais e falta de servidores foram temas levantados por parlamentares.
- Atualizado em 16/06/2026 - 16:41A Operação Cerco Fechado, conduzida pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) no combate à expansão de facções criminosas em Minas Gerais, foi destacada nas ações apresentadas pelo titular da pasta Rogério Greco, durante audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na manhã desta terça-feira (16/6/26).
A reunião conjunta das comissões de Segurança Pública e de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas integra a Prestação de Contas do Governo de 2026 no âmbito do Assembleia Fiscaliza, atividade institucional de monitoramento do Executivo pelo Poder Legislativo.
O secretário ressaltou em sua apresentação que a Operação Cerco Fechado é a maior ação contra facções criminosas da história do Estado, mobilizando 3.806 agentes e resultou, até junho de 2026, em 508 conduções, 165 mandados de prisão cumpridos, 84 armas apreendidas e mais de 9 toneladas de drogas retiradas de circulação.
Outra frente destacada por ele foi a Operação Faccionados, responsável por mais de 2,3 mil prisões entre maio de 2025 e abril de 2026, envolvendo integrantes ou suspeitos de ligação com organizações criminosas. Para o gestor, o sucesso das operações se deve ao trabalho integrado das diversas forças que compõem a estrutura da Sejusp.
“Minas é praticamente o único Estado da federação que consegue operar com todas as forças de segurança pública de forma integrada”, ressaltou. Ele atribuiu a governos federais passados o crescimento das facções no País e salientou que Minas Gerais está entre os três estados mais seguros da federação.
A deputada Delegada Sheila (PL), presidente da Comissão do Crack, elogiou a atuação contra as organizações criminosas. “Se esse povo começa a entrar aqui no nosso Estado sem parar, teremos um grande problema”, afirmou.
Impressões positivas sobre o trabalho da Sejusp foram corroboradas pelos deputados Noraldino Júnior (PSB) e Antonio Carlos Arantes (PL), que indagou o secretário sobre a efetividade do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, com metas para a área até o ano de 2030.
Rogério Greco opinou que o plano é “chover no molhado”, uma vez que não traz nenhuma inovação para atuação na segurança pública nacional.
Reformas e adequações nas unidades prisionais
A precariedade das unidades prisionais foi o foco das cobranças do deputado Sargento Rodrigues (PL), presidente da Comissão de Segurança Pública.
Segundo Sargento Rodrigues, em São Sebastião do Paraíso (Sul de Minas) e em São Joaquim de Bicas (Central) faltam banheiros femininos. Situações de precariedade também estariam evidentes nos presídios de Conselheiro Lafaiete (Central) e Rio Pomba (Zona da Mata).
“Em Juiz de Fora (Zona da Mata) ouvi o diretor dizer que ia construir um alojamento na parte de cima da entrada da unidade. Vai ficar parecendo uma casinha de pombo”, se preocupou.
O secretário afirmou estar ciente da situação e informou que uma equipe da Sejusp tem viajado pelo Estado para conhecer o cenário de cada unidade. “Algumas não estão em condição nem de reforma, mas de fechamento”, frisou.
Em sua apresentação, o gestor pontuou reformas e adequações em andamento nas unidades de Juiz de Fora, Curvelo (Central), Ipatinga (Rio Doce), Campo Belo, Divinópolis e Formiga (as três na região Centro-Oeste). Além disso, estão sendo construídos novos presídios em Lavras e Poços de Caldas, ambas cidades no Sul de Minas, com 628 vagas para detentos cada unidade; e em Itaúna (Centro-Oeste), com 306 vagas.
A deputada Delegada Sheila destacou a importância da expansão do sistema prisional pela Sejusp. “Os governos não têm construído novos presídios por ser um tema impopular. Mas onde vamos colocar os presos, especialmente os mais perigosos, sendo postos em liberdade com a justificativa de falta de vagas?”, argumentou.
Sistema demanda mais servidores
Mais nomeações de policiais penais e agentes socioeducativos foi outra demanda trazida pelo deputado Sargento Rodrigues, com a derrubada da cláusula de barreira - critério utilizado em concursos públicos estabelecendo uma pontuação mínima nas etapas iniciais do certame, com eliminação dos demais para as fases seguintes - e criação de um cadastro de reserva com os excedentes.
O secretário Rogério Greco se comprometeu a analisar a situação, porém frisou que, em um concurso público, “excedente não é aprovado, é reprovado”.
O gestor da Sejusp informou também que encaminhará em breve à ALMG proposta da Lei Orgânica da Polícia Penal, mas ressaltou que limitações fiscais impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal impedem, neste momento, a criação de despesas adicionais com pessoal.
Efetivo e promoções também pautam questionamentos à Polícia Civil
Em reunião realizada na sequência pela Comissão de Segurança Pública para a prestação de contas da chefe da Polícia Civil do Estado, delegada Letícia Gamboge Reis, Sargento Rodrigues manifestou preocupação com a escolta de menores infratores, feita por servidores das delegacias, já desfalcadas de pessoal.
O deputado defendeu que o sistema sócioeducativo assuma de fato a tarefa. "É preciso que o Estado desonere desse esforço a Polícia Civil, que está em em sua pior crise em 30 anos em termos de efetivo", frisou.
Ele também solicitou empenho da delegada na defesa das promoções objetivas dos policiais civis, aquelas que ocorrem por critérios técnicos, como de tempo e pontuação, e sem favoritismos na designação de comandos e chefias.
A deputada Delegada Sheila endossou o pleito, mas ponderou que além das qualidades técnicas há que ser levado em conta também o interesse pelo cargo e seu perfil.
Parlamentares elogiaram o trabalho da delegada à frente da PC, ainda que destacando pontos como aumento de casos de feminicídio, abordado pelo deputado Roberto Andrade (PRD); necessidade da nomeação de novos servidores e recomposição dos quadros, citada pelos deputados Duarte Bechir (PSD) e Bruno Engler (PL); reforço contra a violência no campo, destacado por Antonio Carlos Arantes; e padronização da atuação de agentes nos crimes contra os animais, sugerida por Noraldino Júnior.
O deputado Caporezzo (PL) avaliou em sua fala que a a Polícia Civil estaria "jogada às traças",com falta de delegados, agentes e peritos.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), por sua vez, fez questionamentos sobre ações contra a violência nas escolas e pelas redes sociais e questionou a argumentação do Estado de que imposições da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) explicariam o déficit na corporação. "O governo ampliou sua renúncia fiscal de R$ 4,8 bilhões para R$ 26 bilhões", contrapôs.
Delegada cita esforço junto à Seplag
Apesar de também recorrer a limites da LRF citados pelo titular da Sejusp, a delegada registrou sua preocupação em assegurar o efetivo necessário à Polícia Civil, fazendo o rastreamento das necessidades em cada uma das unidades e mantendo agenda nesse sentido com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).
Sobre feminicídio, a delegada disse que mapeamento estatístico mostra um índice de 100% na apuração dos casos no período analisado, mas que destes, somente 85% tinham prévio registro de violência ao feminicídio. Por isso, o foco da atuação tem sido na consciêntização sobre a importância da denúncia e na ampliação de delegacias especializadas, frisou.
Quanto às escolas, a delegada Letícia Gamboge disse que foi inaugurado em maio do ano passado o Centro Integrado em Combate a Crimes Cibernéticos e que palestras são dadas a alunos de forma contínua. Em relação a crimes contra animais, já teriam sido realizadas três edições de cursos para policiais sobre atuação relacionada às faunas doméstica e silvestre.
Investimentos
Em apresentação antes dos questionamentos, a delegada destacou resultados entre maio de 2025 e abril deste ano, como a formação de 215 novos policiais e andamento à incorporação de 54 novos delegados e 104 técnicos assistentes de perícia.
Ela frisou que a PC implantou o programa Cuidar PCMG, oferecendo consultas presenciais e teleconsultas . E que também foi inaugurado um novo Centro de Fisioterapia, Saúde e Qualidade de Vida.
Segundo expôs, o governo autorizou R$ 223,6 milhões para custeio e R$ 75,9 milhões para investimentos em 2026, com entrega de 190 novas viaturas em 2025 e outras 269 previstas para 2026, além da compra de 5.669 pistolas calibre 9 mm para equipar todo o efetivo com armamento padrão Glock, segundo a delegada o melhor do mundo.
Também citadas a presença em Minas de 70 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), cinco Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher (Neams) e oito Salas Lilás para atendimento especializado.
Repúdio
Fala recente do presidente da República também motivou debates entre parlamentares, tendo o deputado Sargento Rodrigues anunciado a proposição de uma moção de repúdio à declaração, na qual Lula disse que a população teria medo de ir a uma delegacia por não saber o "tipo de policial" que encontraria.