DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 28/05/2026
Página 108, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 866 de 2023
Normas citadas LEI nº 25542, de 2025
24ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 26/5/2026
Palavras do deputado Leleco Pimentel
O deputado Leleco Pimentel – Nossa saudação de boa tarde, de modo muito especial, ao quase cinquentenário aniversariante do dia, deputado Cristiano, que aqui, ainda há pouco, fazia seu discurso no Plenário. Você pode olhar a biografia do deputado Cristiano Silveira, ex-presidente do PT, que está aqui se encontrando com o atual presidente. Olha que coisa bonita! Esse é o nosso Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Cristiano, quem nota a sua biografia desde criança… Eu, outro dia, fui ao hospital, à Santa Casa de São João del-Rei. Ali vi a sua história. Hoje eles têm orgulho de ter um deputado, aqui nesta Assembleia, combativo que é, que trabalhou, que buscou o seu sustento e que busca a luta dos trabalhadores como forma e missão. Parabéns, Cristiano. Todos nós nos somamos a você, neste dia, desejando-lhe saúde, porque sabedoria V. Exa. já tem. Com saúde, você vai poder ajudar muito o povo de São João, o povo de Minas Gerais e o povo brasileiro.
Nós temos aqui, no Plenário, que repercutir alguns assuntos que estão acontecendo em Minas, com muita gravidade. A arrogância do governo, desse ex-vice, que é a própria continuidade do governo Zema, é tamanha que nós estamos com risco de colapso no gerenciamento dos atendimentos, que é a chamada regulação, porque houve a suspensão do SUSFácil, determinada por esse governo, o que criou um verdadeiro caos em todos os lugares, seja nos hospitais, seja nos postos de saúde, seja nas prefeituras. Não houve nenhuma preparação dos hospitais de Minas Gerais. Não há preparação, de fato, para a suspensão. Agora estão colocando o programa Core, que é inteligência artificial, para substituir, de uma hora para outra, todo o gerenciamento que nós chamamos de regulação, hoje mantida pelo SUSFácil, mesmo a Justiça tendo determinado a retomada pelo SUSFácil até que uma medida progressiva pudesse colocar outro sistema. E eu tenho lá minhas dúvidas sobre essa tal de inteligência artificial.
Quero lembrar, deputada Andréia, uma encíclica agora lançada pelo Papa Leão XIII, pelo Leão XIV; Leão XIII tem 100 anos. Ela acaba de fazer inclusive uma importante reflexão sobre a questão do uso da inteligência artificial no mundo. E nós temos uma inteligência artificial sendo adotada, açodadamente, às pressas, para que se mascare o sucesso, que é a retomada e o fortalecimento do SUS, que está diretamente ligado ao presidente Lula. Parece só uma rixazinha de eleição, mas é grave demais. Estão colocando um verdadeiro caos na saúde de Minas Gerais, e isso é incalculável do ponto de vista econômico. Pior ainda, se você analisa que quem está esperando uma cirurgia, que quem está esperando um procedimento e foi prejudicado, agora não tem condições sequer de recorrer a ninguém, porque quem gerencia tudo é a inteligência artificial.
Claro que dirão que o deputado está subindo aqui para defender que o SUSFácil, com alguma ingerência humana, possa fazer algum fura-fila. Jamais me confundirão com esses que defendem corrupção ou fura-fila. O que nós estamos denunciando é que colocaram inteligência artificial para gerenciar a regulação da situação da saúde em Minas Gerais. E pior: mesmo determinado pela Justiça, o governo de Estado, até este momento, não cumpre a determinação judicial. É por isso que a gente denuncia a arrogância de Mateus Simões. O ex-vice continua a colocar a saúde em risco e, agora há pouco, o deputado Cristiano falou – e eu corroboro – que este é o Estado com maior número de homicídios. É claro que ele já ligou isso ao número de feminicídios, de ataques e violência contra as mulheres. É claro que esses números mascaram uma cultura perversa do machismo incrustado na alma dos mais violentos e carrascos, que não deveriam nem ser chamados de seres humanos. Essa é a realidade que deveria estar sendo combatida quando ele vai para a mídia falar que vai contratar 54 delegados. Deputada Andréia, o Estado de São Paulo, numa tacada só, convocou 500 delegados. E aqui ele vem tirar onda com 54 delegados, quando a gente sabe que a lista ultrapassa 200. Mesmo assim, isso não recomporia os delegados, que têm que atuar em 30 municípios e, às vezes, têm que dirigir sozinhos. Lembro-lhes aquele caso da Polícia Militar que a gente teve que resolver aqui: caso se furasse um pneu da viatura, o policial tinha que descer, trocar o pneu e depois retomar a sua diligência ou ir até o foco aonde foi chamado.
É um crime a gente ter uma fake news ambulante, que está fazendo campanha há 100 dias, transferindo capital, como se isso fosse importante. E o capital mesmo que ele está anunciando… Nenhum! Anuncia pavimentação de estrada a torto e a direito e não dá conta sequer de falar se há projeto ou licenciamento ambiental do projeto executivo.
Nós teremos aqui, na Assembleia, na próxima quinta-feira, uma audiência pública com os municípios que vêm reivindicar a LMG-744, no entorno de Nacip Raydan. Eles vêm aqui trazer novamente o pedido e o choro de uma comunidade que não tem como escoar a sua produção nem tem como levar um paciente para tratamento. Eles vêm à Assembleia Legislativa buscar respostas do DER e do governo de Minas Gerais sobre projetos, licenciamentos ambientais, previsão de recursos e execução da obra da pavimentação. Ela ocorrerá na quinta-feira, às 14 horas. Eu e o deputado federal Padre João, conforme já estivemos no local diversas vezes, inclusive na última manifestação, faremos aqui essa acolhida e esperamos respostas deste governo do ex, que agora deixou de ser vice e está aí fazendo pirotecnia. Nem ele cresce nas pesquisas, nem Zema. Eles têm que fazer todo dia… Que vergonha!
O Zema foi lá, condenou o Flávio Bolsonaro por corrupção e falou tudo abertamente. Foi mais rápido do que os que se pronunciaram sobre o dinheiro de Flávio Vorcaro. Falou: “Isso não dá. Você condena aqueles outros, mas faz o mesmo”. Gente, não demoraram dois dias, e o Zema falou que aquilo já estava superado. Quem está superado, de fato, é você, velho político mascarado de novo, nefasto, Zema, que utilizou o Estado para uma propaganda mentirosa. Você é tão enganoso quanto a sua propaganda. Você é duvidoso, Zema, e você deixou, infelizmente, mais um mentiroso à frente do governo de Minas, que está aí propalando e tomando decisões arrogantes, inclusive tomando a decisão de não acatar as decisões da Justiça.
É por assim dizer que vou mudar a chave para falar algumas coisas positivas. Nós realizamos, na última quinta-feira, na cidade de Fruta de Leite, um seminário importante sobre as terras devolutas de Minas Gerais, o primeiro seminário do Alto Rio Pardo. Deputada Andréia, deputados e deputadas, é exatamente a concentração de terras de um estado que não sabe nem o que é dele… Terras devolutas são aquelas que não têm registro cartorial e estão entregues nas mãos de empresas que exploram, detonam as comunidades, excluem, degradam e matam. Hoje ameaçam os povos geraizeiros e vacarianos, o povo tradicional do Norte de Minas, como é o caso do Vale das Cancelas e como é o caso de empresas que receberam contratos que não cumpriram, que já estão vencidos, e hoje colocam em risco a segurança hídrica.
Nós acabamos de vir de um seminário do semiárido, que nos demonstrou que a população do semiárido é uma das que convivem com a menor quantidade de água para a sobrevivência, em comparação a qualquer escala no mundo. Inclusive a professora da UFMG disse que essa quantidade de água é menor do que a que existe no Deserto do Saara, para os povos que estão no Deserto do Saara – 30 litros de água por dia, Doutor Jean, o que está abaixo do que as populações que vivem no Deserto do Saara têm. Isso tudo por conta do abandono do governo de Minas Gerais. Mas também tivemos ali notícias boas da ação do semiárido. A deputada Leninha, que bem coordenou hoje, também participou de um importante seminário sobre a importância de haver ali os programas que, de fato, puderam dar acesso e trazer maior quantidade de água, no entanto ele ainda não foi universalizado. Nós temos ainda o Idene e o Igam, tudo na mão do governo de Minas Gerais, que, hoje, fica arrotando propaganda, mas não tem um centavo e fica na dependência de emenda parlamentar. Por isso, parabéns ao povo do semiárido, do CAA, da Cáritas, do Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica – CAV – e a todos e todas que puderam vir à Assembleia para esta importante reflexão.
Eu estive presente num dos mais bonitos e belos formatos de manifestação cultural. Tenho a alegria de ter sido o autor da lei que reconhece, como patrimônio material e imaterial de Minas Gerais, a Festa do Carro de Boi da comunidade de Casa Nova, em Guaraciaba, minha terra. Foram mais de trinta carros, e o povo trocando ali saberes e sabores. Inclusive tivemos ali, logo no início, na concentração dos carros, o pão crioulo de Guaraciaba. É um trem de doido! Eu, que nem gosto de pão, digo que aquele pão lembra a infância, lembra o pertencimento e a sabedoria do povo da região. E juntos, na comunidade de Casa Nova, pudemos ali anunciar não só que a festa agora é reconhecida, a efeito do que fizemos na Assembleia Legislativa, mas também que o Município de Guaraciaba a colocou no calendário cultural. Assim nós pudemos destinar recurso à festa realizada.
Inclusive, ali há um grupo escolar que está abandonado, e, juntos, eu e o Padre João colocamos recursos que serão transformados em uma sede para aquela associação, fortalecendo o artesanato, a cultura e a presença da memória e do modo de produzir alimento da agricultura familiar, que é mais do que centenária e que teve, naquela região banhada pelo Rio Piranga e pelo Rio Turvo, em Guaraciaba, a manutenção do modo e da qualidade de vida na região. Lembramos aos que lutam pelas causas animais que os bois e os animais são tratados com o devido respeito e dignidade. Ou seja, tratando a causa animal, permanecemos com a cultura. Então temos a alegria de parabenizar todos e todas pela realização dessa importante Festa do Carro de Boi de Casa Nova. Dali também seguimos para a 33ª festa, uma importante festa que aconteceu no Município de Porto Firme, na divisa com Guaraciaba, onde os trabalhadores reservam o mês de maio, esta importante data, para a reflexão e para as ações de fortalecimento da agricultura familiar.
E, por fim, as 46 famílias que estão em pleno trabalho técnico e social, porque está sendo construída mais uma etapa: 46 moradias, pelo Minha Casa, Minha Vida – Rural, em Guaraciaba, além da segunda etapa do urbano. O Minha Casa, Minha Vida é o reconhecimento de que o Estado brasileiro deve aos trabalhadores, tanto da zona rural quanto da zona urbana, esta política pública, e por isso que o Lula voltou, o Minha Casa, Minha Vida voltou e municípios pequenos, como o de Guaraciaba, têm moradia: mais de duzentas unidades já construídas por autogestão. A gente parabeniza a GAS Guaraciaba, assim como outras entidades que estão esperando o anúncio das próximas contratações.
Quero, por fim, parabenizar a Assembleia Legislativa por assumir as barraginhas. Hoje o lançamento do programa Vitrine é fruto do esforço de muita gente em muitos anos. Isso fez com que o Luciano Cordoval, o nosso papa das barraginhas, pudesse aqui, pela manhã, demonstrar a sua dedicação de vida. Ele que já ultrapassou os 75 anos nos dá inveja, porque levanta para construir barraginha e defende a perenização dessa água para que se transforme em nascente, que evita, depois, inclusive as enchentes das cidades. Nós tivemos, na Assembleia, a assunção de um programa que trouxe a Emater e outros órgãos de governo para a centralidade, mas é pouco. Acho que nós temos que lançar de imediato um programa de mais de 1 milhão de barraginhas, para que tenhamos condição de dizer que as comunidades e os povos terão direito à vida. Por isso, parabéns ao Luciano Cordoval e ao Padre João, autor do projeto de lei das barraginhas na Câmara Federal. A gente está aqui e sabe que quem ama as águas ama a vida. As barraginhas são a maior forma de amor e expressão do cuidado com a mãe Terra. Muito obrigado, Sra. Presidenta, deputada Andréia, que preside esta reunião. Alegria em falar de tantas denúncias, mas de terminar minha fala com os anúncios que dão esperança de que a gente está no caminho certo.