Pronunciamentos

DEPUTADO CRISTIANO SILVEIRA (PT)

Discurso

Critica a ausência em Plenário de deputado que questionou o silêncio de parlamentares de esquerda acerca de denúncias de irregularidades envolvendo o Banco Master. Contesta declaração desse parlamentar sobre a relação do governo federal e do Partido dos Trabalhadores – PT – com o banco e seu presidente, Daniel Vorcaro. Apresenta dados sobre doações eleitorais que teriam sido feitas por Vorcaro a candidatos e partidos de direita. Destaca o Dia Internacional da Mulher e critica o governador Romeu Zema por vetar e alterar projetos de sua autoria que visavam à proteção a mulheres vítimas de violência.
Reunião 7ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/03/2026
Página 88, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4432 de 2017
PLC 84 de 2022

7ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 10/3/2026

Palavras do deputado Cristiano Silveira

O deputado Cristiano Silveira – Não acredito que o parlamentar fez a fala aqui, nos provocou e saiu do Plenário. Não, não acredito nisso. O deputado Leleco acabou de pedir: “Não, deputado! Fique aqui que vamos responder”. Inclusive, ele desafiou os parlamentares do PT a falarem sobre o assunto. O deputado Leleco lhe pediu um aparte para responder, mas ele não o concedeu; pediu-lhe que ficasse para fazermos esse diálogo aqui. Não tenho problema com isso, não, porque, no dia em que pedi ao deputado Bruno Engler que ficasse no Plenário, ele ficou. Então o deputado Bruno foi ao microfone e me disse: “Agora quero um aparte”, e eu o concedi. Por quê? Porque, se lhe pedi que ficasse, tenho também que ouvi-lo, não é verdade? Vai vendo como é a direita aqui, não é, gente? Nossa, mas é porque o assunto é bom demais! Sabe qual é o assunto? Vorcaro e Banco Master. Ele tentou atribuir aqui relação do governo federal, do Executivo e do PT com o Banco Master. Nossa, que debate bom que eles puxaram aqui, agora! Bom demais, bom demais!

Vamos lá! É hora de começar a lista, Leleco! Qual foi o candidato a presidente da República e qual partido que recebeu a doação do cunhado do Vorcaro? Foi a maior doação recebida de pessoa física, ou seja, R$3.000.000,00. Não foi Luiz Inácio, mas sim Jair Bolsonaro, do PL, que é o partido do parlamentar que acabou de subir a esta tribuna para fazer ilações; aliás, não somente Bolsonaro mas também um candidato a governador da direita, que recebeu R$2.000.000,00 de doação: Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Não há um centavo de doação de Vorcaro, de seu cunhado, de alguém ligado a ele ou do seu grupo para o Partido dos Trabalhadores, para o presidente Lula e para qualquer um que seja dos políticos e parlamentares. Para mim, isso foi surreal; foi surreal um parlamentar do PL subir à tribuna para fazer um desafio e ilações de que poderia haver qualquer tipo de relação entre o Banco Master e o PT ou então o governo federal enquanto é justamente o partido dele que está enrolado. O Valdemar Costa Neto, presidente do PL, em entrevista, disse que não foi somente o Bolsonaro mas também o PL que recebeu recurso do Vorcaro e do Banco Master.

Gente do céu, estou, cada vez mais estarrecido. Eu não teria a coragem de subir aqui para tocar num assunto que sei que é espinhoso para o meu partido ou para as lideranças que sigo. Vou repetir, deputado: o senhor nos pediu que falássemos aqui, na tribuna. É uma pena que o senhor não ficou no Plenário e fugiu, mas vou responder porque estará gravado. Respondo-lhe que o PL, que é o partido do senhor, recebeu recurso do Banco Master e da turma do Vorcaro; o seu presidente Bolsonaro, que é do seu partido – o PL –, recebeu R$3.000.000,00; e o Tarcísio, do seu partido, recebeu mais de R$2.000.000,00 da direita – o Tarcísio, de São Paulo. Não há um centavo para os parlamentares do PT e da esquerda.

Vamos além? Vamos mais um pouquinho para frente? Quem fez mais de dez viagens em aeronave do Vorcaro? Nenhum parlamentar eleito pelo PT, mas sim o Nikolas Ferreira, do partido do deputado que fez o desafio para nós aqui e “cascou fora” porque não aguenta o debate. Vou aqui fazer diferente. Deputado, se o senhor estiver me assistindo, volte ao Plenário porque vou lhe conceder um aparte. O senhor não quis dá-lo ao deputado que pediu para responder, mas eu o concederei com muita tranquilidade para que venha até aqui e me responda. Não, porque isso não. O debate tem que ser feito com coragem. Você tem que subir à tribuna e fazer a sua fala, mas precisa ter a disposição e a coragem também de ouvir. Não pode provocar o outro e “cascar fora”, não! Eu não faço isso. Só faço se estiver disposto a ouvir a resposta do outro.

É lamentável! V. Exa. lhe pediu um aparte para responder, mas ele não o concedeu. Eu pedi que ficasse para fazermos essa discussão, mas ele não ficou. Nós não temos medo da discussão, não temos medo do debate. Repito: quem deu “rolé”, ou seja, mais de dez viagens de avião para fazer campanha, em 2º turno, para Bolsonaro e não declarou para o TCE – e é preciso haver investigação – foi Nikolas Ferreira, do PL. Quem recebeu o dinheiro? Bolsonaro. E qual partido recebeu o dinheiro do Master e do Vorcaro? PL. Então não fomos nós, não fomos nós. Está cheio de parlamentar da direita, inclusive de Minas Gerais, na lista telefônica do Vorcaro. Não é isso, deputado Leleco?

O deputado Leleco Pimentel (em aparte) – É porque também aqui sempre a referência que se tem é o Partido dos Trabalhadores. Vou ser breve. Aos dois deputados que protagonizaram agora aquela rinha, rinha de fake news… O deputado que aí esteve teve… O Requerimento nº 3.271 foi assinado por ele, por Caporezzo, por Alê Portela, pelo Coronel Sandro e pelo Eduardo Azevedo. Eles fizeram esse requerimento para que fosse formulada uma manifestação de repúdio ao Ministério Público Federal em razão da abertura do inquérito criminal contra o pastor André Valadão.

Olhe por que ele fica aqui desafiando e não tem coragem… Olha, ele só tem que lembrar que um número que aparece lá também, na agenda do Vorcaro, é do pai da deputada que aqui esteve neste microfone, ex-ministro de Bolsonaro. Essa guerra de narrativa só Santo Agostinho para desmontar. A mentira não tem perna curta, ela tem é cara de pau. V. Exa. faz muito bem em desmentir, com a autoridade de quem conhece os fatos. Parabéns, deputado Cristiano.

O deputado Cristiano Silveira – Obrigado, deputado Leleco. E eles vão adiante, não é? Tentaram agora trazer esse negócio do Lulinha. Eles não conseguem pegar o Lula, então eles ficam tentando arrumar alguma coisa ali por perto para criar um factoide. O Lulinha, eu tenho dó desse cara. Esse cara, lá atrás, no passado, era dono da Friboi. Lembra-se? Todo mundo fala: “O Lulinha, filho do Lula, é dono da Friboi”. Uai, eu não sabia que ele era irmão do Joesley, não! O Joesley Batista, o verdadeiro dono da Friboi.

Depois o Lulinha, esse mesmo Lulinha, era dono da Oi, a companhia de telefonia. Aí o Lulinha era dono da Oi. Depois, o Lulinha era o cara que tinha uma Ferrari toda banhada em ouro. De onde esses caras tiram esses negócios? Está na hora de fazer tratamento, tomar remédio, fazer qualquer coisa. Tem um trem muito errado, não tem, não? Hein, companheiro? Não tem, não? Tem! Agora, dizem que o Lulinha ganhava mesada, R$300.000,00 de mesada de não sei quem, do Careca do INSS, e que ele tinha outro amigo que também dava dinheiro. Aí foram lá e quebraram o sigilo do Lulinha. O que nós vimos na quebra de sigilo? Parece-me que, em torno de cinco, seis anos, ele movimentou R$19.000.000,00. Ok? Nem um depósito, nem um centavo do Careca do INSS, de associação ligada a esses escândalos, de lobista ou de quem quer que seja. Toda a movimentação dele vinha da herança da família, da mãe, do pai, antecipada. Toda a movimentação dele vinha das empresas que ele tinha, dos negócios que ele fazia.

Outra coisa: quando você diz que houve movimentação de R$19.000.000,00, não é que havia R$19.000.000,00 em saldo na conta. Era dinheiro que entrou e saiu. Entrou e saiu! Eu explico facilmente: se você recebe R$100.000,00, pega esses R$100.000,00 e os coloca na poupança – mais R$100.000,00, só aí movimentou R$200.000,00 –, saca da poupança e os retorna para a sua conta, movimentou R$300.000,00. Você usa isso para quitar uma parcela de um financiamento, de um consórcio. Só aí, R$100.000,00 viraram R$400.000,00. O cara é empresário também. O cara é empresário, então, se você for olhar, ele deve ter movimentado de fato R$9.000.000,00 – conta rápida, de padaria.

Então quebraram o sigilo do Lulinha e não há um centavo do Careca do INSS, não tem nada. A imprensa chegou ao ponto de ser tão ridícula, tão ridícula, que houve uma matéria no site Metrópoles falando: “Lulinha fez três depósitos para uma amiga que trabalha no governo da Bahia”. Aí eu fui ver a matéria, e sabe quais eram os valores? Eram R$2.000,00, R$800,00, R$600,00. Oh, gente, tem como fazer um jornalismo mais sério! É caçar… “Mas não é possível que não tem nada para nós pegarmos desse cara”. Toda hora que futicam só acham deputado da direita. Inclusive, parece que há três parlamentares do PL que estão foragidos, porque têm mandado da Justiça por estarem fazendo rolo. Estavam fazendo rolo.

Então não tem moral, não tem autoridade moral, não tem condição, em situação nenhuma, de subir à tribuna para fazer qualquer tipo de ilação, de ataque, e tentar vincular o governo federal a Vorcaro. Eu acredito, sim, que há muito problema: o buraco é muito mais embaixo para eles, para o PL, para a direita, para os bolsonaristas, para essa turma que ganhou dinheiro da galera do Vorcaro na campanha. Para eles, o buraco vai ser mais embaixo. Você entendeu como é que é, então? Estou esclarecendo.

Esse negócio aí do Banco Master, vocês viram como é que é. O Campos Neto, que era presidente do Banco Central, obteve informação sobre a situação do Banco Master e sentou em cima. Quem ampliou o valor do Fundo Garantidor de Créditos, que é esse fundo que você utiliza para compensar quebras nesse tipo de investimento, foi o Ciro Nogueira, ligado a Bolsonaro. Foi ele quem ampliou o dinheiro do Fundo Garantidor de Créditos. Agora, quando o Vorcaro pediu uma reunião com o Lula, o Lula mandou chamar o Rui Costa e o Galípolo, que seria nomeado presidente do Banco Central. E o que o Galípolo fez assim que assumiu o Banco Central? Liquidou o Banco Master. Liquidou o Banco Master. Aí a pergunta que eu faço: quem tem rabo preso com Vorcaro? É aquele que já sabia, lá atrás, e não tomou as medidas ou aquele que, mesmo tendo recebido Vorcaro, adotou as medidas que tinham que ser adotadas e decretou a liquidação do Banco Master?

Aqui não, Juninho! Aqui não! Quer fazer debate conosco, faça com informação. Agora me tirar da… “Ah, eu faço um recortezinho e ponho na minha rede social.” Eu vou até pedir à minha assessoria… Eu quero o recorte da fala do parlamentar quando ele pede para a gente vir aqui responder, porque não viu em hora nenhuma a gente tocar no assunto. Eu quero colocar na minha página – vou dar esse jabá para ele – o momento em que ele faz esse desafio e o momento em que eu subo aqui, peço a ele para ficar e o convido para fazer o debate. Coloque essa parte que eu estou dizendo. Se o parlamentar estiver me ouvindo, corra aqui que eu lhe concedo aparte para responder se estou mentindo, se estou mentindo. A informação está aí para todo mundo ver. Essa é a situação.

Quanto ao Banco Master… No outro dia, desta tribuna, eu pedi: “Parem de me encher o saco nas minhas redes sociais sobre o Banco Master”. Respondam essas questões. Depois vocês vêm falar do Banco Master, daquele negócio que eu falei na semana passada, e do escândalo do INSS, que começou no governo Bolsonaro. Eu já disse aqui: a Associação Nacional dos Médicos Peritos alertou quanto ao Onyx Lorenzoni, na época ministro de Bolsonaro, e ao governo Bolsonaro, e disse que havia rolo, mas não foi adotada nenhuma medida. Quando o governo Lula tomou conhecimento disso, a investigação começou, muita gente foi presa, o governo providenciou que o esquema fosse encerrado e que o ressarcimento aos aposentados fosse iniciado. Foi no governo deles, da direita, que o rolo começou, e sentaram em cima. Foi o nosso governo que apurou, investigou e aplicou as punições. Então, gente, é como dizem: na guerra, a primeira vítima é a verdade. Se depender da gente, a verdade será estabelecida aqui, nesta tribuna e neste Plenário.

Quero encerrar, presidente, dizendo que sou eu quem faz o desafio agora a qualquer deputado da direita, do PL, ligado a Bolsonaro, os bolsonaristas, e à turma do PL e do Cleitinho aqui, em Minas Gerais, a virem fazer essa discussão com a gente, a subirem aqui, na tribuna, e nos responder. E se precisarem de aparte, que não nos deram, eu o darei a quem quer que seja.

Eu havia preparado outra fala, mas precisava trazer essa resposta. Eu queria falar sobre o Dia das Mulheres, do dia 8 de março, que nós celebramos na última semana. Claro que não há muita coisa para comemorar, especialmente neste Estado de Minas Gerais, que é violento para as mulheres. O Brasil é um país perigoso para as mulheres. Ser mulher neste país é perigoso; ser mulher neste país e neste estado é tão perigoso quanto… Quero lembrar de duas situações que me marcaram neste Plenário. O governador Zema e o Mateus Simões vetaram o nosso projeto que propunha o auxílio transitório à mulher vítima da violência e dependente economicamente do agressor. É muito blá-blá-blá, é muita homenagem em rede social, mas, quando eles têm que adotar ações concretas e objetivas para proteger as mulheres, não apoiam esse tipo de iniciativa. O governo vetou a proposta e, infelizmente, a sua base aqui, na Assembleia, contando com o voto de mulheres, de mulheres, manteve esse veto.

Há outro ponto: a gente propôs que a servidora pública do Estado em situação de violência tivesse direito à remoção, para que fosse para qualquer lugar de Minas Gerais, mas se afastasse do agressor para proteger a sua vida. E o governo disse: “Está bom. Nós aceitamos, desde que haja existência de vaga, mas vamos colocar uma emendinha”. Se houver vaga, qualquer servidor pode pedir remoção, independente de estar em situação de violência. Aí matam o projeto. Nós temos que voltar a fazer esse debate, porque essa nossa proposta foi derrotada aqui com o voto, inclusive, de mulheres. Eu falava muito disso quando a turma ficou apoiando os vetos sobre o autismo. Um monte de deputado dizia: “Não, não, não, não, é o autismo, eu sou defensor da causa, eu sou defensor da causa”. Mas na hora que tivemos projetos aqui para criar centros regionais, promover o cuidado de quem cuida, houve obediência ao governo e não houve consciência com a questão do autismo. Eu disse que toda vez que puder, subirei a esta tribuna para falar: “Olha, com determinado colega, é melhor não tocar nesse assunto, não, porque, quando precisou tomar uma decisão e uma posição, ficou contra os autistas. Olha, não venha colega parlamentar para falar de enfrentamento à violência contra a mulher, porque, quando precisou ter uma medida, fazer uma escolha, ter um lado, ficou contra as mulheres, e lamentavelmente, isso tem como consequência o apoio à cultura da violência no nosso estado, porque o governador não tem sensibilidade com isso”. Então eu queria fazer esse registro. É preciso entender que muito mais que nossas homenagens, o que as mulheres deste país e deste estado precisam é da nossa luta. O resto é bobagem, é demagogia barata para jogar para a galera e na próxima eleição tentar ganhar uns votinhos. Obrigado, presidente.