DEPUTADO IVO JOSÉ (PT), Coordenador-Geral da Frente Parlamentar do Cooperativismo de Minas Geais - FRENCOOP.
Discurso
Comenta o cooperativismo nos segmentos de produção e de serviços e o
papel da Frente Parlamentar do Cooperativismo de Minas Geais - FRENCOOP
mineira. Comenta a posição do Partido dos Trabalhadores - PT - com
relação à Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI - da Secretaria de
Estado da Saúde. Comenta os projetos de iniciativa da FRENCOOP Minas.
Reunião
155ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/07/2000
Página 35, Coluna 2
Assunto COMÉRCIO. REPRESENTAÇÃO POPULAR. SAÚDE PÚBLICA.
Aparteante Dalmo Ribeiro Silva.
Proposições citadas PL 915 de 2000
PL 531 de 1999
PL 1044 de 2000
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/07/2000
Página 35, Coluna 2
Assunto COMÉRCIO. REPRESENTAÇÃO POPULAR. SAÚDE PÚBLICA.
Aparteante Dalmo Ribeiro Silva.
Proposições citadas PL 915 de 2000
PL 531 de 1999
PL 1044 de 2000
155ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 28/6/2000
Palavras do Deputado Ivo José
O Deputado Ivo José - Sr. Presidente, antes de iniciar meu
pronunciamento, concedo a palavra ao colega Durval Ângelo.
O Deputado Durval Ângelo (em aparte)* - Queria uma informação a
respeito do Projeto de Lei Complementar nº 17. Todos sabemos que a
magistratura mineira espera, com grande ansiedade, a votação desse
projeto no Plenário. O projeto disciplina e define a organização e
a divisão judiciárias do Estado. Após a fala do orador, gostaria
que a Mesa explicasse em qual comissão se encontra e em que
momento poderemos votá-lo em Plenário, conforme definição de
Acordo de Lideranças.
O Deputado Ivo José - Sr. Presidente, Srs. Deputados, pessoas
presentes nas galerias, o cooperativismo vem ganhando proporção à
medida que aumenta o número de seus adeptos e se expande para os
mais diversos ramos da economia. A cooperação é inerente ao ser
humano, e a solidariedade é o fruto mais nobre dessa relação. As
raízes desse sistema assentam-se na vontade de desenvolver-se com
justiça, beneficiando-se todos os que se comprometem a crescer,
mas, fundamentalmente, na vontade de distribuir os frutos dessa
riqueza, gerada pelo trabalho solidário. Ao exaltarmos o movimento
cooperativista, estamos estimulando todos os segmentos da
produção, que convivem com uma crise estrutural de enorme
proporção, para que busquem, na economia solidária, formas de
solucionar os entraves para o desenvolvimento social.
O cooperativismo, em sua forma primitiva, já buscava a solução
para que os pequenos produtores ou comerciantes enfrentassem o
mercado monopolizado e discriminatório. Pequenas experiências de
solidariedade resultaram em um sistema econômico que nada mais é
do que a união de esforços em favor do bem-estar de todos. A
disputa irracional de mercado, no entanto, levou o mundo a tamanha
complexidade nas relações comerciais, que todos os segmentos de
produção foram afetados. Os grandes conglomerados econômicos, já
não se contentando com os mercados em seus países de origem,
passam a exportar indústrias e, junto com elas, a dominação e o
poderio econômico. Tal reviravolta no cenário internacional abalou
as estruturas mais frágeis e colocou a economia em um círculo
vicioso baseado menos na produção e no consumo e muito mais no
sistema de financiamento internacional, concentrando ainda mais a
riqueza e trazendo, como conseqüência, o malefício da miséria e da
pobreza.
Felizmente, se, de um lado, o homem inventa a complexidade
econômica e as distorções sociais como forma de dominação,
justamente o seu semelhante estimula a solidariedade e reinventa a
cooperação.
O sistema cooperativo veio para colocar ordem nas desigualdades,
para contrapor o poderio nas mãos de poucos, para distribuir
justiça social e para equilibrar a viciada estrutura das
sociedades modernas.
Estimular iniciativas cooperativistas é buscar formas de
participação coletiva, devolvendo aos cidadãos o direito de se
integrarem economicamente à sociedade.
Por isso, defendemos o cooperativismo como conceito e princípio e
gostaríamos de vê-lo presente em todos os segmentos da produção e
de serviços, principalmente nos que interferem diretamente na vida
dos cidadãos.
Na agricultura, por exemplo, o sistema cooperativo é o mais
indicado, se não for a única forma de o pequeno e o médio produtor
participarem, em igualdade de condições, do disputado mercado de
alimentos. Estimular o cooperativismo agrícola é promover o homem
do campo e conceder-lhe as condições favoráveis para que permaneça
na terra, produzindo e sobrevivendo com dignidade.
No setor de crédito, a experiência dos últimos anos vem
demonstrar que as instituições financeiras, privadas ou públicas,
são incapazes de financiar a produção, os bens e os serviços, pois
supervalorizam o valor aplicado, onerando os produtores, os
consumidores e os trabalhadores e impedindo o desenvolvimento
harmônico da atividade. Nesse setor, as cooperativas de crédito
vêm se sobressaindo, demonstrando que podem reduzir o custo do
dinheiro e que podem financiar, com maiores benefícios, qualquer
segmento da produção ou do consumo, podendo, inclusive, atuar como
Bancos, com ganhos consideráveis para os seus clientes ou seus
associados.
Na área do consumo, as experiências também demonstraram que o
cooperativismo é a melhor forma de reduzir os custos, de aumentar
o poder de compra e de acabar com a intermediação, que só onera o
produto final.
O mesmo se processa em relação às cooperativas de trabalho, que,
aos poucos, vêm ocupando os espaços da mão-de-obra informal,
tornando-se uma verdadeira arma contra o desemprego.
Portanto, seja no segmento da produção, do crédito, do trabalho,
do consumo, dos serviços, da saúde ou da agropecuária, o sistema
cooperativista vem se tornando a melhor opção, principalmente para
os países em desenvolvimento, como alternativa de crescimento
econômico com justiça social.
O Deputado Dalmo Ribeiro Silva (em aparte) - Quero parabenizar V.
Exa. pela sua participação no Plenário, nesta primeira hora. Quero
dizer a V. Exa. que a conscientização sobre o cooperativismo é
muito importante. Eu, como representante desta Casa junto à
FRENCOOP no setor da educação, vejo que há necessidade de uma
profunda reflexão neste momento, porque, realmente, os
cooperativistas têm que merecer, por parte do Legislativo e de
todos os órgãos governamentais, acima de tudo, espaço para a total
participação.
Então, essa reflexão que V. Exa. traz a esta Casa é muito
importante, porque temos que nos conscientizar para que o
cooperativismo possa difundir as suas conseqüências sérias e
determinadas. Esta Casa já tem dado o exemplo. Há poucos meses
realizamos um grande encontro da FRENCOOP aqui, na Assembléia
Legislativa. Temos certeza de que vamos caminhar e vamos
apresentar justas reivindicações em favor do setor do
cooperativismo. Parabéns a V. Exa.
O Deputado Ivo José - Muito obrigado, nobre Deputado Dalmo
Ribeiro Silva. Mas, justamente pelo ritmo de crescimento das
cooperativas, acirra-se também a concorrência com a iniciativa
privada, que não pode resistir ao apelo solidário de um sistema
que se baseia na coletividade, na união de esforços e na promoção
do ser humano.
Por isso, é necessário um esforço de todo o movimento
cooperativista no sentido de mostrar a justeza desse sistema,
procurando aumentar o número de pessoas que aprovem e invistam
nesse processo coletivo.
Foi nesse sentido que um grupo de parlamentares, Deputados
Federais e Senadores, resolveram criar, em nível nacional, a
Frente Parlamentar do Cooperativismo, que se tornou, em pouco
tempo, o braço legislativo desse segmento e trouxe para o
Congresso Nacional as reivindicações do setor.
Seduzida pela idéia, Minas Gerais saiu na frente, criando, em
outubro de 1997, durante um seminário sobre cooperativismo de
crédito, realizado na Universidade Federal de Lavras, a FRENCOOP
mineira. A Assembléia Legislativa de Minas Gerais assumiu
integralmente esse movimento, sendo que o seu primeiro Presidente
foi justamente o Deputado Romeu Queiroz, Presidente da Assembléia
Legislativa na época.
Uma pesquisa para avaliar a receptividade dos Deputados Estaduais
mineiros não poderia ter obtido melhor resultado. Todos os 77
Deputados foram favoráveis à criação da FRENCOOP, como forma de se
incentivar o cooperativismo no Estado.
Atualmente, oito Estados brasileiros possuem frentes
parlamentares, e seis estão em via de constituí-las. Em Minas,
mais de 100 cidades responderam positivamente ao apelo para se
constituírem frentes parlamentares municipais de apoio ao
cooperativismo.
A FRENCOOP mineira tem como Presidente o ilustre Deputado Paulo
Piau, um dos maiores defensores do cooperativismo, que tem
conseguido a adesão de, praticamente, todos os colegas
parlamentares.
Assumi a posição de coordenador-geral da FRENCOOP mineira, e, por
consenso, optamos por trabalhar por segmentos, tornando o nosso
apoio o mais abrangente possível. Temos hoje os ramos
agropecuário, de crédito, educação, saúde e trabalho, sob a
coordenação de vários outros colegas, como disse o Deputado Dalmo
Ribeiro Silva, coordenador da área da educação.
Como iniciativas da FRENCOOP Minas, podemos destacar vários
projetos de lei, entre eles o que permite aos cooperados de
cooperativas de crédito optarem pela entidade para o pagamento dos
seus salários. Esse projeto, do Deputado Durval Ângelo, foi
aprovado pela Assembléia Legislativa e aguarda a sanção do
Governador do Estado.
Também teve apoio da Frente o projeto de lei que concedeu
parcelamento do crédito tributário para as cooperativas em até 100
meses, com isenção de multas, permitindo o saneamento financeiro e
econômico dessas entidades.
Um outro projeto de lei, do Presidente da FRENCOOP mineira,
Deputado Paulo Piau, em tramitação na Assembléia, permite que as
cooperativas participem dos processos licitatórios em igualdade de
condições com as empresas privadas, direito esse que está sendo
cerceado pelo parecer de um ex-Conselheiro do Tribunal de Contas
do Estado. Consideramos essa atitude uma forma de discriminação e
de garantia da reserva de mercado para a iniciativa privada. Hoje,
as cooperativas só conseguem participar de licitações no Estado
por força de liminares, mas, para as multinacionais, o campo de
trabalho continua aberto e sem restrições. Esse projeto de lei é
oportuno e tem o objetivo de acabar com essa discriminação
vergonhosa, permitindo que as cooperativas participem nas
licitações públicas, em igualdade de condições com a iniciativa
privada. O referido projeto recebeu emenda de nossa autoria, que
garante a lisura das cooperativas de trabalho que, porventura,
resolverem participar de processo licitatório.
É importante ressaltar que, em todos os Estados brasileiros, esse
direito é assegurado, e, em Minas, deve prevalecer o princípio
democrático, a bem do cooperativismo e do serviço público.
Além dessas iniciativas no âmbito do Legislativo mineiro, a
FRENCOOP atuou na difusão dos princípios cooperativistas, por meio
de pronunciamentos públicos e participação em eventos e
seminários. Ainda neste ano, estaremos realizando seminários sobre
temas ligados ao mundo cooperativista, iniciando, já em novembro,
um debate sobre as cooperativas de trabalho.
E todo esse trabalho de pouco mais de um ano culminou na
realização do II Encontro Nacional das FRENCOOPs, em Belo
Horizonte, neste Plenário, que reuniu mais de 700 participantes,
entre Vereadores, Deputados Estaduais e Federais, Senadores e as
principais lideranças do cooperativismo brasileiro.
Estabeleceu-se, nesse encontro, a meta de expansão das frentes
parlamentares em todo o País, priorizando-se a criação de frentes
de apoio a partir das Câmaras Municipais. Quanto mais Vereadores
estiverem envolvidos com o segmento cooperativista, maior será o
apoio dos parlamentares, e, por conseqüência, teremos maior
agilidade na aprovação de projetos que venham a estimular a
atividade em todo o País.
Portanto, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, estamos empenhados em
difundir a causa cooperativista, porque entendemos que as
cooperativas deixaram de ser alternativas para esse modelo
econômico excludente e se tornaram solução, principalmente em se
tratando da resolução dos principais entraves para o
desenvolvimento econômico com a justiça social.
Para concluir, Sr. Presidente, gostaria de tratar de outro
assunto. Lamento a exigüidade do tempo, mas quero dizer, em nome
da Bancada do PT, que não assinamos a CPI da Secretaria da Saúde,
proposta pelo Líder da Bancada do PDT, Deputado Marcelo Gonçalves,
por estarmos em um processo de avaliação. Lamentamos nosso
equívoco por não assinar no momento, pois tínhamos o entendimento
de que o momento que antecede as eleições não é favorável para que
o Ministério Público receba todas as informações e o Governo, com
seus instrumentos de investigação, faça as apurações. A nosso ver,
esse não era o momento oportuno para a CPI, mas, uma vez que está
criada, terá todo o apoio da Bancada do PT.
Também em nome do colega e amigo Deputado Adelmo Carneiro Leão,
ex-Secretário de Saúde, digo que ele está pronto para prestar
qualquer esclarecimento, apresentando os dados de que a CPI
necessitar, pois entendemos que ela é um instrumento privilegiado
de investigação e apuração das denúncias. Além disso, já foi
encaminhado ao Tribunal e ao Ministério Público estadual, com o
Deputado Adelmo Carneiro Leão, encaminharemos ao Ministério
Público federal todas as denúncias de que dispusermos. Muito
obrigado.
* - Sem revisão do orador.