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Racismo e falta de acesso à cultura e esporte se entrelaçam em projeto de sucesso em escola na RMBH

Debatido e homenageado em audiência na ALMG, Projeto Museu do Negro no Futebol foi criado em escola estadual de Esmeraldas e ganhou repercussão nacional.

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A falta de equipamentos culturais nas cidades menores e a dificuldade de acesso aos que já existem nos grandes centros urbanos. O racismo estrutural e como ele dificulta a prática esportiva e o surgimento de novos talentos. A defesa da escola pública como espaço de integração da comunidade.

Apesar de aparentemente desconexos, esses problemas foram debatidos nesta segunda-feira (6/7/26) em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O que liga os temas é justamente a exposição intitulada “Museu do Negro no Futebol”, resultado de um projeto idealizado na Escola Estadual Melo Viana, de Esmeraldas (RMBH), a qual acaba de completar 100 anos de existência.

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A mostra, que trata da trajetória da população negra no futebol, desde as origens até a década de 1970, ganhou repercussão nacional nos meios de comunicação e chegou a ser exibida no Museu Brasileiro do Futebol (MBF), localizado no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Idealizadores e realizadores, corpo docente e alunos do Ensino Médio foram agora homenageados pela comissão de educação com diplomas e votos de congratulação.

O requerimento para a realização da reunião é de autoria da presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT). “É importante sempre celebrar a existência das nossas escolas públicas, conhecer a história delas, como elas surgiram e como melhoraram. Afinal, muitas são resultado de um árduo processo de luta da comunidade”, pontuou.

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O Museu do Negro no Futebol, exibido inicialmente na própria escola de Esmeraldas entre 14 e 19 de novembro de 2025, mês da Consciência Negra, alcançou sucesso de crítica e de público na cidade. Após ocupar reportagens nacionais na TV e no rádio, o trabalho dos estudantes chegou ao Museu Brasileiro do Futebol. 

A exposição inclui biografia de atletas e réplicas de camisas da seleção brasileira usadas por eles. No MBF, a mostra ganhou o reforço das camisas de Pelé e Formiga, que fazem parte da Calçada da Fama do Mineirão. Tudo começou, segundo o professor de História, Humberto da Silva Pereira, um dos idealizadores do projeto, com a dificuldade de levar os alunos para uma visita ao museu, em BH.

“Tudo na educação começa com uma negativa. Não conseguimos verba para o ônibus e o seguro para levar os alunos e, em vez de esmorecer, resolvemos fazer um museu de futebol na nossa escola”, relatou. Segundo ele, existem muitos museus de futebol pelo País, mas nenhum dedicado à contribuição dos negros para o esporte. Por isso, o projeto contribuiu para mudar como a própria comunidade se via no mundo.

“Nossa escola está em uma comunidade com maioria de pretos e pardos, mas eles nem se reconheciam como tal. Agora, entendem como a sua identidade étnica é relevante, ainda mais com relação ao esporte mais popular no Brasil. Se o futebol brasileiro é conhecido no mundo todo e tem tantos títulos, é graças ao protagonismo dos pretos e pardos”, contou o professor de História, Humberto da Silva Pereira.

O professor destacou o engajamento, empenho e criatividade dos estudantes. Além de fazer toda a pesquisa, com materiais simples como caixas de papelão, cola, papel e tecido sintético TNT, construíram os totens que deram vida ao Museu do Negro no Futebol. Funcionando na escola das 7 às 20 horas, tendo os alunos como guias, tudo igual a um museu de verdade. A exposição logo formou fila na porta da escola.

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Homenageado pela Comissão de Educação, o professor de Educação Física, Fábio de Cássio Militão, destacou que o projeto chamou atenção para a necessidade de criar mecanismos de acesso dos talentos esportivos desenvolvidos, ainda jovens, nas escolas públicas, para que possam um dia treinar e competir por clubes profissionais.

Mais do que isso, segundo avalia, é preciso ampliar o espaço escolar para o uso da comunidade, sobretudo para a prática de esportes à noite e nos finais de semana. “A escola é da comunidade; quanto mais abrimos nosso espaço para ela, mais conservam a escola, pois isso cria um sentimento de pertencimento”, aponta.

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Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia - debate sobre o Museu do Negro no Futebol
“O que vocês contaram na exposição diz muito sobre o futebol brasileiro e essa reflexão é ainda mais importante no dia de hoje, em que todo mundo está triste pela eliminação do Brasil na Copa do Mundo. Mas precisamos aprofundar o debate sobre papel da educação no futuro do nosso esporte e celebrar o que de bom vem acontecendo nas escolas. As dificuldades são cotidianas, mas, ainda assim, surgem projetos relevantes como esse.”
Beatriz Cerqueira
Dep. Beatriz Cerqueira
“Atualmente, 99% dos jovens brasileiros estão praticando esporte dentro das escolas. Os olheiros de futebol sumiram, a busca pelo novo talento só acontece nas escolinhas de futebol, que são para quem tem condições de pagar. Isso tem resultado no embranquecimento do futebol brasileiro já nas categorias de base. Na minha época, o craque era chamado de Pelezinho, hoje é chamado de Messi.”
Fábio Militão
Professor de Educação Física
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A exposição ganhou um espaço temporário no Museu Brasileiro de Futebol. TV Assembleia

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