Piora nas condições de trabalho na Copasa preocupa comissão
Comissão do Trabalho pretende ouvir sindicatos e representantes da empresa que, após privatização, anunciou transferência de 3 mil funcionários para várias unidades no Estado.
Debater as condições dos trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a escala de trabalho e a transferência de três mil trabalhadores da empresa para diferentes unidades no Estado. Esses são temas da audiência pública que a Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social realiza nesta sexta-feira (3/7/26), às 10 horas. Solicitada pelo presidente da comissão, deputado Betão (PT), a reunião acontece no Auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Menos de um mês após a conclusão do processo de privatização da Copasa, em 16 de junho de 2026, na Bolsa de Valores de São Paulo, a empresa anunciou a transferência compulsória de mais de 3 mil trabalhadores. Betão considerou “absurda e inaceitável” a medida, pelo fato de ser tomada sem transparência, sem diálogo e sem apresentar critérios que justifiquem a decisão.
“Não podemos aceitar que quem dedica a vida à prestação de um serviço essencial seja tratado dessa forma”, completou.
A realização da audiência na sexta (3) atende ao clamor de muitos funcionários da Copasa, que apresentaram inúmeras denúncias ao gabinete de Betão. “Já protocolamos requerimento exigindo a suspensão imediata das transferências e a apresentação dos estudos e fundamentos que embasaram a medida”, confirmou.
“Vamos cobrar explicações, defender os direitos da classe trabalhadora e buscar reverter esse grave ataque; seguimos firmes na defesa da dignidade do trabalho, do serviço público e do patrimônio do povo mineiro”, concluiu Betão.
Privatização
O processo de privatização da Copasa foi concluído no dia 16, em uma cerimônia na Bolsa de Valores, a B3, em São Paulo. O Governo de Minas entregou as ações à empresa ganhadora, a Equatorial, que pagou R$ 8,38 bilhões ao Estado.
A Equatorial passou a ser a maior acionista da Copasa, com 30% do capital total ou 114.075.921 ações, correspondente a 66,67% da oferta (R$ 5,59 bilhões). O Estado, que tinha 50,03% do capital social da empresa, agora tem 5,03%, mas fica com a chamada “golden share”. Essa é uma ação preferencial de classe especial que confere ao Governo de Minas poder de veto sobre assuntos estratégicos, como alteração de denominação e de sede da companhia.
Outra acionista da Copasa, a Perfin ampliou o volume de ações de 15,25% para 20,11%. Investidores institucionais ficaram com 10,5% do capital da empresa, em volume financeiro de R$ 1,96 bilhão. Investidores do varejo passaram a deter 4,5% do capital social, com movimentação de R$ 838,9 milhões.
A Lei nº 25.664, de 2025, que permitiu a privatização da Copasa, foi aprovada pela ALMG em 17 de dezembro de 2025 e sancionada pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) no dia 23 do mesmo mês.
Convidados
Para a audiência desta sexta (3), foram convidados a diretora-presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo; o superintendente regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Carlos Alberto Calazans; os presidentes dos Sindicatos de Engenheiros em Minas Gerais, Murilo de Campos Valadares, e dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais, Milton Luiz Costa.
Confirmaram presença Mauricio Pereira de Jesus, presidente do Sindicato dos Administradores no Estado de Minas Gerais; e Marta de Freitas, coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador.
