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Hospitais do Barreiro se disponibilizam a receber centros de hemodiálise

Demanda por tratamento na própria região, uma das mais populosas da Capital, foi debatida em audiência da Comissão de Saúde.

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Moradores da região do Barreiro, uma das mais populosas de Belo Horizonte, enfrentam desafios constantes para realizarem tratamento de hemodiálise em hospitais e clínicas conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), em grande parte concentrados na região Centro-Sul da Capital. No entanto, nesta quinta-feira (23/4/26), mais um importante passo foi dado para mudar essa realidade, em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Representantes da rede Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado) fizeram o compromisso de cessão de espaço de hospitais na regiãoJúlia Kubitschek e Eduardo de Menezespara a instalação de centros de hemodiálise. O financiamento dos serviços, porém, representa outro entrave, como lembraram os participantes da audiência.

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O deputado Adalclever Lopes (PV), que, junto com o colega Arlen Santiago (MDB), presidente da comissão, demandou o encontro desta quinta (23), lembrou as dificuldades de transporte e os custos envolvidos nesse deslocamento por parte dos moradores do Barreiro para justificar a instalação de uma estrutura própria local.

Nesse sentido, Wilton Rodrigues, presidente do Conselho Distrital de Saúde do Barreiro, ressaltou que, se a região fosse emancipada, se consolidaria como a oitava maior cidade do Estado, com mais de 300 mil habitantes. Segundo ele, são 243 moradores com doença renal crônica em hemodiálise atualmente.

Helinho da Farmácia, vereador de Belo Horizonte e morador do Barreiro, descreveu a turbulenta rotina desses pacientes, os quais três vezes por semana precisam se conectar a uma máquina para filtrar o sangue, substituindo a função dos rins na remoção de toxinas e excesso de líquidos. As sessões duram em média quatro horas.

Somado ao transporte público, com mais algumas horas para ir e outras tantas para voltar, essas pessoas, já debilitadas, chegam exaustas em casa e preocupadas com a viabilidade das próximas sessões. Em contrapartida, a estrutura instalada na região poderia amenizar esse sofrimento.

“De fato, precisamos ampliar os pontos de hemodiálise e o número de vagas”, admitiu André Menezes, diretor do Complexo de Especialidades da Fhemig nos hospitais Júlia Kubitschek e Alberto Cavalcanti.

Cada vez mais pacientes precisam de tratamento, o que levou à ampliação da equipe de nefrologia do Júlia Kubitschek, informou o gestor, antes de anunciar a proposta de disponibilização de espaço físico na área externa do hospital ou do Eduardo de Menezes para receber uma clínica de hemodiálise de algum parceiro interessado.

A diretora-geral do Júlia Kubitschek, Cláudia Andrade, em nome da secretaria de Estado de Saúde, trouxe a perspectiva do governo de descentralização da saúde, indo ao encontro da demanda do Barreiro. Dos cerca de 220 mil m² do hospital, ocupamos 22 mil m², o que configura uma grande oportunidade de construção de um centro de hemodiálise lá”, afirmou.

Com a transferência programada do Hospital Eduardo de Menezes para o Bairro Gameleira, sua estrutura atual também poderia ser utilizada para a hemodiálise, observou a diretora.

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Tabela do SUS ainda está defasada

Com a oferta de estrutura para tratamento equacionada, outro problema precisa ser contornado para a efetivação dos novos centros de hemodiálise: orçamento. Segundo Suely Cristina de Souza, diretora da Associação Evangélica Beneficente de Minas Gerais, a maior prestadora de serviços de nefrologia e hemodiálise para o SUS no Estado, o custo de uma sessão de tratamento é de aproximadamente R$ 390 e a tabela de procedimentos do SUS remunera muito abaixo disso, déficit assumido pelas prestadoras do serviço. Em março, o valor de tabela foi reajustado para R$ 277.

Ela argumentou que a hemodiálise demanda tecnologia, máquinas ligadas ao menos por 15 horas por dia e a implantação de uma estrutura específica para tratamento de água.

Nefrologista da unidade de hemodiálise do Hospital Evangélico em Venda Nova, Renata Starling sugeriu o cofinanciamento do serviço, atualmente custeado totalmente com recursos da União, pelo Estado, a exemplo de outras localidades do País.

Diante das dificuldades de investimento apontadas na audiência, o deputado Adalclever Lopes apresentou requerimento de visita técnica da comissão ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com o objetivo de reivindicar recursos para a implementação da hemodiálise no Barreiro.

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Comissão de Saúde - debate sobre atendimento em hemodiálise
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Pacientes renais que vivem no Barreiro, em Belo Horizonte, reivindicam a abertura de uma clínica de hemodiálise na região. TV Assembleia
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