Ex-subsecretária falta pela terceira vez a audiência na ALMG
Kellen Senra era esperada para explicar contratos sob suspeita. Para deputada, ausências reiteradas reforçam necessidade de investigação.
A ex-subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Kellen Silva Senra, não compareceu nesta terça-feira (1/9/26) à audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ela era esperada para prestar esclarecimentos sobre dois contratos de compra de material didático para a rede estadual.
Esta foi a terceira audiência marcada pela comissão com a mesma finalidade. As duas anteriores também terminaram sem o depoimento da ex-subsecretária.
As reuniões foram requeridas pela presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), para obter explicações sobre a execução dos Termos de Contrato nº 9.462.760, firmado com a empresa Fazer Educação Ltda., e nº 9.501.223, firmado com o Consórcio Cdel-EBN.
“Nos parece que a ex-subsecretária não quer prestar esclarecimentos à Casa legislativa”, disse a parlamentar. Para a deputada, as ausências reiteradas de Kellen Senra reforçam a necessidade de se continuar investigando os contratos.
Materiais estariam sem uso nas escolas
Os dois contratos foram firmados durante a gestão do ex-secretário de Estado de Educação Rossieli Soares, exonerado em abril após a Controladoria-Geral do Estado (CGE) apontar indícios de irregularidades na execução dos termos.
O contrato com a Fazer Educação Ltda. foi firmado em dezembro de 2025, sem licitação, no valor de R$ 348,4 milhões. O Governo do Estado repassou cerca de R$ 172 milhões à empresa antes da suspensão do contrato.
Em março deste ano, a SEE firmou o segundo contrato, de R$ 49,7 milhões, com o Consórcio Cdel-EBN. O acordo tinha caráter complementar ao primeiro. Os dois contratos estão suspensos pela CGE.
Os livros adquiridos não foram distribuídos e encontram-se acumulados nas escolas. “Dinheiro da população que hoje mofa numa sala escura e fechada”, criticou a deputada Beatriz Cerqueira na audiência desta terça (1). A parlamentar destacou ainda que professores da rede estadual encontraram erros de conteúdos nos materiais e classificou as apostilas como “inúteis”.
Beatriz Cerqueira afirmou ainda que o governo teria sido alertado sobre o risco de fraude antes da assinatura dos termos. A deputada anunciou que pretende dar continuidade às investigações e marcará nova audiência tendo a ex-subsecretária como convidada.