Especialistas defendem educação para reduzir violência contra as mulheres
No ciclo de debates Sempre Viva, a ampliação da representatividade feminina nos parlamentos também foi apoiada.
A educação é a principal ferramenta para mudar a realidade de violência contra a mulher e a desigualdade de gêneros. A afirmação foi feita por palestrantes da última mesa do ciclo de debates Sempre Vivas, “Olhares para o futuro: construção da equidade no espaço público e privado”, realizado nesta quinta-feira (12/3/24) pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Pesquisadora do grupo Saúde Mental e Gênero Universidade de Brasília (UnB), Aline Xavier defendeu difundir a prática pedagógica, realizada na instituição com agressores e vítimas, em outros espaços, como nas escolas.
A professora explicou que as relações de gênero se configuram como relações de poder, baseadas em dispositivos e scripts culturais que homens e mulheres são levados a “cumprir”. Ao homem, é reservado o espaço público e se espera que ajam com virilidade laborativa ou sexual: o que provê e tem múltiplas parceiras.
À mulher é destinado o espaço privado, o doméstico e dela se prevê o cuidado de todos. A pressão para cumprir os papéis acaba gerando distúrbios emocionais que motivam a violência. Com masculinidade adoecida, homens tentam compensar o fracasso de alguma virilidade com a agressão.
A conquista desses espaços sociais, segundo a pesquisadora, é uma disputa política e a divisão do trabalho acabou excluindo a mulher da contenda. Afinal, a mulher passou a acumular o trabalho ao cuidado do lar. Aline Xavier disse que as mulheres trabalham média de 21,3 horas/semanais, enquanto os homens, 11,7 h/s.
Segundo Aline Xavier, para estancar a violência é necessário letramento de gênero e a consciência do cuidado como responsabilidade coletiva. Ela também coloca como pauta urgente a criminalização da misoginia. “A vergonha tem que mudar de lado: as mulheres sentem vergonha por sofrer violência; e os homens não sentem por perpetrarem essa violência”.
Fundadora da Escola Pesa, de educação psicoemocional, a psicóloga Hilda Morais também acredita que só a educação pode mudar a mentalidade dos homens, reduzir a desigualdade e construir uma sociedade mais justa. Ela lamentou que as escolas ainda convivem com escassez de professores com formação em gêneros, direitos humanos e protocolos de proteção para lidar com os casos de violência.
Defendeu união entre a sociedade e o poder público para construir estratégias de combate à violência e construção de vínculos saudáveis entre homens e mulheres.
A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Servo complementou que é preciso ampliar a representatividade feminina nos espaços de poder. “As políticas públicas são feitas, em sua maioria, por homens brancos”, advertiu.
Mesmo representando mais de 52% da população brasileira, as mulheres ocupam apenas 18,1% das vagas de parlamentares na Câmara dos Deputados, e 19,7% no Senado. O Brasil, segundo a economista ocupa o 133º lugar no mundo em representação parlamentar. A sugestão é que a cota de candidaturas nos partidos para mulheres passe de 30% para 50% e que seja implementada uma divisão igualitária entre os representantes das Mesas das casas legislativas.