Deputados se revezam entre críticas e elogios ao governo estadual
Principais menções durante a reunião de Plenário recaem sobre governador Mateus Simões, que teria sido deselegante com prefeito de Ouro Preto.
Em pronunciamentos no Plenário nesta terça-feira (28/4/26), alguns deputados criticaram fala do governador Mateus Simões (PSD) e outro elogiou o ex-governador Romeu Zema (Novo). Quatro parlamentares foram à tribuna para discursar na Reunião Ordinária da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O deputado Cristiano Silveira (PT) condenou o discurso de Mateus Simões, que teria sido, em sua opinião, deselegante com o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Osvaldo, na cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, em 21 de abril. Na ocasião, o prefeito criticou o modelo cívico-militar de escolas, defendido por Simões. O parlamentar manifestou solidariedade ao gestor municipal, lamentando a fala arrogante e “sem jeito” do governador. “Ângelo Osvaldo tem em sua biografia a defesa da democracia, além de largo conhecimento e militância na cultura e nas artes”, disse.
Cristiano Silveira repercutiu ainda a audiência que realizou nesta segunda (27) para discutir a situação dos servidores do Estado que têm filhos com autismo. Segundo ele, uma lei estadual concede a pais atípicos o direito de uma jornada menor de trabalho, mas o governo retira alguns benefícios, que representam, em alguns casos, até 50% do salário.
Também o deputado Leleco Pimentel (PT) criticou a reação do governador ao discurso de Ângelo Oswaldo. Simões considerou a fala do prefeito uma descortesia do anfitrião. Na opinião do parlamentar, a postura do governador “é incompatível com a liturgia do cargo”. Ele anunciou requerimento com assinaturas do Bloco Democracia e Luta, para uma moção de aplauso ao prefeito e à população de Ouro Preto.
Também comentou a exoneração do secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, na noite da segunda-feira (27). O deputado acredita que a motivação do afastamento do secretário foi a compra de materiais didáticos, às vésperas do Natal de 2025, no valor de R$ 348,4 milhões, sem licitação. Para ele, as denúncias de corrupção na pasta recaem sobre o governador e seriam motivo para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Já o deputado Carlos Pimenta fez uma espécie de desagravo ao ex-governador Romeu Zema, que teria sido humilhado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Em entrevista recente, o magistrado, ao comentar vídeos satíricos sobre o STF, questionou se não seria ofensivo se fizessem "bonecos do Zema como homossexual". Para o deputado, “é inadmissível que Gilmar Mendes utilize seu cargo para atacar o ex-governador, com preconceito e ignorância cultural”.
Noutro momento, Carlos Pimenta manifestou apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/21, no âmbito federal. A norma prevê aposentadoria especial, regras de transição e valorização, incluindo o piso salarial nacional, para agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). “Após uma luta de anos, será feita a justiça com mais de 400 mil trabalhadores do País”, comemorou.
Por fim, o deputado Bruno Engler (PL) ironizou a fala do presidente do PSD, Gilberto Kassab, em encontro com empresários em São Paulo, na segunda-feira (27). Este disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro governou o País "sem nenhuma vocação para a vida pública". Para Bruno Engler, o ex-presidente é admirado por milhões de brasileiros e chegou à presidência sem fazer conchavos. “Não tem vocação para picaretagem, para toma lá dá cá”, respondeu.
O deputado também comemorou a notícia de que o Ministério Público vai instaurar inquérito para apurar possível improbidade administrativa cometida pelo prefeito de Itabira (Central) durante visita do presidente Lula à cidade, em dezembro do ano passado. Bruno Engler acusa o prefeito de usar recursos da Secretaria Municipal de Obras para assegurar transporte público gratuito no dia do evento.