Comissão prossegue investigando irregularidades na Secretaria de Educação
Secretário de Estado da Casa Civil deve prestar esclarecimentos de investigações sobre contrato firmado com a Fazer Educação.
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) dá continuidade às investigações sobre os motivos que levaram à exoneração do ex-secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares.
Nesta quarta-feira (10/6/26), a comissão deve receber o secretário de Estado da Casa Civil, Marcel Beghini, convidado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de irregularidades investigadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).
A reunião acontece no Auditório José Alencar, a partir das 10h05. Assinaram o requerimento para a realização do evento a presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT); as deputadas Lohanna (PV) e Bella Gonçalves (PT) e o deputado Leleco Pimentel (PT).
No dia 27 de maio, a comissão recebeu a controladora-geral do Estado, Marcela Dias, que esclareceu o andamento das investigações de indícios de corrupção na Secretaria de Estado de Educação (SEE) sob o comando de Rossieli Soares.
No centro das discussões está o contrato assinado pela SEE e pela empresa Fazer Educação para a aquisição de livros didáticos para os alunos das escolas estaduais. O contrato, no valor de R$ 348 milhões, foi firmado no dia 23 de dezembro de 2025, com dispensa de licitação.
As supostas irregularidades levaram à exoneração do secretário Rossieli Soares no dia 27 de abril. À Comissão de Educação, a controladora-geral Marcela Dias informou que as apurações da CGE iniciaram após denúncia de um servidor público no dia 16 de dezembro de 2025.
Ao portal O Fator, o secretário Marcel Beghini confirmou ser o autor da denúncia. Ele ocupava o cargo de secretário-geral do Estado quando recebeu informações sobre esquema combinado para aumentar o valor do contrato com a Fazer Educação e viabilizar a contratação da empresa sem licitação.
Segundo O Fator, um suposto operador de Rossieli Soares teria sugerido a um fornecedor de materiais didáticos o aumento da margem de lucro e a associação com uma fundação pública em troca da contratação com a SEE.
O intermediário teria solicitado detalhes sobre a margem de lucro da proposta de fornecimento de materiais didáticos para a rede estadual de ensino. De acordo com O Fator, ele teria sugerido que o percentual subisse de 15% para 37%, desde que o fornecedor se associasse a uma fundação de apoio universitário.
No caso do contrato suspeito, a dispensa de licitação se deu por meio da adesão à ata de registro de preços da Fundação para o Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo. Nessa modalidade de contratação, outros órgãos públicos (no caso, a SEE) podem utilizar a mesma ata para realizar compras, sem abrir uma licitação própria.
A Fazer Educação firmou contratos semelhantes em outros estados onde Rossieli Soares atuou e é alvo de investigações por possível fraude em licitações para compra de materiais didáticos. Segundo o portal Intercept Brasil, os contratos somam R$ 848,8 milhões.
De acordo com a deputada Beatriz Cerqueira, a SEE dispensou a exigência de licitação no contrato complementar no valor de R$ 49 milhões, firmado em março deste ano, envolvendo consórcio formado por empresas investigadas por fraudes e corrupção em outros estados e não habilitadas para participar de certames em Minas Gerais.
A parlamentar considerou “vergonhosa” a contratação da Fazer Educação por meio da adesão à ata de preços de São Paulo. Ela lembrou que a assinatura do contrato, o pagamento de uma parcela no valor de R$ 172 milhões e o contrato complementar de R$ 49 milhões se deram mesmo após a formalização da denúncia à CGE.
“No dia 27 de abril, o governador Mateus Simões recebeu um relatório preliminar da CGE e, ainda assim, não suspendeu a execução dos contratos. O que fica é a pergunta: quem combate indícios de corrupção dentro do Governo do Estado? Eu espero que o secretário Marcel Beghini possa responder a essa pergunta”, afirmou a parlamentar, na reunião realizada em 27 de maio.
Em matéria publicada no dia 29 de maio, o jornal O Tempo informou que o contrato da SEE com a Fazer Educação foi suspenso no dia 18 de maio, após notificação da Secretaria de Estado de Fazenda.