Notícias

Comissão discute destinação de bens do Palácio das Mangabeiras

Representantes do Executivo são esperados para esclarecer paradeiro de itens retirados da antiga residência oficial dos governadores.

Imagem

O destino de bens de valor histórico retirados do Palácio das Mangabeiras continua em pauta na Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O assunto deve ser discutido com autoridades do primeiro escalão do Governo do Estado em audiência pública nesta quinta-feira (16/7/26), às 9h30, no Auditório do andar SE. 

Botão

A reunião foi solicitada pelo deputado Leleco Pimentel (PT). Em visita ao Palácio das Mangabeiras no dia 2 de julho, o parlamentar constatou a ausência de itens históricos e obras de arte e a descaracterização de parte da antiga residência oficial dos governadores. Agora ele pretende cobrar mais esclarecimentos das autoridades estaduais responsáveis pela proteção do patrimônio público mineiro.

O Palácio das Mangabeiras foi a residência oficial dos governadores do Estado entre 1955 e 2019. A construção foi encomendada por Juscelino Kubitschek, que considerava o Palácio da Liberdade inadequado para conciliar as atividades de governo com a vida familiar. Localizado aos pés da Serra do Curral, o prédio tem projeto de Oscar Niemeyer e jardins planejados por Burle Marx.

Em 2019, o governador Romeu Zema optou por não morar lá. O imóvel perdeu a função de residência oficial. Desde 2022, o Parque do Palácio vem sendo utilizado na realização de eventos privados. Ele é administrado por uma sociedade de propósito específico formada pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte e pelas empresas Malab Produções e Grifa.

Em reunião do Assembleia Fiscaliza, realizada em 17 de junho, o deputado Leleco Pimentel questionou o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, sobre os bens de valor histórico do Palácio das Mangabeiras. O secretário admitiu que algumas obras de arte estavam danificadas e informou que 44 itens estavam sob a guarda da Polícia Militar e outras 187 peças eram armazenadas pela Codemge.

Diante da ausência de informações mais precisas, a Comissão de Cultura foi ao Palácio das Mangabeiras para identificar o paradeiro de bens que deveriam estar sob a proteção do Estado. Durante a visita, constatou-se a retirada de todo o mobiliário da antiga residência oficial, além de talheres, louçaria, enxovais e obras de arte. 

Os representantes da Codemge não confirmaram as informações prestadas pelo secretário Leônidas Oliveira e tampouco souberam informar o paradeiro dos itens que compunham o acervo do Palácio das Mangabeiras. Mas se comprometeram a encaminhar respostas aos questionamentos feitos pelo deputado Leleco Pimentel.

O bloco oposicionista Bloco Democracia e Luta protocolou representação no Tribunal de Contas do Estado pedindo a abertura de investigação sobre a destinação dos bens retirados do Palácio das Mangabeiras. Em outra frente de atuação, a deputada Bella Gonçalves (PT) encaminhou à Polícia Federal notícia-crime solicitando a apuração das denúncias de desaparecimento e deterioração do acervo.

Os parlamentares questionam a inexistência de inventário completo dos bens e pedem apuração sobre o controle patrimonial adotado após a mudança de uso do imóvel e sobre eventuais danos ao patrimônio público. Também solicitam a verificação da regularidade da exploração econômica do espaço, diante do seu valor histórico e cultural.

Em entrevista ao Estado de Minas na última quinta-feira (9), o governador Mateus Simões disse que os itens do acervo do Palácio das Mangabeiras estão preservados e encontram-se espalhados em diversas instituições públicas. Ele ainda ironizou as cobranças feitas por deputados da oposição. “A única coisa que o PT tem para reclamar é onde nós colocamos os despojos deixados pelo (ex-governador Fernando) Pimentel”, afirmou.

A localização de parte dos bens de valor artístico e histórico foi revelada em reportagem do portal G1. O biombo pintado por Di Cavalcanti em 1952 encontra-se no Palácio da Liberdade. Já a coleção de livros foi transferida para a Biblioteca Pública Estadual. Entre os itens do acervo, está uma edição de 1880 de Os Lusíadas, de Luís de Camões.

Lista
Tópicos: Cultura
Comissão de Cultura - visita ao Palácio das Mangabeiras

Receba as notícias da ALMG

Cadastre-se no Boletim de Notícias para receber, por e-mail, as informações sobre os temas de seu interesse.

Assine