Assembleia debate homenagem relativa à promoção da moradia digna
Proposta cria a Comenda Padre Pigi, religioso italiano que trabalhou em favor dos sem-casa em Minas Gerais.
Nesta terça-feira (18/8/26), a partir das 10 horas, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza audiência pública para debater o Projeto de Resolução (PRE) 133/26, que institui a Comenda Padre Pigi, destinada a homenagear pessoas físicas e jurídicas que tenham prestado relevantes serviços à promoção do direito à moradia digna.
A reunião acontecerá no Auditório SE da ALMG e é organizada pela Comissão Extraordinária de Defesa da Habitação e da Reforma Urbana, por iniciativa do presidente, deputado Leleco Pimentel (PT).
De autoria do deputado Leleco Pimentel, o PRE 133/26 aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça. O deputado argumenta que a aprovação da proposta reforçaria o compromisso da Assembleia de Minas com os valores da solidariedade, da justiça social, da participação democrática e da efetivação dos direitos fundamentais previstos na Constituição da República e na Constituição do Estado de Minas Gerais.
Na justificativa do projeto apresentado, Leleco Pimentel recorda que Padre Pigi, como ficou conhecido no Brasil, nasceu Pier Luigi Bernareggi, em Milão, Itália, em 1939. Faleceu em Belo Horizonte, em 2021. Filho de família abastada, ele abriu mão do conforto na Europa para se dedicar aos mais necessitados no Brasil.
Doutorou-se em Filosofia pela Universidade Católica Del Sacro Cuore (Milão). Mudou-se para o Brasil em janeiro de 1964, onde cursou Teologia na Universidade Católica de Minas Gerais. Em Belo Horizonte, foi professor na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e atuou nas paróquias Santo Antônio (Avenida do Contorno) e Todos os Santos (Bairro Providência). Em Contagem, atuou na Paróquia Nossa Senhora da Glória.
Consagrou-se como o “padre das favelas” ao coordenar a Pastoral Metropolitana dos Sem-Casa, na Arquidiocese de Belo Horizonte. Tornou-se figura histórica na capital mineira. Teve papel fundamental na desapropriação da antiga Fazenda Tamboril – que deu origem ao bairro Jardim Felicidade – e na proteção de ocupações urbanas históricas da Região Norte de Belo Horizonte, como a Izidora e a Dandara. Nos últimos anos, viveu acolhido no Convivium Emaús, na Arquidiocese de Belo Horizonte.
Participou ativamente da criação do Programa Municipal de Regularização de Favela (Profavela), em 1983, sendo o primeiro coordenador. Foi um dos criadores da Central Metropolitana dos Sem Casa (Cemcasa) e do projeto do Bairro Metropolitano, sendo decisivo para que cerca de 20 mil pessoas tivessem um lar. Atuou também na Pastoral de Vilas e Favelas da Arquidiocese de Belo Horizonte, dedicando-se incansavelmente para efetivar um Plano Metropolitano de Habitação Popular.
Entre os convidados que já confirmaram participação na reunião desta terça estão o deputado federal Padre João (PT-MG) e o coordenador-geral da Pastoral Metropolitana dos Sem Casa, Carlos Alberto Santos da Silva.
