Pronunciamentos

DEPUTADO CRISTIANO SILVEIRA (PT)

Discurso

Agradece as felicitações recebidas pelo dia de seu aniversário. Critica vetos do ex-governador Romeu Zema a projetos destinados a pessoas com deficiência. Comenta a relação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após a revelação de pedido de apoio financeiro para a produção de filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Questiona declaração de Zema sobre o caso e destaca que o Partido Novo, legenda do ex-governador, teria recebido recursos do pai de Vorcaro. Alerta para possível subnotificação do número de homicídios em Minas Gerais por parte do governo do Estado.

24ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 26/5/2026

Palavras do deputado Cristiano Silveira

O deputado Cristiano Silveira – Muito obrigado, presidenta Leninha, pelas felicitações. Cumprimento todos os colegas parlamentares que, no dia de hoje, felicitam-me pelo meu aniversário. Não é todo dia que a gente consegue ficar jovem há mais tempo. Falo que estou jovem há mais tempo. Aí falam: “Cristiano, você está ficando velho”. “Estou ficando um clássico, como um placa preta.” Isso é muito legal, porque, na vida, não tenho medo de envelhecer, não; tenho medo é de não envelhecer, porque, se eu não envelhecer, quer dizer que aconteceu alguma coisa comigo no meio do caminho. Quero ficar velhinho, bastante velhinho, bastante idoso, pois ainda há muita coisa para a gente fazer.

Tirando essa parte dos agradecimentos pela data, vamos voltar ao trabalho. Hoje estou nesta tribuna para repercutir algumas coisas do nosso mundo político que circularam nas redes sociais ontem e hoje. A primeira coisa que eu queria repercutir é uma fala do ex-governador Romeu Zema. Como de costume, Romeu Zema foi para a internet. Vocês já estão rindo porque estão achando que vou falar que Romeu Zema criticou Flávio Bolsonaro, que ganhou uma bolada – ganhou não, pediu uma bolada. Ganhou a metade da bolada, mais de R$60.000.000,00 pelo filme de seu pai, aquele filme de pangaré. Pediu cento e trinta e tantos milhões de reais. Aí Zema, oportunista, foi para a internet mais que depressa: “Está errado; sou contra”. O que aconteceu? O irmão do Flávio foi para a internet e falou: “Você está falando demais. Quem ganhou R$1.000.000,00 do Vorcaro, em nome do seu pai, foi o Partido Novo, do Romeu Zema”. Olha que situação, Leninha! Olha que vexame! Ele querendo fazer graça, lacrar com a turma…

Eu queria comentar outra coisa sobre Zema. Ele estava dando entrevista, e o pessoal o questionou sobre o aumento do salário, quase 300% de aumento, maior salário de governador do Brasil. E a desculpa dele… Aí ele diz: “Não, eu nunca recebi esse dinheiro, não. O dinheiro do meu salário, eu o doava para as Apaes”. Cara, que legal, que bonito, que gesto bonito! Parece ser o gesto de uma pessoa que tem um grande compromisso com as pessoas com deficiência, doando o próprio salário para as Apaes, não parece? Mas olhem só: é o mesmo sujeito que vetou a criação dos centros regionais do autismo que propusemos aqui; é o mesmo sujeito que vetou nossa proposta do Cuidar de Quem Cuida, que visa cuidar das mães solo, dos cuidadores, dessas pessoas que estão adoecendo porque são invisibilizadas; é o mesmo sujeito que vetou nossa proposta de criação de cursos de terapia ocupacional e fono na Uemg e na Unimontes, universidades do Estado. E ele mobilizou toda a sua base para manter os vetos. Hipócrita! Não fale de atendimento às pessoas com deficiência. Você não pode falar disso, você não deve abrir a sua boca para falar de pessoas com deficiência e com autismo! O simbolismo da doação do seu salário não resolve os problemas profundos e estruturantes das pessoas com deficiência de Minas Gerais. Mau-caráter! Ele é um grande mau-caráter e oportunista.

Por falar nisso, o fato de doar o próprio salário não resolve o problema das contas do Estado, amigão. Quando você aprovou aqui o aumento do seu próprio salário, criou o efeito cascata, e isso impactou o secretariado, isso impactou o primeiro escalão, os grandes escalões, os cargos importantes com alta remuneração do Estado de Minas Gerais. Isso virou um efeito cascata e causou impacto. Você, na campanha, falava que era contra jetom, que é o dinheiro que se paga para participação em conselhos, aquela remuneração extra. Você falou a vida toda que era contra jetom, mas, mesmo após o aumento do salário do secretariado, que você dizia que era para resolver esse negócio de jetom, continuou pagando mais de R$3.000.000,00 de jetom. É um hipócrita – hipócrita! Só quem não o conhece o compra. Mas o mineiro está conhecendo, o mineiro já está sabendo quem o senhor é. É lamentável usar essa questão do salário para dizer que estava ajudando entidades como a Apae, que é uma entidade importante e que acolhe as pessoas com deficiência. Não pode… Você não pode falar sobre a pessoa com deficiência, você não tem moral para isso. Você é contra os autistas e as pessoas com transtorno de neurodesenvolvimento. Espero muito que a política em Minas Gerais e no Brasil fique livre dessa trajetória lamentável pela luta e pela inclusão no Estado de Minas Gerais.

Então eu queria deixar isso registrado. Eu até queria ter falado mesmo desse negócio do Flávio, do filme do Bolsonaro, pelo qual o Vorcaro pagou mais de R$60.000.000,00, mas o pedido foi de R$130.000.000,00. E com relação à fala do Zema, o Zema chegou e fez uma crítica como se ele fosse, Nossa Senhora, o poço da honestidade, o imaculado. Mas quem vê… Ato contínuo, quem ganhou a grana da turma do Vorcaro e do pai do Vorcaro foi o Partido Novo, ao qual o Romeu Zema pertence. Ah, se fosse o PT! Ah, se fosse o PT! Eles tentam fazer uma desvinculação: quando é o partido deles, não é nada; quando são eles, é tudo no CPF. Nós, não: quando o problema é com a gente, é o PT. Não, é o problema do Partido Novo do Romeu Zema, que quer ser presidente da República e ganhou R$1.000.000,00 do Vorcaro, assim como a campanha do Bolsonaro – o Bolsonaro ganhou R$3.000.000,00 do Vorcaro –, assim como o Tarcísio, que ganhou mais de R$2.000.000,00 do Vorcaro.

Eu achei interessantes as pesquisas porque elas começam a mostrar que a ficha do povo está caindo. Tentaram, a todo custo, vincular esse episódio do Banco Master ao governo do presidente Lula. E a gente estava dizendo: “Não é, não é, não é”. E o povo… Existe uma galera deles com quem não adianta conversar, não. Há uma parte dos seguidores dessa turma que me lembra de quando eu era criança. Vocês lembram quando a gente era criança e não queria discutir? Você tapava o ouvido e ficava assim “lalalalalá” para não ouvir o que o outro estava falando. Eles são a mesma coisa. Não há comunicação. Então essa galera, sei lá… Eles têm uma disfunção cognitiva terrível.

Aí veio o negócio do Flávio. Gente, que semana! Vamos resgatar: vocês viram o que aconteceu? O Flávio havia acabado de sair de uma reunião em Brasília, e os repórteres o estavam esperando para uma coletiva. Na coletiva, o repórter do Intercept já mandou a pedrada no peito dele, falando: “Venha cá. O Vorcaro patrocinou o filme do seu pai?” “Que isso! Que mentira! Hahahahá! Onde você viu isso? Você é jornalista ou você é militante?” Pronto! Depois disso, amigo, depois… Havia troca de mensagem pedindo dinheiro para o Vorcaro. Depois ele veio dizer: “Não, não é bem assim. O que eu estou querendo dizer é que não é uma questão de dinheiro público, é dinheiro privado, era dinheiro do banco. O Vorcaro ainda não tinha… A gente ainda não sabia o que era”.

Isso é outra mentira. Havia mensagem dele para o Vorcaro no outro dia, após a prisão, chamando o cara de irmão, dizendo que estava junto. Pior do que isso: ele foi à casa do cara. O que nós vimos ontem – ou anteontem, não sei… Foi ontem o negócio do presidente do PL? Como ele se chama? Valdemar? Foi ontem, não é? E aí, o que aconteceu? O Flávio foi à casa do Vorcaro para encerrar a relação. Que trem, não é? Parece a novela das 8, um romance, não é? Vai encerrar a relação. Foi à casa dele para conversar pessoalmente e encerrar a relação. Aí o que Valdemar falou ontem, ao dar entrevista? “Não, o Flávio foi lá para cobrar o resto do dinheiro.” (– Ri.) Putz, cara! Quem tem um presidente de partido como esse não precisa de inimigo, não; não precisa de adversário, não. O Valdemar falou: “O Flávio foi lá para tentar receber o resto da grana”. Cara! Se fosse qualquer outro, já estava preso, já estava… Não é? O negócio já teria sapecado. Espero que o País tenha juízo e saiba distinguir as coisas.

Falavam: “O filho do Lula, o Lulinha, recebeu R$300.000,00 de mesada do Careca do INSS”. Ou diziam que recebeu de não sei quem, de amigo empresário; enfim, falava-se do rolo do INSS. A CPI abriu as contas do cara, e, em todas elas, só havia doação do pai e retornos dos negócios dele – rendimentos, remuneração dos rendimentos. Não havia nada de Careca do INSS, nem de amigo empresário. Não havia nada. Não se achou nada. Agora sobre o Flávio, amigos, existe áudio dele mesmo pedindo a grana para o Vorcaro. É ele mesmo quem está confirmando a visita à casa do cara, que já estava com tornozeleira. Ahn? Isso não é grave, não? Cadê os moralistas? “É preciso tirar o PT para acabar com a corrupção. Temos que acabar a corrupção neste país.” Oh, parem. Esses caras não têm moral nenhuma para falar sobre isso, não.

O Flávio, como se diz, já era uma figurinha conhecida, mas o povo ainda ficava insistindo, não é? A gente falava da época em que ele comprou mais de cem imóveis, porra, durante o período do mandato de deputado, o que era incompatível com a renda. Quantos? Sessenta? (– Intervenção fora do microfone.) Em dinheiro vivo? Isso é surreal. A fantástica loja de chocolate que mais vendeu no Brasil vendeu em dinheiro vivo também. O Queiroz confirmava: “Eu pegava o dinheiro da assessoria para pagar uns negócios, resolver uns negócios”. Houve um boleto de R$16.000,00 pago pelo assessor, e ele falou que depois se esqueceu de pagar ao assessor. Ah, como você se esquece de pagar uma conta de R$16.000,00, gente? Mesmo assim, diante disso tudo, os apaixonados – a turma que, como falei para vocês, fica assim: “Lalalalá” e não quer ouvir nada – continuavam agarrados. Agora, uma parcela, ainda que não seja tão grande, já começa a falar: “Não, aí foi demais. Assim não dá. Aí foi demais”. Assim espero. Bem, então eu queria dizer isso.

A outra coisa sobre a qual quero conversar com vocês é a seguinte. Olhem, gente, a matéria que saiu no G1: “Minas Gerais é o estado com maior aumento de homicídios estimados em 2024, diz Atlas da Violência”. Eles vendem, na propaganda do governo, que Minas é um dos estados mais seguros. Vendem que está tudo bem, que o mineiro está tranquilo, que aqui não há violência. Nós já alertamos: trata-se de um dos estados mais violentos para as mulheres, com taxas altíssimas de violência contra a mulher e de feminicídio. Agora essa matéria traz o seguinte: “Com base em dados do Ministério da Saúde, Minas Gerais registrou 2.731 homicídios em 2024, uma queda de 2,3% em relação a 2023. No entanto, o Estado contabilizou 3.112 mortes violentas por causa indeterminada”. A maior parte são homicídios subnotificados.

Isso levanta uma questão: estaria o governo do Estado mascarando os dados a respeito da violência, da criminalidade? Estaria o governo do Estado adulterando boletins de ocorrência, registros de ocorrência? Estariam esses casos não só sendo subnotificados, mas alterados quanto ao tipo de evento ocorrido? Isso é muito grave. O dado do Ministério da Saúde, repito, diz que há 3.112 mortes contabilizadas consideradas violentas, por causas indeterminadas. A maior parte são homicídios subnotificados. Então prestem muita atenção naqueles que querem continuar esse modelo de governo. Prestem muita atenção naqueles que por aqui passaram e criaram essa condição. Agora dizem que querem governar o Brasil para resolver o problema do País. São os mesmos que acham que criança tem que trabalhar; são os mesmos que defendem essas maluquices.

A gente precisa fazer essa reflexão. Precisamos fazer debate de conteúdo, para que as pessoas consigam ter lógica e coerência nas coisas que defendem e para que possamos denunciar o que está errado. Então, Romeu Zema, você, do partido que ganhou R$1.000.000,00 do Vorcaro, você, que atacou o Flávio por ter recebido dinheiro do Vorcaro, vocês são todos iguais. É tudo pipoca… Como se fala? Vocês são milho do mesmo saquinho de pipoca. São farinha do mesmo saco, milho do mesmo saquinho de pipoca. São iguais, idênticos. Você também é o cara que não tem moral de falar que ajuda as pessoas com deficiência, quando pega seu salário de governador e doa para as Apaes. Pode servir do ponto de vista simbólico, mas, do ponto de vista político, prático, estruturante, para as pessoas com deficiência, o senhor foi inimigo e foi adversário, como eu disse, em razão de todos os vetos contra os autistas que o senhor fez durante o seu mandato. Obrigado, presidenta.