DEPUTADO CRISTIANO SILVEIRA (PT), autor do requerimento que deu origem à homenagem
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 26/05/2026
Página 4, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 13261 de 2025
RQN 16265 de 2026
Normas citadas RAL nº 5651, de 2026
14ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 22/5/2026
Palavras do deputado Cristiano Silveira
Bom dia, gente. Bom dia a todas e a todos, especialmente aos jovens que estão aqui. Na verdade, esta homenagem pelos 50 anos da Assprom se dá em decorrência da existência dos nossos jovens – não é, Mário? –, que são a causa e a razão da existência da nossa Assprom.
Cumprimento a orquestra que está fazendo a apresentação. Obrigado pela presença. Cumprimento o deputado Ricardo Campos, que está representando o presidente Tadeu nesta nossa homenagem. O presidente Tadeu me ligou ontem e falou: “Cristiano, amanhã não vou poder estar presente na reunião, em razão de outro compromisso que já havia agendado, mas o Ricardo vai estar lá para presidir, o que você acha?”. Falei: “Melhor escolha não poderia haver”. Isso porque, no momento em que a gente homenageia os 50 anos da Assprom, numa reunião presidida por um ex-jovem da Assprom – não sei se vocês sabiam disso – é muito simbólico para nós. Então, na verdade, esta reunião está sendo homenageada pelo deputado Ricardo, que hoje, como ex-jovem da Assprom, está coordenando nossos trabalhos. Obrigado, Ricardo. Quero cumprimentar José Edgard Penna Amorim Pereira, atual presidente da Assprom, que cumpre a tarefa de dar continuidade a esse trabalho maravilhoso, desde a fundação da Assprom, com Mário Assad. O seu saudoso pai nos deu esse grande presente, que é esse grande projeto social. Cumprimento o ex-presidente e atual diretor financeiro da Assprom, Dr. Carlos Augusto de Araújo Cateb. Além de tudo o que é, ele é nosso conterrâneo, gente, porque agora é cidadão de Minas Gerais, uma vez que aprovamos, na Assembleia, o Título de Cidadão Honorário Mineiro para o Dr. Cateb. Então ele é nosso conterrâneo. Já era, porque o coração dele é do tamanho do Estado de Minas Gerais, mas agora o é oficialmente. Cumprimento também o desembargador Alberto Villas Boas, que representa o nosso Tribunal de Justiça, instituição muito importante do nosso estado, parceiro do Poder Legislativo. Obrigado pela presença. Cumprimento ainda o conselheiro corregedor do Tribunal de Contas do Estado, Gilberto Pinto Monteiro – o Tribunal de Contas é uma instituição importante no controle e na fiscalização dos nossos órgãos públicos; a Exma. Sra. Giza Magalhães Gaudereto, defensora pública – a Defensoria Pública é outra instituição pela qual tenho grande respeito e admiração desde o meu tempo de presidente da Comissão de Direitos Humanos. A Defensoria Pública salvou a gente muitas vezes aqui, doutor – e ainda salva. Obrigado pela presença. Cumprimento o Dr. Flávio Freire de Oliveira, procurador-geral do Município de Belo Horizonte, que representa o prefeito Álvaro Damião. Muito obrigado pela presença. Leve o nosso abraço ao prefeito. Cumprimento o Dr. Antônio Carlos de Alvarenga Freitas, delegado-geral de polícia, representando a nossa Polícia Civil; a Isabella Gonçalves Felício, adolescente trabalhadora da nossa Assembleia, representando os adolescentes da Assprom, talvez a pessoa mais importante na nossa Mesa.
Pedi ao pessoal da equipe para preparar um discurso, mas acho que vou contar um caso, deputada Ana Paula, nosso ex-deputado André, que no ano que vem vai estar de volta com a gente – estamos esperando-o –, e nosso ex-deputado Carlos Gomes. Faço essa referência aos colegas da Casa. Cito Carlão Pereira, o grande Carlão; Oswaldo Montenegro – brincadeira, Arnaldo Godoy, sei que você não gosta de ser chamado de Oswaldo Montenegro; e Pedro, que também está com a gente. Olha, eu queria contar para vocês por que a gente teve a iniciativa de fazer esta homenagem à Assprom. Esta homenagem é por tudo o que a Assprom representa, pela transformação que ela causa na vida de milhares de centenas de jovens no nosso estado inteiro; que é a transformação não só na vida do jovem, mas também a transformação na vida de suas famílias; que é o pertencimento, que é o acolhimento; que é a oportunidade dessa primeira experiência do trabalho. Muitas vezes, a fala é a seguinte: “Você tem experiência? Não, não tenho. Então não dá para empregá-lo agora, porque tem que ter experiência”. Nesse sentido, a Assprom ajuda a responder e resolver muito, não só no sentido da indicação para o trabalho, mas também por causa de todo o trabalho que ela desenvolve, na própria instituição, com os jovens. Eu tive a oportunidade de conhecer e visitar, e nós vimos, de perto, o trabalho que é feito ali.
Quando eu falo da Assprom e dos jovens da Asprom, eu falo também um pouco da minha trajetória, que é muito parecida com a do deputado Ricardo. Eu sou lá de São João del-Rei – não sei se vocês conhecem essa cidade –, que faz parte do Campo das Vertentes. A minha primeira experiência de trabalho mais formal, porque eu já havia tido a experiência de trabalhar vendendo picolé, lavando carro, trabalhando em feira – eu já trabalhava para levar um dinheiro para casa –, foi através de uma instituição parecida com a Assprom, só que o nome dela, em São João do Rio, André, é Associação Sanjoanense de Assistência ao Menor – Asam –, fruto de um projeto coordenado pelo Pe. Marreco em São João del-Rei. Eu me lembro de que a minha primeira experiência foi na Santa Casa de São João del-Rei. Eu ajudava na farmácia; eu ficava ali ajudando na farmácia, buscando um soro, descarregando um medicamento, ajudando os auxiliares de farmácia, que, hoje, chamamos “técnico de farmácia”. Mas, quando você completa 18 anos, você não é mais um menor aprendiz e, normalmente, você perde aquele vínculo.
A santa casa ia abrir um estacionamento tanto para os funcionários quanto para o público – igual ao estacionamento rotativo –, e, como eu era muito trabalhador, eles me deram uma oportunidade. Fiz 18 anos, e eles me contrataram para ficar na guarita do estacionamento. E olhe como foi importante! Como menor aprendiz, fiquei dos 16 até os 18 anos e, quando completei 18, a santa casa me contratou. Depois, quando surgiu a oportunidade na farmácia, a turma da farmácia já me conhecia e sabia que eu conhecia um pouquinho do serviço, pediram que eu fosse deslocado da guarita para ficar como auxiliar de farmácia na santa casa. Depois eu comecei a cobrir férias. A cada 30 dias, eu estava em um setor: raios X, tomografia, portaria, recepção e telefonia. Eu ia para tudo quanto é lugar. Só fui sair de lá quando eleito vereador em 2000. E eu também havia passado no vestibular da faculdade e queria estudar e me dedicar ao mandato. Então, em 2000, pedi para sair depois de ter permanecido seis anos na santa casa de São João del-Rei.
Quando eu vejo os meninos da Assprom na Assembleia, eu me lembro de mim mesmo, porque até a cor da camisa era igual; a nossa camisa era azul também; até isso era parecido. Lembro-me dessa minha trajetória. Quando contamos isso, especialmente para os jovens, é para vocês verem que os nossos sonhos não têm limite. Ou seja, nem o céu é o limite para o sonho. Nós seremos do tamanho dos nossos sonhos. A primeira coisa que vocês não devem nunca admitir é alguém falar para você, jovem, às vezes, um jovem mais pobre: “É impossível; é bobagem”. Nunca permitam que alguém diga que é algo impossível para vocês, porque não é. Se fosse impossível, o Ricardo não seria deputado e não estaria aqui hoje, e eu também não estaria aqui hoje. Isso foi porque nós não acreditamos que era impossível.
Parece que o poeta Shakespeare, em Goethe, tem uma passagem que isto: “Não sabendo que era impossível, eles foram lá e fizeram”. E é isso que vocês vão fazer! Vocês serão o que quiserem ser na vida e na história de vocês. E sempre trazendo, na memória e na lembrança, o lugar de onde a gente veio, porque a gente não pode esquecer o lugar de onde veio. Às vezes, ascendemos e conseguimos ter grande sucesso, mas nos esquecemos das nossas origens. Eu nunca me esqueço da Asam; nunca me esqueço da portaria da santa casa; nunca me esqueço da minha história e da minha trajetória. Quando não perdemos as nossas referências, não perdemos a nossa humanidade, a nossa empatia e o cuidado com o outro.
Eu sei que o meu discurso já estava escrito, mas eu achei que era melhor fazer uma fala que dizia mais sobre o meu sentimento. Então eu quero é agradecer. Quando o Dr. Cateb, o Dr. Edgar e o Mário falaram “nós queremos, Cristiano, agradecer-lhe a homenagem e o título”, eu disse: “Não, sou eu quem agradeço; não é uma honra para vocês receberem esta homenagem; é uma honra para nós homenagearmos vocês, que construíram essa grande instituição”. Obrigado, gente. Sejamos muito felizes! Vida longa à nossa Assprom!