DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/12/2025
Página 85, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 4380 de 2025
86ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/12/2025
Palavras do deputado Leleco Pimentel
O deputado Leleco Pimentel – Presidente Tadeu, eu gostaria de pedir aos presentes da Copasa que pudessem, neste primeiro momento, fazer uma manifestação de solidariedade ao Pe. Júlio Lancellotti. Nossa salva de palmas. É verdade. Ele é um homem que ousou enfrentar a política higienista que está em curso em São Paulo, levantando a bandeira importante da população em situação de rua. Há 40 anos, ele está na mesma paróquia. Quero lembrar que o Pe. Júlio Lancellotti foi ordenado por um grande amigo nosso, que está no processo de santificação, o D. Luciano. O Pe. Júlio foi ordenado por D. Luciano Pedro de Almeida. Neste momento, o Brasil está inquieto – por que não dizer a humanidade? –, porque há um processo de calar a boca do Padre Júlio Lancellotti, inclusive trocando-o de paróquia – parece-me que ele já fez um pronunciamento – e o proibindo também de fazer a transmissão das suas missas. O diálogo do Padre Júlio Lancellotti é potente e incomoda muita gente; é a voz de um profeta: “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão”.
É muito importante que, neste Grande Expediente da Assembleia Legislativa, a gente tenha essa manifestação. Eu falo em nome do projeto Juntos para Servir, e tanto eu quanto o Padre João já nos manifestamos. Eu pedi a vocês solidariedade durante um minutinho, porque sei que não existe assunto mais importante. Eu pedi esse minuto porque nós estamos no momento do Grande Expediente, o que significa que, quando tivermos os requerimentos aqui, vamos voltar as falas para o que é mais importante, que é essa situação da votação da privatização da Copasa. Mas, neste momento, a gente faz repercutir aqui também questões importantes da política.
Nós todos estamos perplexos! Como o Zema tem a capacidade de envergonhar as pessoas quando se coloca para fazer um debate, sendo que ele nem tem capacidade de debater os temas? Foi o que ele fez aí, numa pirotecnia, supostamente colocando 30 pessoas de esquerda… Deputado Elismar, parece-me que foi o próprio programa que escolheu as pessoas para fazer ali um tipo de teatro – perdoem-me os nossos amigos das artes cênicas, mas foi exatamente isso que ocorreu ali. O Zema, além do despreparo que tem, provocou quatro questões, todas elas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e à esquerda, e, o que é pior, criminalizou o MST, colocando a hipótese de que ele é um movimento criminoso, tratando de fazer com que a violência chegue até aqueles que lutam pela reforma agrária.
Então eu faço aqui, neste Plenário, durante o Grande Expediente, um desagravo pela desumanidade, pela incapacidade de ser governador. É uma pena que o povo mineiro tenha sido enganado ao votar duas vezes numa pessoa que está envolvida inclusive com o roubo do dinheiro dos aposentados e sido autorizado por Bolsonaro a tirar dinheiro lá do BPC. E ele vem dizer para a imprensa que se desligou da empresa de que antes era o dono! Segundo ele, agora os donos são o pai, o irmão, a tia e o avô. Essa é a capitania hereditária, essa é a vergonha do Brasil! E ele vai ter que comparecer à CPI, à CPMI, na verdade, para justificar como conseguiu do Bolsonaro autorização para roubar o dinheiro do BPC e endividar os aposentados que já têm parte do seu salário comprometida, seja com medicamento, seja com alimento.
Então nós estamos diante de uma pessoa que rouba os idosos, que não tem escrúpulo. E agora ele rouba o saneamento, transformando a Copasa e a água de Minas Gerais em mercadoria das mais baratas, para que tenha uma aposentadoria. Quem já juntou R$200.000.000,00 quer juntar mais! Essa é a lógica desse governador que anunciou, outro dia, que fica até o mês de março. Eu não sei por que não foi embora ainda! É por essa razão que a gente também faz ecoar, do Plenário, esta vergonha: um homem que finge não estar por trás das empresas que lucraram R$200.000.000,00! Olhem o número: R$200.000.000,00 com aquelas lojas mequetrefes, onde as pessoas entram e deixam ali apenas um empréstimo, que depois, sob juros, acaba corroendo a economia daqueles que dependem do Benefício de Prestação Continuada – BPC.
Quero trazer também a importância de termos recebido o presidente Lula em Minas Gerais novamente. Ele esteve no Município de Itabira entregando um dos equipamentos mais modernos para o tratamento oncológico. Aqui ele entregou também 39 veículos totalmente adaptados para o tratamento odontológico da população mais pobre. Lembrando que, além de uma carga de energia com um contêiner acoplado à van, que é tratamento de água também para o uso dos dentistas e dos que trabalham com a saúde bucal, a van também vai ter, conforme anunciado pelo presidente Lula e pelo próprio ministro Padilha, uma impressora 3D que faz com que aquela prótese fique pronta e a pessoa possa voltar, seja de um atendimento na zona rural, num campo de futebol, numa igreja, de onde for, com a dignidade de um sorriso e a saúde bucal restaurada. É muito importante a gente fazer essa prestação de contas. O presidente Lula esteve em Minas Gerais para sua 13ª agenda. E, para todas as agendas, nós sabemos que o presidente teve o cuidado de convidar o governo. A nossa alegria foi a de Zema não ter aceitado mesmo o convite, porque ele não tem educação para comparecer a uma cerimônia institucional, pois não sabe distinguir o público do privado. Ele não sabe distinguir o que é a sua loja mequetrefe do que é o governo do Estado.
Por muitas vezes, este governo está eivado de corrupção. Eu mesmo denunciei. Denunciei o presidente da Cemig, vocês sabem. Levei ao Ministério Público uma notícia-crime do gasto do cartão corporativo. O que fez o antigo secretário da Desestatização de Bolsonaro em Minas depois que ele fez as tramoias? Cascou fora. Vocês se lembram bem de quem estou falando: do dono da Localiza, do Salim Mattar. Então vejam: nós temos denúncias gravíssimas. Nós temos um estado quebrado, que foi levado à bancarrota. Como é que uma pessoa se gaba de fazer um governo, por oito anos, tirando onda de que deixou o salário em dia? Não fez mais que sua obrigação. Agora, ele não diz que não deu reajuste, que descumpriu a lei. Ele não diz que desmontou a Copasa. Ele não diz que desmontou e tentou desmontar a própria Cemig. Ele não diz que atacou os servidores da saúde, vendendo e fechando o Hospital Maria Amélia Lins. Ele não diz que quem banca as viaturas de polícia são os prefeitos.
Então vejam que a Copasa está tendo uma grande oportunidade de dar aula para o povo nunca mais errar. A Copasa está pagando um preço alto. Os servidores estão pagando um preço alto, mas quem está dando aula de cidadania para o povo mineiro são vocês trabalhadores que permanecem na luta. Essa é a lição. E parafraseando Paulo Freire, a pedagogia da esperança, a pedagogia da alternância, a pedagogia do oprimido… Talvez muitos não tenham lido, mas é de Paulo Freire a forma como nós nos inspiramos na luta. É por essa razão também que não custa dizer aos servidores que, neste momento, estão ao derredor da Assembleia nos ouvindo, assim como aqui dentro, que vamos esperançar e vencer essa batalha nem que seja no Judiciário. Vamos restaurar, no ano que vem, com um voto, o governo de Minas, que terá a grande função de retomar o saneamento estatal como bandeira primeira. Nós vamos lutar para isso. Vamos lutar para isso. Eu, que tanto luto pela moradia e pelo sem-teto, não vi o governo Zema construir sequer uma casa. Isso, porém, não me fez desistir da luta. Nós conseguimos criar, na Assembleia, a Comissão Extraordinária da Habitação e da Reforma Urbana e estamos nos preparando para o próximo governo de Minas, a fim de que retome a política de habitação com saneamento, mobilidade e planejamento urbano e rural. É por essa razão que, aos que lutam, alimentar a esperança no horizonte dessa luta é tão importante quanto não cair no desespero e voltar para o comodismo do sofá e da tela do celular.
Parabéns aos que estão aqui! Nós vamos ter a grande função social de manter essa luta acesa, porque os ataques vão parando agora, próximo do Natal, com essa covardia de colocar a Copasa e 10 mil servidores na indignidade de perderem o seu concurso público e de terem que refazer a sua vida. Esse planejamento de vida custou a decisão da família e a ausência de muitos vocês no meio dela. Estou dirigindo a palavra às pessoas com as quais eu, além de respeitar, andarei junto e de cabeça erguida, porque pude fazer, ou melhor, fiz além do que pude para que tentássemos convencer e manter aqui esse processo de obstrução. Hoje chegamos ao final desta tarde com uma votação. Não quero iludir ninguém. O que sabemos por aqui é que a pressão do governo… Vocês sabem bem que houve deputado aqui que chegou de ambulância, deputado que veio com dreno para dentro do Plenário, deputado que mandaram avião buscar porque estava com gente enferma em casa. Só não cito o nome porque tenho o dever de cumprir com a ética. Agora esse desgaste vai piorar para esses deputados, porque, como disse a deputada que me antecedeu, o aumento da tarifa virá logo após a votação, e a cara daqueles que permitiram isso tem de ser estampada.
Viva a luta do movimento! Vivam os trabalhadores! Viva a Copasa! Viva o saneamento! Vivam os que tem consciência! É assim que a gente constrói com coerência a luta popular. Muito obrigado.