Pronunciamentos

DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)

Discurso

Comenta a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição nº 24/2023, que propõe a dispensa a realização de referendo popular para autorizar a desestatização ou federalização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa. Defende que o presidente da Assembleia legislativa, deputado Tadeu Leite, assuma uma postura firme contra o governador Romeu Zema. Ressalta que, mesmo sem votos suficientes no momento, a mobilização deve continuar nas ruas e redes sociais.
Reunião 26ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/10/2025
Página 72, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PEC 24 de 2023

26ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 24/10/2025

Palavras do deputado Leleco Pimentel

O deputado Leleco Pimentel – Creio que entramos agora numa fase mais importante e, por isso, é preciso a atenção de todas e todos. Porque nós estamos na fase em que já foram esgotados alguns requerimentos e agora estamos tratando do inteiro teor da revogação dos §§ 15 e 17 do art. 14 da Constituição do Estado. É claro que, para nós, não foi só um debate entre aqueles que poderiam aqui expressar a sua opinião sobre a retirada da obrigatoriedade da consulta ao povo, que ainda tem por nome referendo.

Nós não tivemos aqui, do ponto de vista de lados opostos ou até da infringência, para que pudéssemos saber quais são as justificativas, as diretrizes que embasam uma ordem de votação aos deputados da base, que insistem em votar nesta sexta sessão, após terem sido revelados erros técnicos, em que duas sessões… A primeira foi suspensa e, por falta de quórum, não pôde ser contada. No dia de ontem, com um dos líderes de um dos blocos a presidir, foi derrotada a sessão. É a razão de nós estarmos aqui até esta hora da manhã, para que possamos esclarecer ao povo que não basta – não basta – as pessoas virem falar mal de Zema; elas precisam ter, de fato, uma postura que corresponda ao voto e à coerência que precisam ter. Os servidores da Casa e da Copanor, os movimentos populares e sociais, os sindicatos que deram sustentação a esta luta precisam sair daqui com uma justificativa que, de fato, mostre que o tempo delas não foi perdido.

Por isso, vejam só: nós estamos tratando do 1º turno do projeto de lei do Zema. Portanto, quem assina este projeto de lei é o governador do Estado, que está fora de Minas Gerais, está fora do Brasil, para que continue a falar mentira fora do País, deixando que, na Assembleia, neste momento, haja todo o desgaste em cima destes deputados.

Aqui eu mudo um pouco a chave do nosso discurso. É claro que os deputados que aqui estão devem estar medindo o nível do desgaste que eles terão para acompanhar o governador Zema nesta desmedida, injustificada e criminosa forma de tirar a opinião popular. É por isso que eles devem estar pensando como vão compensar as suas bases ou até mentir para outras. É muito importante virarmos esta chave agora, no Plenário, porque se nós não conseguimos convencer ninguém pelo argumento, será pela dor. A renovação que nós temos hoje, no Parlamento – e Minas Gerais puxa isso no Brasil –, vai se dar na formação da opinião também pelas redes sociais. E nós estamos aqui, há muitas horas, dialogando com a população, que agora já está mais esclarecida sobre o que está acontecendo na Assembleia. Confesso para vocês que eu não gostaria de ver este desgaste para o presidente desta Casa, que teve o meu voto para ser presidente, como teve o voto também de todos do Bloco Democracia e Luta.

Não, não. Eu quero chamar a atenção para a virada de chave. Não se trata de traíra. Neste momento, nós estamos pedindo ao presidente Tadeu. Depois de ter sofrido todo esse desgaste, nós precisamos que o presidente Tadeu dê um recado para este governador, que não está nem aí para a Assembleia: que ele tem condições de, a partir da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, conduzir a política no Estado de Minas. E não vai ser entregando o que há de mais valioso, que é o direito do povo de opinar, o direito do povo de votar e de trazer para esta Assembleia e para os seus representantes… Eu só lamento dizer que nós não temos aqui, neste Parlamento, a verdadeira expressão da população. É por isso que a gente precisa do presidente Tadeu, e o presidente Tadeu precisa coordenar o processo de enfrentar, de vez, esse governador Zema e o Mateus Simões, porque eles tiraram do colo deles a responsabilidade de aderir ao Propag. Até hoje, o que eles fizeram foi deixar a conta nas costas do governo federal. O Zema está prometendo, para tudo quanto é canto, que vai fazer o que não fez em sete anos.

O presidente Tadeu, a quem eu dirijo essa palavra, precisa dar uma resposta para todos os deputados, porque o Tadeu foi eleito com o voto de todos os deputados. Eu quero dizer para cada um e para cada uma que nós não podemos ter como derrota este 1º turno, porque nós vamos ter condições de manter a mobilização acesa e permanente não só na Assembleia, mas também nas ruas e nas redes sociais. Em que pesem todos os merecidos xingos já proferidos aqui, exceto qualquer forma de ofensa, cada xingo está justificado na luta e no lombo dos trabalhadores que têm o direito de trazer a esta Assembleia a sua indignação. Mas nós precisamos virar a chave neste momento.

A eleição do ano que vem não é uma eleição só para eleger deputados, mas uma eleição para o Senado, para a Câmara Federal, para o governo do Estado e para a Presidência da República. Portanto o presidente Tadeu vai ser uma pessoa responsável por Minas Gerais ficar livre do Zema. Eu tenho certeza de que isso vai acontecer. Agora eu quero dizer que nós não temos o direito de voltar para a casa e ficar de braços cruzados, porque essa é apenas uma das batalhas que nós temos aqui. Os votos vocês já viram. Os votos do Bloco Democracia e Luta não são suficientes, hoje, para derrotar aqueles que estão aqui, muitos deles sob chantagem. E é por essa razão que nós não calamos a nossa boca. Você tem razão. O que vai acontecer, a partir deste momento, na reta final das falas dos deputados que virão depois de mim, é que nós queremos ter essa franqueza e essa lealdade de transferir a responsabilidade a quem lavou as mãos e está tentando pressionar a Assembleia para ficar livre do desgaste político.

Presidente Tadeu, a sua responsabilidade não é só de presidir a Assembleia, mas também de conduzir Minas Gerais, para que a gente possa ficar livre dessa onda privatista. E é por essa razão que nós temos que fazer política – política! Nós não podemos nos prender agora a algo que não é possível. É por isso que essa dose de realidade vai ser necessária para que a gente dê continuidade à luta.

Viva os trabalhadores! Que a luta permaneça! Vamos continuar na luta. Muito obrigado.