DEPUTADO PAULO PIAU (PFL)
Discurso
Comenta o veto à proposição de lei complementar que dispõe sobre a
organização básica da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais - PMMG.
Comenta a situação do ensino superior no País.
Reunião
234ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/05/2001
Página 16, Coluna 3
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. PESSOAL. EDUCAÇÃO.
Aparteante João Batista de Oliveira, Miguel Martini, Dalmo Ribeiro Silva, Durval Ângelo.
Proposições citadas PLC 29 de 2000
Normas citadas LEI nº 6624, de 1975
LCP nº 60, de 2001
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/05/2001
Página 16, Coluna 3
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. PESSOAL. EDUCAÇÃO.
Aparteante João Batista de Oliveira, Miguel Martini, Dalmo Ribeiro Silva, Durval Ângelo.
Proposições citadas PLC 29 de 2000
Normas citadas LEI nº 6624, de 1975
LCP nº 60, de 2001
234ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 24/4/2001
Palavras do Deputado Paulo Piau
O Deputado Paulo Piau* - Sr. Presidente, apesar de pedirmos um
tempo, certamente não demoraremos 1 hora na discussão do projeto
que trata da reorganização da polícia. Vejo em Plenário o Deputado
João Batista de Oliveira, que preside com muita competência a
Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial, que tem
relação com o assunto que abordaremos.
Essa proposta visa, Deputado João Batista de Oliveira, exatamente
levar um pouco de segurança, um pouco de policiamento ao campo.
Esse projeto foi vetado pelo Governador, mas fiquei feliz, por um
lado, porque a única alegação de S. Exa. é a de que esse projeto
tem vício de iniciativa. Portanto, o próprio Governo não questiona
o mérito desse projeto, que é aproveitar a presença da Polícia
Florestal, que já está no campo, que já está no meio rural e, como
diz o caipira, já conhece o caminho da roça, para ajudar na
segurança do campo. O campo, hoje, não pode guardar café, não pode
guardar soja, não pode deixar bens ali expostos, porque a pressão
da própria polícia no meio urbano está fazendo com que os
marginais dirijam-se ao meio rural, onde, na verdade, a falta de
policiamento deixa vulnerável as propriedades agrícolas. Estão
acontecendo muitos furtos, inclusive com reféns.
Gostaríamos, Sr. Presidente, de pedir a compreensão dos nossos
companheiros para dar um pouco de segurança e colocar a Polícia
Florestal a serviço da segurança do meio rural. Compreendemos e
fazemos um elogio ao trabalho da Polícia Florestal praticamente é
a polícia que cuida do meio ambiente. Inicialmente, quando esse
projeto passou pelas comissões e veio a Plenário, a grande
preocupação dos Deputados era se a aprovação desse projeto não
prejudicaria o trabalho da Polícia Florestal ligado ao meio
ambiente. E argumentamos que não haveria e não teria sentido se
houvesse qualquer prejuízo para a fiscalização da Polícia
Florestal nesse trabalho importante de proteção do meio ambiente.
Mas ela pode fazer algo mais: ajudar a Polícia Militar a também
olhar o campo. Em vez de a Polícia Florestal olhar apenas o
caminhão de carvão, o caminhão de lenha, poderia também conferir
uma carga de café, uma carga de soja ou mesmo um veículo que
transita, o que hoje não é função da Polícia Florestal. Podemos
avançar no Estado de Minas Gerais, criando a polícia florestal e
rural.
O Deputado João Batista de Oliveira (em aparte) - Nobre Deputado
Paulo Piau, gostaria de cumprimentá-lo pelo seu pronunciamento.
Mais uma vez, nós, que já discutimos esse projeto na Comissão de
Agropecuária, gostaríamos de trazer o nosso apoio e dizer que V.
Exa. fala sobre um assunto de extrema importância, porque, nesse
momento, as cargas estão sendo muito visadas. Não só as cargas
estão sendo roubadas, mas os armazéns das fazendas estão sendo
assaltados e estão atraindo até traficantes que mascararam a droga
dentro de um produto agrícola.
Gostaria também de dizer que a Polícia Militar tem de repensar o
problema, já que reconhece a importância desse assunto.
Atualmente, a polícia está desativando os policiamentos dos
distritos, como Curimataí, em Buenópolis, Conselheiro Mata, em
Diamantina. São distritos de 500 a 1000 habitantes, que tinham
destacamento, mas a polícia está desativando esses destacamentos.
Esse policiamento da Polícia Florestal poderia contribuir para
fazer circular a informação na comunidade. As pessoas são tão
poucas e conhecidas que quando aparece um fato diferente todo
mundo sabe. Agora não há nem destacamento local para ser acionado.
Queria trazer o nosso apoio e dizer a V. Exa. que estamos
trabalhando junto à nossa bancada para a derrubada desse veto, até
para mostrar de que lado estamos, Deputado Paulo Piau. A Polícia
precisa pensar na sociedade como um todo. No momento em que a
violência explode no meio urbano, o campo está se tornando refúgio
para as pessoas que estão sendo reprimidas aqui. É necessário
oferecer segurança para as pessoas que estão trabalhando no campo.
Até para que continuem lá. Senão, daqui a pouco, a Polícia terá
99% de seu efetivo nas grandes cidades trabalhando sempre na
repressão e não na prevenção. O projeto de V. Exa. está voltado
muito mais para a prevenção do que para a repressão.
Quero cumprimentá-lo e dizer que a Comissão de Agropecuária e eu,
como Deputado da Casa, estamos totalmente favoráveis à derrubada
do veto, para que o Comando da Polícia Militar e o Governador do
Estado possam repensar essa posição. Não adianta alegar que é
falta de recurso, porque quando se cria nova obrigação
necessariamente um novo recurso é criado. No caso, a Polícia tem
que enxugar e modificar-se. Já que está cortando despesas e
desativando destacamentos de distritos poderia perfeitamente
fortalecer os destacamentos das florestais. Parabéns. Muito
obrigado.
O Deputado Paulo Piau (continuando)* - Agradeço o apoio do
Deputado João Batista de Oliveira. Nessa alteração não há,
inicialmente, despesa para o Estado. Depois é que haverá
necessidade de se aumentar o contingente da Polícia Militar. No
meio urbano, no Brasil, a relação população-policial está muito
larga, porque um policial atende a muita gente. Essa proporção
precisa ser mais estreita.
Nesse primeiro momento, compreendendo a situação do Estado; não
estamos pensando em aumentar o contingente dos policiais. Mas se
houver o serviço e o apoiamento, já temos, pelo menos
psicologicamente, ... os bandidos diriam o seguinte: “No campo
também tem alguém cuidando do policiamento”. Sem dúvida vai haver
dar diminuição significativa dos assaltos e roubos no meio rural.
O Deputado Miguel Martini (em aparte) - Deputado Paulo Piau, como
Líder do PSDB, quero dizer que estaremos ombreados com V. Exa.,
com todo o PFL, para a derrubada desse veto, por considerarmos a
sua grande necessidade e por reconhecer que essa questão precisa
ser aprofundada na Casa. Sei que V. Exa. está trabalhando para
isso.
O que se coloca é que foi um policial militar destacado para a
Polícia Florestal. Ora, está muito mais habilitado a prestar
serviço de segurança do que, propriamente, de fiscalização de
florestas. Certamente, esse policial não recebeu treinamento,
capacitação para fiscalizar florestas, dando segurança e proteção
aos moradores da área rural.
Nada mais lógico do que derrubarmos esse projeto. E que os
policiais que lá se encontram - não é preciso aumentar o efetivo -
dêem essa atenção. Assim, vai melhorar a prestação desse serviço.
O Estado deve fazer isso mesmo. É obrigação e dever do Estado
prover a sociedade de segurança. Tenho certeza de que os Líderes
dos partidos e todos os Deputados vão ter a sensibilidade de
entender a oportunidade desse projeto e votarão pela derrubada do
veto.
Vamos apresentar um projeto de aprimoramento, possivelmente
melhorando aqueles que vão prestar o serviço florestal, a
vigilância do meio ambiente, com mais capacitação e treinamento,
suprindo, assim, as duas necessidades, as duas deficiências.
Parabéns a V. Exa. Tenho certeza de que esta Casa será sensível a
isso e derrubará esse veto, porque os moradores da área rural
estão desprotegidos totalmente. Nada mais justo que tenham essa
segurança. Somente pelo fato de derrubarmos esse veto, os bandidos
ficarão mais preocupados. Hoje, eles sabem que há impunidade
total. O morador e o pequeno produtor rural, principalmente -
porque os grandes têm como se defender -, estão sofrendo todo o
tipo de violência, num total desamparo. Com a derrubada do veto, a
polícia começará a fazer a vigilância.
Se o veto for mantido, o que acontecerá? O Estado tem de dar
segurança. Então, terá de destacar policiais de outros setores, da
própria área urbana, para prestar esse serviço. Ele é obrigado a
prestar esse serviço. A derrubada do veto vai facilitar para o
próprio Estado e para a Polícia Militar.
Parabéns. O PSDB está junto com V. Exa. Estaremos lutando pela
derrubada desse veto. Tenho certeza de que esta Casa o derrubará.
O Deputado Paulo Piau* - Agradeço ao Deputado Miguel Martini. V.
Exa. está fazendo considerações muito procedentes. Lembrei-me de
um fato e vou citá-lo, antes de conceder aparte ao Deputado Dalmo
Ribeiro Silva.
Um produtor chamado Chiquinho Campos, do Município de Presidente
Olegário, reclamava, há tempos, que não podia deixar sacas de café
no seu armazém porque a seguradora queria cobrar uma taxa muito
alta para fazer o seguro da mercadoria. Ele teve de transportar o
café para armazéns da área urbana, pagando. São coisas dessa
natureza que encarecem o produto e o cafezinho para o consumidor.
Esse é um exemplo que quero citar para mostrar que precisamos, de
fato, ter a polícia no meio rural, de modo mais ostensivo.
Está muito em moda - houve até a prisão do Fernandinho “Beira-
Mar” - os traficantes de drogas usarem as estradas vicinais, de
terra. Portanto, é mais um fator de segurança, até para a
sociedade urbana, a polícia marcar presença no meio rural,
orientada e objetivamente. O que precisa acontecer, Deputado
Dalmo, é uma reorientação do trabalho da Polícia Florestal, sem
prejuízo - volto a dizer - da sua função relativa ao meio
ambiente.
O Deputado Dalmo Ribeiro Silva (em aparte) - Muito obrigado,
Deputado Paulo Piau. Ouço atentamente V. Exa., que traz um tema
muito importante, relativo à segurança.
Gostaria de fazer um registro, Deputado Paulo Piau, sobre a
admiração que sinto por V. Exa., que tem prestado relevantes
serviços ao nosso Estado. V. Exa. participou ativamente na
Comissão do MICRO GERAES, na do Narcotráfico e em muitas outras,
ora como membro, ora como Presidente. V. Exa. foi Presidente da
Comissão de Agropecuária. Agora, para felicidade deste
parlamentar, V. Exa. ocupa o cargo de Presidente da Comissão de
Educação.
Gostaria muito, ilustre Presidente da minha Comissão, pedindo
vênia a V. Exa., de fazer uma reflexão rápida e sucinta, já que
hoje estamos comemorando o Dia Nacional da Família na Escola. Por
meio da nossa Comissão, que busca, semeia e cultiva a melhor
educação para os nossos filhos, quero fazer uma reflexão, Deputado
Paulo Piau, sobre a situação caótica e constrangedora que estamos
vivendo.
Admiramos muito a política do Ministro Paulo Renato, mas há
necessidade de uma reflexão mais profunda, principalmente tendo em
vista o que estamos vivenciando quanto à liberação do FIES.
Estamos atravessando uma situação das mais dramáticas para
responder aos alunos universitários do Estado, pois não temos como
demonstrar-lhes e à população quais foram os critérios usados para
a concessão e liberação dos recursos do Fundo. Muitos foram
classificados, e poucos, os escolhidos.
Posso afirmar a V. Exa. que, por meio de uma pesquisa deste
modesto Deputado, soubemos que inúmeras escolas, com mais de 1.200
candidatos inscritos no FIES, ofereceram de três a cinco vagas,
mostrando um desrespeito flagrante ao estudante que, esperançoso,
busca o incentivo do Governo Federal.
É necessário buscarmos um mecanismo adequado, para dar um basta a
essa situação e evitar que os alunos universitários fiquem,
apenas, sonhando com créditos que jamais lhes serão concedidos,
apesar de o Governo Federal, em vários canais de televisão, ter
demonstrado preocupação quanto ao assunto. Isso, apenas, traz mais
expectativa para os alunos e as famílias, além de causar o
constrangimento de o aluno apresentar fiadores, certidões de
Bancos e toda a documentação exigida, e não receber nenhuma
informação fundamentada por parte das universidades e das
mantenedoras do ensino.
Neste dia em que comemoramos a família na escola, nada adiantará
se nós, parlamentares e educadores, ficarmos pregando que
precisamos ter uma educação de boa qualidade, pois não estamos
dando continuidade aos que sonham com escolas de nível, que tenham
condições de dar-lhes uma profissão.
Deputado Paulo Piau, permita-me a ousadia, mas o momento não
poderia ser mais oportuno. V. Exa., dirigindo a Comissão de
Educação, já tem demonstrado dinamismo, determinação, cultura e
vontade de trabalhar pelo ensino e pela cultura de Minas. Assim,
pedimos sua ajuda para que esses fatos não ocorram mais em Minas
Gerais. As escolas, ao apresentarem o número de vagas, devem
definir o número de vagas do FIES, a fim de que os alunos não
tenham sonhos, como vêm fazendo, sem que possam realizá-los.
Em Belo Horizonte, temos poucas universidades que contemplaram
alunos com esse crédito: para 1.200 alunos, tivemos 5 ou 10 vagas.
Portanto, é necessária uma política agressiva, a fim de que aquele
que venha a postular seu direito líquido e certo não fique,
somente, à espera de informações.
Proponho a V. Exa., como meu Presidente, que façamos uma comissão
especial para discutir, efetivamente, esse assunto. No ano
passado, sob a Presidência do Deputado Sebastião Costa,
apresentamos várias discussões, inclusive, junto à Comissão de
Defesa do Consumidor e à Caixa Econômica, mas não obtivemos
nenhuma resposta. Nós, educadores, não podemos conviver com uma
situação dessa grandeza e natureza. Nos telefones de todos os
gabinetes, os alunos esperam informação sobre os recursos e o
deferimento da inscrição. Faltam critérios, informações e
esclarecimentos aos alunos. Neste momento, com a dedicação e a
determinação de V. Exa., deveríamos requerer uma comissão especial
para que essa discussão seja feita com maior precisão, para que
todos os representantes das Universidades possam vir esclarecer a
população universitária de Minas Gerais com relação às vagas
disponíveis, para que não fiquemos somente na expectativa de 1.200
inscritos para 5 vagas. Isso é pior que um vestibular e traz um
constrangimento e um abatimento aos familiares que não têm
condições de pagar o estudo dos seus filhos. Perdoe-me, mas este é
o momento mais oportuno para dizer isso, levando-se em
consideração a política de que estamos participando, ou seja, a da
educação e da família na escola. A família é a “cellula mater” da
sociedade. Temos de resgatar a continuidade dos estudos para os
nossos filhos. Fico muito feliz ao apartear V. Exa. em um momento
ímpar em que defende tão bem os destinos do nosso povo mineiro.
Espero que comungue do mesmo pensamento nesta discussão tão
importante relativa ao crédito educativo de Minas Gerais. Muito
obrigado.
O Deputado Paulo Piau* - Obrigado, Deputado Dalmo Ribeiro Silva.
Embora o assunto que trouxe à tribuna seja o policiamento rural,
essa questão da educação, do entusiasmo e da auto-estima está
relacionada ao crime e às condições sociais. V. Exa. demonstrou a
sua sensibilidade e o seu envolvimento com a comunidade. Neste
momento, estamos sendo cobrados, como lideranças de toda a
comunidade, com relação a este descalabro que se chama FIES.
O Deputado Durval Ângelo (em aparte)* - Deputado Paulo Piau, por
quem nutrimos o maior respeito e consideração, pois sempre trouxe
para a discussão no Plenário desta Casa questões atuais e de
interesse do povo de Minas Gerais, da boca de V. Exa., nunca saiu
uma preocupação menor. A seriedade e o compromisso com a ação
legislativa que V. Exa. demonstra é motivo de orgulho para todos
nós. Somos colegas e, há seis anos, iniciamos juntos o nosso
trabalho aqui. É bom que a questão que trago, a despeito de toda a
problemática do veto que está sendo debatido, seja no momento da
intervenção de V. Exa. Isso engrandece muito o pronunciamento
deste Deputado.
Nobre colega Deputado Paulo Piau e Srs. Deputados, esta tribuna
da Assembléia Legislativa é a do debate democrático, da discussão
franca e da ação do Deputado de acordo com o que a Constituição
estabelece como sendo seus deveres fundamentais, ou seja, de
exercer o seu papel de debater questões relacionadas com a sua
ação legislativa e com a sua ação fiscalizadora.
Podemos admitir que, no afã de defender essas questões maiores,
algum colega se exceda, cometendo erro. Mas aqui já tivemos gestos
de grandeza de muitos que reconheceram o erro. Por três momentos,
nas últimas quatro semanas, vieram a esta tribuna, trincheira
maior da discussão democrática, questões menores, que não estarão
inscritas nas páginas deste Legislativo, o que, no futuro, talvez
lamentemos. Refiro-me, diretamente, a três intervenções do
Deputado Irani Barbosa, que, com palavras chulas, impróprias ao
debate parlamentar, expressou-se de forma inconveniente ao
parlamento democrático. Mas tudo isso é menor diante de um fato
maior: aqui ouvimos inverdades e acusações que não correspondem à
realidade dos fatos. A boa filosofia já dizia que a verdade é a
adequação do intelecto à realidade, ou, como nos ensina Guimarães
Rosa, a verdade não está no início nem no fim, mas no meio da
travessia. Ou, quem sabe, que verdade? Talvez aquela que, no
processo de crucificação de Jesus, deixou Pilatos sem uma resposta
definitiva por não ter aguardado ou esperado. O Deputado Irani
Barbosa fez julgamentos dogmáticos e pesquisei documentos que
mostram que a argumentação do parlamentar foi falaciosa. Não temo
fazer com ele esse debate porque temos que oferecer às gerações
futuras os fatos como realmente o são, de forma correta. É isso
que engrandece o Legislativo. Não quero dizer que o parlamentar
não tinha o direito de criticar ou denunciar erro de um Promotor
ou Juiz. Eu mesmo já encaminhei à Corregedoria denúncias sérias,
relativas a um Promotor da cidade de Andradas, Sr. Nívio Leandro
Preveatto. Encontro-me aguardando o parecer da Corregedoria e,
caso não se pronuncie, estaremos encaminhando um processo contra o
referido Promotor, cuja ação, na cidade, ultrapassou os limites do
bom-senso, para não dizer que se trata de ação mais partidária. Há
pouco, passou pelo Plenário o Deputado Sebastião Navarro Vieira,
que bem conhece essa realidade. E se outras denúncias precisarem
ser feitas as faremos.
O Deputado trouxe para cá o debate sem mencionar os mecanismos
próprios do Poder Judiciário, onde já fiz representação contra uma
Juíza de Tombos e estou aguardando a manifestação da Corregedoria
do Poder Judiciário.
Se houver omissão, talvez possamos exceder e denunciar, mas fico
aguardando. É interessante, o colega Deputado não tomou essa
medida. Chegou e afirmou de forma definitiva as questões.
Chamou de bandido um Juiz da comarca. Isso é prejulgamento. Quem
vai dizer se o Juiz tem ou não responsabilidade é o Poder
Judiciário. Além de ter usado palavras indevidas, faltou com a
verdade, porque disse que o Juiz de Ribeirão das Neves soltou seu
irmão, Walterson de Souza Lima, que era traficante. Todos ouvimos
isso.
Quero deixar bem claro que o processo do irmão do Juiz está
inscrito sob o nº 0242865704/9. É importante saber que esse
processo tramitou na 12ª Vara Criminal de Belo Horizonte, e não no
juízo de Ribeirão das Neves.
Qualquer um saberia - não vou exigir que o Deputado saiba disso -
que o prefixo em cada processo é diferente, e o de Ribeirão das
Neves é 231; como 27 é o de Betim; o da minha cidade, Contagem, é
79; e o de Belo Horizonte é 024, no SISCON.
Esse processo não foi da alçada do Juiz de Ribeirão das Neves.
Trago aqui documentos importantes contra o irmão do Juiz,
inscritos com o nº 024991. Na realidade, o Deputado não se
equivocou, sabia muito bem do que estava falando. Faltou com a
verdade, isso é grave em um parlamento.
Na 12ª Vara Criminal, o irmão do Juiz de Ribeirão das Neves foi
condenado a três anos de reclusão. Está aqui a sentença
condenatória. Posteriormente, houve acórdão proferido pela 1ª
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Talvez o Deputado Irani
Barbosa tenha dificuldade para entender 1ª instância, 2ª
instância, o que é 12ª Vara Criminal, mas explicando com jeito, de
forma detalhada, entenderá o que é recurso na 2ª instância. Ele
mesmo disse que não tem estudos e que não entende, mas quem
escreveu para ele sabia e ele sabia que estava cometendo uma
injustiça.
Nessa Câmara estão os Desembargadores Zulman Galdino, Luís Carlos
Biazutti, Gudesteu Biber, Edelberto Santiago e Sérgio Rezende.
Qualquer um dos colegas Deputados sabem que falei nome de gente
muito séria, não é necessário exigir grande conhecimento para
isso. Mas ele falou sobre toda uma Câmara Criminal do Tribunal,
generalizando. Não quero dizer que não possa haver Desembargador
que cometa crime ou que se esconda atrás do cargo, mas quero casos
concretos, e não injustiças.
Essa Câmara, em 22/8/2000, reduziu a pena de três para dois anos
de reclusão, em face do art. 19 da Lei nº 6.368, de 1966, e
concedeu “sursis” ao condenado, nas condições estabelecidas no
juízo da execução. Está aqui a sentença e o relatório do
Desembargador Zulman Galdino. Não o conheço, mas pelas companhias
da Câmara, pessoas da mais alta seriedade, não poderia chamar
Desembargadores de traficantes.
Talvez fosse exigir demais do Deputado pedir que fizesse consulta
ao Aurélio, para saber o que isso significa: na audiência de
monitória, realizada em 3/10/2000, presidida pelo Exmo. Sr. Dr.
Juiz Titular da Vara de Execuções de Belo Horizonte, Dr. Cássio de
Souza Salomé, estando presente o Promotor Marco Antônio Piccone
Soares, foi dado o “sursis”.
Estão aqui documentos comprovando que, na realidade, foi maldade,
mentira torpe essa acusação do Deputado Irani Barbosa. Nenhum de
nós quer que Deputados sejam envolvidos de forma equivocada.
Estamos vivendo uma criminalização muito grande da política, das
instituições políticas na sociedade, e isso não é bom.
Precisamos ser firmes e duros, mas não podemos faltar com a
verdade. Podemos errar, sim, na busca da verdade, mas
intencionalmente faltar com a verdade é inconcebível. Então,
Deputado Paulo Piau, sabedor da sua seriedade, do seu desejo, da
sua busca da verdade, entendemos que essa foi outra inverdade do
Deputado.
E gostaria de fazer um registro: não conheço o Juiz de Ribeirão
das Neves. A única coisa que sei é que é inovador na questão da
execução das penas, na aplicação de penas alternativas. É
respeitadíssimo pelas pastorais católica e evangélica que atuam em
Ribeirão das Neves.
Outro dia, ouvi aparte do Deputado Antônio Genaro sobre um rapaz
da sua Igreja - parece que se chama Toninho -, que faz um trabalho
maravilhoso com viciados, com ex-presidiários. Aliás, ele mesmo é
um deles e talvez possa dar informações sobre esse Juiz, que é
inovador e que trabalha em condições totalmente adversas, já que
existe apenas uma vara em Ribeirão das Neves. Aliás, quanto a
isso, os Deputados representantes dessa cidade já deveriam, há
muito, ter denunciado e reivindicado a melhora dessa situação.
Finalmente, gostaria de falar sobre os dois Promotores, Leonardo
Duque Barbabela e Rodrigo C. Fonteboa. Vou agilizar: houve uma
denúncia de omissão.
Não vou repetir aqueles adjetivos que o Deputado Irani Barbosa
citou, porque, com tantos deles, na hora em que se precisa de
substantivos, não se tem nada. Além disso, os adjetivos são de
baixo calão. Talvez, no fervor de uma briga, possamos até
pronunciá-los, mas, de forma fria, num debate desses, não tenho
coragem de fazê-lo, mesmo porque acho de uma indignidade usar
apenas esses argumentos para se pronunciar.
Mas disse que tanto os Juízes quanto os Promotores, com relação
aos estabelecimentos prisionais existentes em Ribeirão das Neves,
são omissos. Isso é mentira. Com todo o acúmulo de processos, no
ano 2000 foram feitos, naquela comarca, que tem uma única vara,
que serve a 120 mil eleitores e mais de 200 mil habitantes e que
tem a maior população carcerária do Estado, 147 livramentos
condicionais, 7 indultos, 71 extinções de pena, 207 comutações de
pena, 178 remissões da pena por trabalho e estudo.
Aliás, essa foi a primeira comarca de Minas que considerou o
estudo para remissão de pena; que reconheceu que cada três dias
estudados equivaleriam a um dia de remissão de pena. Isso é
inédito. Realmente, é uma visão de Juízes e Promotores irmanados,
que têm preocupação com os presos.
Houve ainda 101 progressões de regime; 39 regressões de regime; 3
prisões domiciliares, além de concessões de saídas temporárias,
liberações de pecúlio, autorizações para trabalho externo e outros
incidentes. Ressalte-se que, em todos os incidentes, livramento
condicional, indulto e comutação de pena, houve a participação do
egrégio Conselho Penitenciário, órgão colegiado de execução penal
integrado pelo Procurador da República, por Procuradores,
Promotores da Justiça, advogados, criminalistas de renome e
professores universitários.
Isso não é correto. O próprio Deputado deveria aqui destacar que,
no dia 9/8/99, esses mesmos Promotores pediram a interdição da
cadeia pública municipal. Isso fez com que sua capacidade fosse
ampliada. Temos hoje uma vara, que, com todas as dificuldades,
realmente trabalha em favor do preso. Testemunhos poderiam ser
dados pela Pastoral Carcerária. Este Deputado e o Deputado
Sargento Rodrigues lá estiveram na última negociação da fuga. O
Deputado Sargento Rodrigues tem ido lá em outros momentos, e o
Deputado João Leite lá esteve várias vezes. Podemos constatar que
a realidade carcerária em Minas seria outra, se tivéssemos Juízes
e Promotores como esses de Ribeirão das Neves. Está tudo aqui
documentado. Não é conversa à-toa. Cada um desses dados aqui estão
para mostrar que novamente o parlamentar faltou com a verdade num
lugar sagrado, onde só cabe alguma inverdade por engano, na busca
sincera de acertar.
Sobre o Conselho Municipal de Saúde de Ribeirão das Neves e o
Hospital Municipal São Judas Tadeu, o Deputado vinculou os
Promotores e os Juízes à administração passada, do PSDB. É uma
inverdade. Se o seu candidato ganhou as eleições em Neves, é
porque foram limpas, mesmo ouvindo ofensas daquele parlamentar.
Por isso garantiu-se a seriedade no processo eleitoral. E mais
ainda: todos nós acompanhamos esse processo. O Prefeito Aílton -
aquele envolvido com atraso de pagamento dos servidores, com
desvios, com tantas irregularidades -, após as eleições, foi
tirado do cargo, devido a denúncias dos Promotores, enquanto
Deputados daquela cidade, como o Deputado Irani Barbosa, omitiram-
se. Ele não representou, não agiu como deveria agir. Se esses
representantes da magistratura e do Ministério Público estivessem
coniventes, agiriam dessa forma? O Prefeito quis dizer que estava
sendo perseguido. Mas tiveram uma sabedoria muito grande, não
agiram antes do processo eleitoral para não dizerem que o estavam
determinando. Aconteceu no dia seguinte às eleições. Isso é o
correto, demonstra bom-senso. Não é só com a lei que se governa,
mas também com o bom-senso.
Sobre o Conselho Municipal de Ribeirão das Neves, a Presidente da
Câmara Municipal, Maria das Graças de Oliveira Almeida, Gracinha
Barbosa, publicou um decreto legislativo assinado somente por ela,
o Decreto nº 1.201. Ela cassou o Conselho Municipal de Saúde. Que
absurdo! Suspendeu a prerrogativa de funcionamento do Conselho
Municipal. Só que isso é determinado por uma lei federal. É da
alçada do Executivo. Ao mesmo tempo, ele tem mandato determinado,
e só poderia ser tirado qualquer membro por decisão judicial. Ela
não pode interferir na questão executiva, muito menos retirar o
Conselho Municipal de Saúde. Sabe o que ela fez quando cassou o
Conselho Municipal de Saúde, no dia 2/2/2001? O Conselho Estadual
de Saúde de Minas Gerais deliberou, em reunião ordinária, em
12/2/2001, a suspensão imediata do processo de habilitação da
gestão plena do sistema de saúde do município, o que acarretou
imediatamente a não-liberação dos recursos financeiros do
município. Isso foi tão absurdo que o próprio Prefeito Dirceu
Pereira, que é apoiado pela Vereadora Gracinha Barbosa, redigiu um
manifesto, que publicou e encaminhou ao Judiciário, no qual diz:
“Este Executivo é contrário à elação disposta no Decreto nº
12/2001, pelo que o tem sem efeito”.
A palavra “elação”, se o Deputado não sabe, conforme o Aurélio,
significa altivez, arrogância. O Prefeito Dirceu Pereira chama o
ato da Presidente da Câmara de arrogante, porque extrapolou as
suas funções. O Judiciário e o Ministério Público deveriam calar-
se diante disso? Em hipótese nenhuma. Restabeleceu-se o
funcionamento do Conselho. Tenho aqui o decreto autoritário e
ditador da Presidente da Câmara. Seria a mesma coisa que o
Deputado Wanderley Ávila editar um decreto cassando o Conselho
Estadual da Saúde. Se editasse um decreto determinando que o
Atlético fosse campeão, nós, atleticanos, até gostaríamos, mas não
seria válido, porque estaria contra a realidade. De qualquer
maneira, isso não seria função dele.
A denúncia foi a respeito do Hospital Municipal São Judas Tadeu,
da Fundação Pró-Saúde de Ribeirão das Neves. Os Promotores e o
Juiz foram chamados - infelizmente, terei de dizer essas palavras,
pedindo desculpas se vou ferir ouvidos sensíveis de alguém - de
corruptos, safados e capitães do crime organizado de Ribeirão das
Neves. Creio que nenhum parlamentar tenha ouvido, neste Plenário,
expressões desse nível contra alguém. Isso agrediu e feriu a
todos. O Deputado Irani Barbosa, ao se exprimir dessa maneira, não
teve a solidariedade dos colegas.
Houve, então, uma cadeia de irregularidades e de absurdos. A
Presidente da Câmara, Gracinha Barbosa, cassou a Fundação de
Saúde, que foi criada por lei municipal. A concessão de direito
real de uso do hospital foi dada na época em que o Deputado
Eduardo Brandão era Prefeito. Essa concessão real de uso é uma
privatização do hospital, mas não será a Câmara Municipal ou o
Prefeito, por decreto, que acabará com um ato jurídico perfeito. O
contrato que estabeleceu a concessão de direito real de uso - que
vence em setembro - só poderia ser suspenso devido a
irregularidades. Agora, sim, a Prefeitura está dando o passo
certo, entrando com uma ação administrativa, a fim de identificar
as irregularidades. Assim, o hospital voltará a ser do povo. A
culpa não é do Prefeito, dos Promotores ou do Juiz. Apenas
cumpriram o que a lei determina, ou seja, a Vereadora não podia,
por decreto, determinar essa cassação. Será que ela julga que
Ribeirão das Neves se tornará uma republiqueta de bananas, que
aquele que gritar mais alto, que der uma de valente, que der
tiros, que der socos será considerado rei? Em hipótese alguma.
Isso é um absurdo.
Portanto, presto solidariedade ao Juiz e aos dois Promotores.
Tenho a certeza de que não precisam disso, porque seus nomes são
conhecidos pela sociedade daquele município, pelo Judiciário, pelo
Ministério Público. Temos, nesta Casa, Sr. Presidente, a
Corregedoria. Não podemos permitir que tais fatos continuem
acontecendo. As denúncias têm de ser fundamentadas, não podemos
baixar o nível das discussões. Não estou querendo cassar o direito
de ninguém.
Quero repudiar as denúncias contra a jornalista, que foram
gratuitas. Não é crime alguém ter empresa. Se assim o fosse,
muitos Deputados seriam considerados criminosos. Ela sofreu um
ataque pessoal, baixo, e também o Deputado Adelmo Carneiro Leão.
Deputado Irani Barbosa, política não se faz assim. V. Exa., hoje,
está entrando com a CPI do Ministério Público para apurar essas
denúncias. Esse é o procedimento correto. No requerimento, o
Deputado não usa baixaria, por isso o assinei. Todos esses
documentos serão encaminhados à CPI que V. Exa. pediu que fosse
criada, agindo corretamente, mas, com toda a certeza, o feitiço
vai virar contra o feiticeiro. Muito obrigado pelo aparte.
O Deputado Paulo Piau* - Sr. Presidente, terminarei o meu
pronunciamento tecendo comentários sobre a mensagem do Sr.
Governador a respeito do projeto que dá atribuição à Polícia
Florestal para também fazer o policiamento ostensivo no meio
rural. O Governador diz que o projeto é inconstitucional, porque,
como iniciativa de Deputado, “está em franco desacordo com o que
preceitua a Constituição do Estado no art. 66, alínea `f´, segundo
o qual os projetos sobre a organização da Polícia Militar
constituem matéria da iniciativa privativa do Governador do
Estado”. Realmente, o Governador tem razão ao fazer essa
colocação, mas temos já precedentes nesta Casa de projetos com
vício de iniciativa, de grande importância para a sociedade
mineira, que foram sancionados pelo Governador do Estado.
Acreditamos que esse seria o caso e que esta Casa deveria derrubar
o veto. Também ele diz que é contrário ao interesse público,
porque significaria retrocesso no processo funcional da Polícia
Militar, que extinguiu seu batalhão de Polícia Florestal. Esse
argumento não é verdadeiro porque choca com a Proposição de Lei nº
65, que foi encaminhada ao Executivo e que diz, no seu art. 38,
que modificaria, colocando batalhões, companhias, pelotões e
grupos da Polícia Florestal e Rural. Portanto, isso não diminui,
mas valoriza a nossa Polícia Florestal. O § 1º do art. 2º da
proposição de lei diz que a atribuição de que trata o “caput”
desse artigo será exercida preferencialmente pelas Polícias
Florestal e Rural. Esse “preferencialmente” significa uma
complementação dos trabalhos da própria Polícia Militar. Jamais
poderíamos tirar dela essa prerrogativa de fazer a segurança, seja
na zona rural, seja no meio urbano. A Polícia Militar é uma só e é
responsável por todo esse processo de segurança e policiamento
ostensivo para dar guarida ao cidadão mineiro.
Gostaria de mencionar um caso específico, como o do Município do
Prata, que tem quase 5.000km2. Para ir de um extremo ao outro,
gastam-se horas pelas estradas vicinais, que nem sempre são boas.
Portanto, para ir da sede do município aos distritos gasta-se de
1h30min a 2 horas. É um tempo muito longo. Também o município de
Sacramento, na pessoa do Sr. Osvaldo Manzan, Presidente do
Sindicato Rural, está pedindo que façamos algo para diminuir a
violência que ronda o campo.
Dentro desse contexto, gostaríamos de pedir aos Deputados que
dissessem não ao veto do Governador, não por problema político,
não por problema partidário de Oposição, mas simplesmente porque
precisamos de alternativas para dar segurança ao homem do campo.
Fala-se aqui do Fundo de Financiamento para o Ensino Superior - o
FIES. Quero fazer rápido comentário, porque o povo de Minas
Gerais, aliás, de todo o País, está apreensivo. É que o Governo
Federal lançou, neste primeiro semestre, apenas 20 mil créditos
educativos. É um número absolutamente pequeno para as pessoas que
necessitam de um financiamento para continuar os estudos de nível
superior.
Sr. Presidente, temos assistido a cenas e temos certeza de que V.
Exa. também passa por momentos em que é questionado e recebe
pedidos para ajudar a resolver problemas de pais, mães, parentes e
do próprio aluno, que, muitas vezes, tem que deixar uma faculdade.
Isso é lamentável. Volto a repetir que esse é o lado que
questionamos, essa posição social do Governo Fernando Henrique
Cardoso. A partir do momento em que o Brasil tem apenas a metade
dos alunos de curso universitário que deveria ter (....).
Deveríamos ter muito mais universitários no País.
Um estudante faz o seu esforço, passa pelos ensinos fundamental e
médio e consegue adentrar a universidade, mas é obrigado a deixar
os estudos porque não tem recursos financeiros e o País não lhe
pode dar sustentação, nem mesmo um crédito que seja reembolsável.
O crédito educativo não é de graça. Trata-se de um financiamento
que deve ser pago. Como disse o Deputado Dalmo Ribeiro Silva, tem
que ter fiador e garantias. Mas nem assim o Governo Federal está
concedendo empréstimo aos nossos jovens e universitários.
A avaliação do Presidente Fernando Henrique Cardoso é baixa. Hoje
foi divulgado mais um resultado de pesquisa. Isso ocorre por esses
motivos, por não ser criado um crédito educativo. Mas a corrupção
está por aí, como na SUDAM, na SUDENE e nos BANPARÁs da vida. E
por que não dizer, até mais próxima de nós do que imaginamos? A
televisão tem exposto essa corrupção toda no País. Estudantes da
faculdade têm sido obrigados a deixar o seu curso porque não tem
dinheiro para pagar. Isso é revoltante.
Já que estamos falando de policiamento na zona rural, isto tem
tudo a ver: a revolta, a indignação de uma pessoa dessas, que
muitas vezes não encontra o seu caminho certo e parte para lados
piores para contrariar a lei. Nessa situação é que surgem muitos
criminosos. Não queremos dizer ou justificar o fato de haver
criminosos por essa razão, porque a pessoa deve enfrentar a vida
como é. Mas, evidentemente, a frustração pode levar a pessoa a
seguir o caminho do mal.
Portanto, mais uma vez, parabenizamos a Federação de Pais e
Alunos do Estado, que hoje também comemorou, numa promoção do
próprio Governo, o Dia da Família na Escola. Não devia haver esse
dia, porque a família precisa estar integrada à escola todos os
dias. Mas já que isso não existe, é melhor que comemoremos o Dia
da Família. Espero que cada família, cada pai, mãe e parente se
conscientize e faça-se mais presente junto às nossas crianças, aos
nossos jovens e nas escolas, porque a educação não é
responsabilidade apenas da família nem só da escola. Educação é
uma responsabilidade da família e da escola. Obrigado.
* - Sem revisão do orador.