DEPUTADO MAURO LOBO (PSB)
Discurso
Declaração de posição contrária à manutenção do veto à proposição de lei
que dispõe sobre o Programa de Fomento ao Desenvolvimento das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte do Estado de Minas Gerais -
Micro Geraes.
Reunião
348ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/05/2002
Página 27, Coluna 4
Assunto INDÚSTRIA.
Proposições citadas PL 1512 de 2001
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 01/05/2002
Página 27, Coluna 4
Assunto INDÚSTRIA.
Proposições citadas PL 1512 de 2001
348ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 24/4/2002
Palavras do Deputado Mauro Lobo
O Deputado Mauro Lobo* - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
estivemos acompanhando atentamente o processo de tramitação desse
projeto na Casa. Inclusive, fui o relator na Comissão de
Fiscalização Financeira; com o Presidente, Deputado Antônio Júlio,
realizamos várias reuniões com o representante da Secretaria da
Fazenda, com representantes dos diversos segmentos envolvidos com
a microempresa. Discutimos exaustivamente todos os aspectos do
projeto para que pudéssemos apresentar ao povo um projeto
avançado, que estimulasse a criação de microempresas e, mais
ainda, a manutenção das existentes. Esta Casa entendeu essa
proposta, tanto que, por unanimidade, aprovamos esse projeto, que,
infelizmente, numa avaliação errônea do Governo, foi totalmente
vetado. Para que apoiar microempresa? Por que a Constituição
Federal e a Estadual garantem tratamento especial às micro e
pequenas empresas? Exatamente porque sabemos que não há forma mais
econômica, eficiente e eficaz de gerar emprego e renda do que a
microempresa.
O Governo mandou recentemente proposições de lei pedindo
autorização, inclusive, para investimento, um financiamento do
Banco do Nordeste para a região mineira da SUDENE no valor de
R$300.000.000,00. É importante a aprovação desse projeto, porque
vamos injetar R$300.000.000,00 na área mineira da SUDENE. Agora,
pergunto: não é muito mais fácil criar emprego e gerar renda na
região mineira da SUDENE do que por meio do estímulo à micro e
pequena empresa? É um investimento muito menor e com retorno
imediato. O que deveríamos fazer não é criar entraves para a
microempresa. Sabemos que a concentração de renda existente também
nas atividades econômicas leva um número reduzido de empresas a
constituir 95% da arrecadação de ICMS do Estado. Para que vamos
complicar a vida das milhares de empresas que representam muito em
termos de geração de emprego e renda, mas muito pouco em termos de
geração de impostos para o Estado? Acho que seria muito mais
racional defender os pequenos. São eles que, com sua quantidade,
podem representar equilíbrio social e econômico para o Estado e
diversas regiões. A microempresa se instala em qualquer lugar, por
piores que sejam as condições sócio-econômicas da região. É a
pequena empresa que está ali. É o pequeno empresário do comércio,
do serviço e da indústria que se instala em qualquer lugar, com
aquela vocação de empreendedor, muitas vezes familiar, e, com seu
trabalho, consegue levar adiante sua vontade, vocação e
competência para empreender. Sabemos que a microempresa tem um
ciclo de vida muito pequeno. Precisamos ter mecanismos para
facilitar sua vida e seu dia-a-dia, mas também para facilitar sua
gestão para que perdure e cresça, deixe de ser micro e se torne
empresa média ou grande. O que estamos vendo é uma discussão sem
rumo, que não quer realmente entender essa dificuldade da micro e
da pequena empresa. O próprio Governo, por mais de dois anos,
deixou de cumprir a lei, que previa que, seis meses após sua
vigência, haveria revisão. E não foi feita. O Governo vinha
cobrando essa taxa instituída do diferencial do ICMS quando compra
fora do Estado, cobrando também o diferencial nas compras
efetuadas dentro do Estado na situação em que houvesse a redução
da alíquota do ICMS.
Ora, se a alíquota era 18% e, por alguma razão, o próprio Governo
a reduziu para 12%, era cobrada do microempresário essa diferença,
mesmo nas compras dentro do Estado. Isso mostra a má-vontade da
Secretaria da Fazenda para com as microempresas. Isso era contra a
lei, e a própria Secretaria reconheceu que foi apenas um equívoco.
Mas penso que foi muito além de um equívoco, foi usurpação,
arbitrariedade da Secretaria da Fazenda para com o
microempresário.
Estamos prestes a votar esse veto e sabemos que as entidades
empresariais lamentavelmente não chegam a um consenso sobre
assunto de tamanha importância. Há entidades que participaram da
elaboração de um novo projeto, e não houve coesão nem consenso
entre elas. Tive a oportunidade de falar neste Plenário, quando as
instituições empresariais que mantêm o SEBRAE perderam o controle
deste, tornando-se uma instituição cuja gestão é definida pelo
Governo do Estado. E os empresários perderam porque não souberam
ir além das questões pessoais e discutir aquilo que seria de
interesse para o nosso Estado. Será que cairão no mesmo erro de
não saber se unir para um interesse maior, devido a questões
menores? É lamentável que isso tenha ocorrido no caso do SEBRAE,
quando me posicionei em Plenário, denunciando a falta de
entendimento. É também lamentável que, neste momento, uma situação
que atinge 250 mil microempresários não consiga chegar a um
consenso. Essa é a proposta não dos empresários nem das
instituições que os representam, mas sim daqueles pequenos, que
precisam do apoio desta Casa. Se as próprias instituições não
conseguem dar-lhes apoio, creio que não podemos fugir à nossa
responsabilidade. Não precisamos ficar defendendo as grandes
empresas, porque têm canais competentes para tanto. Mas, se os
micro e pequenos empresários não tiverem esta Casa do seu lado,
não terão mais ninguém.
Portanto, faço este veemente apelo: não abandonemos os pequenos
empresários de Minas, não abandonemos os microempresários à sua
sorte ou à vontade do Governo, que nem sempre é a melhor para
Minas ou para eles. Vamos, sim, protegê-los, porque, se esta
Assembléia não defende o microempresário, o desempregado, o baixo
assalariado, não teremos ninguém para defendê-los e estaríamos
fugindo a nossa responsabilidade. Apelo aos meus pares: não
fujamos, não deixemos de lado os que precisam do nosso apoio, do
nosso argumento. Não queremos a proteção paternalista, mas aquela
em que o microempresário tenha condições de gerar renda para si e
sua família e, ainda, gerar empregos. Aí, sim, estaremos dando uma
resposta mais imediata ao problema que vivenciamos todos os dias,
que é a solicitação de emprego. Hoje nossos jovens não encontram
emprego, e, quando podemos fazer alguma coisa por meio da
microempresa, vamos fugir à nossa responsabilidade? Trabalhemos
para derrubar esse veto, a fim de que seja aprovado esse projeto,
amplamente discutido com o Governo, que, se não colocou
anteriormente sua posição, não quis fazê-lo. A Presidência desta
Casa e vários Deputados participaram de reuniões visando chegar ao
consenso, e entendíamos que esse consenso havia sido conseguido
quando da votação do projeto nesta Casa. Obrigado.
* - Sem revisão do orador.