DEPUTADO MÁRCIO CUNHA (PMDB)
Discurso
Comenta a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto - ETE - do
Ribeirão Arrudas, no Município de Belo Horizonte. Declaração de posição
favorável ao projeto de lei, de sua autoria, que dá a denominação de
Estação de Tratamento de Esgoto Burle Max à ETE Arrudas.
Reunião
299ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 31/10/2001
Página 39, Coluna 4
Assunto SANEAMENTO BÁSICO. HOMENAGEM.
Proposições citadas PL 1473 de 2001
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 31/10/2001
Página 39, Coluna 4
Assunto SANEAMENTO BÁSICO. HOMENAGEM.
Proposições citadas PL 1473 de 2001
299ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 25/10/2001
Palavras do Deputado Márcio Cunha
O Deputado Márcio Cunha* - Sr. Presidente, Sr. Secretário, Srs.
Deputados, Sras. Deputadas, visitantes, imprensa presente,
telespectadores da TV do Legislativo, tenho o orgulho redobrado e
diria até mesmo remoçado de estar aqui hoje nesta tribuna para
tratar de um assunto que foi objeto de divulgação da imprensa nos
últimos dias, especificamente no dia 17 deste mês: nós, no Bairro
Caetano Furquim, divisa com Sabará, juntamente com o nosso
Governador Itamar Franco, nosso Vice-Governador Newton Cardoso,
com o Presidente da COPASA, com o Prefeito de Sabará e tantas
outras autoridades, inauguramos a ETE Arrudas.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, no ano que vem faço 20 anos de
parlamentar mineiro: 16 anos como Vereador e 4 como Deputado
Estadual. Talvez muitos dos Srs. Deputados não saibam que, na
verdade, a inauguração da ETE Arrudas tem que ser vista não apenas
como uma conquista do povo mineiro, mas especialmente como a
realização de um sonho de muita gente. Um sonho de Belo Horizonte,
de Minas, do Brasil, mas, acima de tudo, um sonho especialmente da
região leste da nossa Capital.
No início da década de 80, elegendo-me Vereador por Belo
Horizonte, estabeleci uma prioridade em meu mandato. Fui
testemunha viva de pessoas que se foram nas águas do Arrudas,
exatamente na região leste da cidade, na ponte da Rua Felipe
Camarão, no Bairro Esplanada. Lembro-me como se fosse hoje da
famosa enchente de 3/1/1982, quando ali perdemos vizinhos, quando
perdi também uma aluna chamada Andrea. Naquele dia fiz um
juramento para mim mesmo: que o meu mandato estaria a serviço
daquela comunidade e que nós iríamos, naquele momento, estabelecer
a prioridade da canalização do Arrudas da Ponte do Perrela para
baixo, a extinta Ponte do Perrela. Naquela oportunidade, no início
da década de 80, tínhamos os recursos garantidos para a
canalização do ribeirão Arrudas apenas no centro da cidade, mas
não para a região leste da cidade. Aquela região transformava-se
num verdadeiro canhão hidráulico, já que a canalização do rio na
área central da cidade, levaria, sem dúvida alguma, como levou, a
destruição e a dificuldade para as pessoas que viviam às margens
do ribeirão Arrudas. Portanto, mais especificamente em 1983/1984,
lançamos o movimento S.O.S. Arrudas, que tinha o objetivo de levar
a canalização do Arrudas até o Bairro Caetano Furquim, transpondo
o Município de Belo Horizonte. Felizmente, esse movimento foi
vitorioso.
Agora, saio do início da década de 80 e passo para o início da de
90. Quando já tínhamos certeza da canalização até o Bairro Caetano
Furquim, lançamos, através do seminário Despoluição do Arrudas, a
necessidade de despoluirmos o ribeirão do Arrudas. Fizemos esse
seminário, envolvemos toda a comunidade mineira, todos os
ecologistas e ambientalistas. Naquela oportunidade, aliás,
consagrei como cidadão honorário de Belo Horizonte o paisagista
Roberto Burle Marx.
Nós o trouxemos a Belo Horizonte, quando esteve em reunião
conosco, almoçando no mesmo local em que no dia 17 passado
inaugurávamos a ETE Arrudas. Para nós, mineiros e brasileiros,
comemorar esse feito, é a realização de um grande sonho. Fiz
questão de trazer tudo por escrito para que fique gravado nos
anais da Casa que estamos aqui comemorando importante conquista do
povo. Ao canalizarmos e despoluirmos o ribeirão Arrudas, estamos,
na verdade, despoluindo o rio das Velhas, que, por sua vez,
despolui o rio São Francisco, rio da Unidade Nacional que percorre
cinco Estados. Esse ato do Governador Itamar Franco, juntamente
com o Vice-Governador Newton Cardoso, favorece Minas e o Brasil.
No dia 17 deste mês, juntamente com outros colegas desta
Assembléia Legislativa, tive a honra de participar da solenidade
de inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto de Belo
Horizonte. Naquele dia, o Exmo. Governador Itamar Franco, o Dr.
Marcelo Siqueira, Presidente da Companhia de Saneamento de Minas
Gerais, e outras autoridades importantes de nossa cidade e Estado
também puderam comemorar a conclusão da primeira etapa dessa
grande obra do Governo de Minas, na qual foram investidos mais de
R$80.000.000,00 com recursos da própria COPASA e do BDMG, que
também financia outras ETEs no interior do Estado. Recentemente,
estivemos em São Roque de Minas, quando comemoramos os 500 anos da
descoberta do rio São Francisco, onde o Sr. Governador também
lançou a ETEs dessa cidade.
Segundo o Presidente Marcelo Siqueira, numa segunda etapa, a ETE
estará capacitada para remover 90% da carga de sólidos e dejetos
orgânica dos esgotos do Arrudas. Isso vai possibilitar melhorar a
qualidade de vida na Capital mineira e devolver a vida ao rio das
Velhas, já que todo o esgoto do Arrudas é despejado “in natura”
nesse importante rio, afluente de outro ainda mais importante, o
rio São Francisco. Esta, sim, é uma obra de reivindicação.
Essa obra tem grande significado para mim e para todos os
moradores da região Leste de Belo Horizonte. Nas décadas de 1980 e
1990, iniciamos um grande movimento, denominado SOS Arrudas, que
visava a promover o saneamento e a despoluição do ribeirão, que
tantos transtornos e sofrimento causava aos moradores dos Bairros
Santa Efigênia, Pompéia, Esplanada, Horto, São Geraldo, Vera Cruz,
Alto Vera Cruz, Boa Vista, Nova Vista e tantos outros. Em 1992,
promovemos em conjunto com a COPASA um seminário para discutir
essa questão. Naquela oportunidade, debatemos o assunto com o
grande paisagista brasileiro, de renome internacional, Roberto
Burle Marx, que defendia a imediata construção de uma estação de
tratamento de esgotos na Capital mineira. Infelizmente, esse
assunto trazia pouca ou nenhuma sensibilidade aos nossos
governadores. Somente em maio de 1999 a construção da ETE foi
autorizada pelo Governador Itamar Franco, tendo as obras começado
em julho desse mesmo ano. E faço uma pausa para fazer justiça ao
nosso ex-Governador Newton Cardoso, que, naquela oportunidade,
enquanto Governador, disponibilizou o terreno para que,
futuramente, pudéssemos construir a ETE Arrudas.
Em abril de 2001, com as obras da ETE bem adiantadas, apresentei
o Projeto de Lei nº 1.473, sugerindo o nome de Burle Marx para
esta ETE da COPASA. Na minha justificação, apontei para a
importância dessa ETE, obra em defesa do meio ambiente e da
população brasileira, pois vai beneficiar os rios das Velhas e São
Francisco. Ressalto que, concluída, a ETE Arrudas estará
capacitada para remover 90% da carga orgânica e de sólidos dos
esgotos domésticos e industriais coletados em Belo Horizonte e
Contagem, lançadas no ribeirão Arrudas.
Portanto, Sr. Presidente, esse projeto já foi aprovado por esta
Casa e está praticamente nas mãos do Governador Itamar Franco. E,
quando inauguramos a ETE Arrudas, tive a oportunidade de conversar
pessoalmente com o Governador, que, sensibilizado, prometeu a este
Deputado que irá sancionar essa lei, fazendo essa justa homenagem
e resgatando um pouco da história da construção da ETE Arrudas,
que doravante se chamará Paisagista Roberto Burle Marx. Mas por
que Burle Marx? É que, além da participação do paisagista nas
questões do meio ambiente em BH - basta lembrarmos a Praça da
Assembléia e o Parque das Mangabeiras, obras de Burle Marx de
vital importância para nossa cidade -, a ETE está instalada numa
área de 638.000m2, na região de Marzagânia, no Município de
Sabará. Na verdade, confrontante com Belo Horizonte, eu chamaria a
atenção dos Bairros Caetano Furquim, Casa Branca e outros. E
possui uma extensa área verde, fator que nos remete ao paisagista,
defensor intransigente da preservação desses espaços para a
melhoria da qualidade de vida da população e geral.
Como dissemos acima, em 3/4/92, realizamos, na Câmara Municipal
de Belo Horizonte, onde exercia mandato de Vereador, um seminário
para tratar das questões sanitárias e da recuperação da bacia do
Arrudas, bem como um futuro tratamento dos esgotos até então
lançados no ribeirão. Na ocasião, pudemos contar com a presença e
o conhecimento do paisagista Roberto Burle Marx, a quem tive a
honra de indicar para receber o título de Cidadão Honorário de
Belo Horizonte, no ano de 1987, época em que pessoalmente
entreguei ao renomado paisagista essa condecoração. Por sua
preocupação com nossa cidade, o paisagista fez questão de conhecer
de perto o local onde seria instalada a ETE Arrudas e aconselhou
que se fizesse a recomposição e a melhoria da área verde na
região.
Hoje está feito e, para ser comprovado, basta apenas que as
pessoas se dirijam àquela região, para ver de perto essa obra
fantástica do Governo de Minas, a qual - insisto - não serve
apenas à região Leste da cidade, que começou esse movimento, mas
serve a Belo Horizonte, a Minas e ao Brasil. Assim, senhoras e
senhores, é a dimensão dessa obra que nos levou a sugerir o nome
de Burle Marx para batizar a ETE do Arrudas. No dia da inauguração
da primeira ETE, obtive do Governador Itamar Franco a promessa da
sanção de nosso projeto, que, por sua dimensão e alcance social e
ambiental, fará jus ao nome desse grande brasileiro, que
infelizmente nos deixou em 1994, aos 82 anos de idade, mas está
ligado para sempre à história do paisagismo nacional, sendo um dos
brasileiros mais consagrados no Brasil e no exterior.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, ao fazer para V. Exas. o
relatório dessa importante luta que começou no início da década de
80, com o Movimento SOS Arrudas e, depois, com esse seminário e
com a convocação da sociedade mineira para participar dessa
importante obra, sinto-me feliz, com a consciência de que,
efetivamente lutamos por uma das maiores obras que Belo Horizonte
já teve. Muito obrigado, Sr. Presidente, Srs. Deputados.
* - Sem revisão do orador.