Sociedade: Fernanda Otoni
Há mais de 30 anos, a psicanalista se dedica a valorizar a individualidade dos sujeitos. Essa atuação se dá tanto na Vara de Família do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, onde é servidora desde o início da década de 1990, quanto, principalmente, à frente do programa PAI-PJ, idealizado por ela e que propõe uma atenção integral e personalizada a pessoas com sofrimento mental que cometeram algum delito. “Nunca encontrei o perigo, mas sujeitos angustiados - que não foram ouvidos - e que não encontraram uma forma de dar vazão ao seu sofrimento.” Na contramão do punitivismo social, Otoni desconstrói a ideia de que, por serem inimputáveis, esses indivíduos não respondem por seus crimes. A responsabilização, segundo ela, é um princípio do programa e parte, muitas vezes, dos próprios pacientes. “Quando essas pessoas são ouvidas, respondem que uma outra saída é possível, que não o encarceramento em manicômios penais. Faz toda a diferença para onde aponta a aposta”, sintetiza.