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Violência contra a mulher e enchentes na Mata e no Norte marcam discursos

Parlamentares se chocam com a notícia do estupro de adolescente de 17 anos por cinco jovens, no Rio de Janeiro, no dia 31 de janeiro.

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A violência contra a mulher e os estragos provocados pelas chuvas na Zona da Mata e no Norte de Minas marcaram os pronunciamentos no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na reunião desta terça-feira (3/3/26), foram feitos minutos de silêncio em homenagem às vítimas.

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A deputada Ana Paula Siqueira (Rede) se revoltou com a notícia do estupro de uma adolescente de 17 anos por cinco homens, em Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 31 de janeiro: “A jovem caiu numa emboscada e foi violentada por cinco colegas de escola num apartamento, absurdo!”. Ela lembrou que, em 2025, 1.492 mulheres foram mortas e que a cada 6 horas se registra um estupro no País. Minas é o segundo estado mais violento e mais letal contra as mulheres.

A parlamentar cobrou do Governo de Minas a implementação de projetos aprovados na Assembleia que priorizam as mulheres. Um deles leva noções básicas da Lei Maria da Penha para as escolas. Por fim, convidou a todos para a edição do Sempre-vivas 2026, na ALMG, que terá como tema “Educar, decidir e efetivar: bases para o enfrentamento à violência contra a mulher”.

Também a deputada Lohanna (PV) considerou difícil ter uma fala esperançosa diante da notícia do estupro da jovem no Rio. “Mas quero falar especialmente para os homens; precisamos demandar mais deles; quem está matando as mulheres são os homens; precisamos discutir como as estruturas de poder estão sendo construídas”, refletiu.

Nesse sentido, ela divulgou duas proposições para mudar tais estruturas, destinando percentual de vagas para mulheres: uma proposta de emenda à constituição (PEC) que garante 30% das vagas de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (de autoria de Lohanna); e um projeto de lei que garante 40% das vagas das estatais e das empresas públicas de Minas. “Esses projetos não avançam porque extrapolam o simbólico - as flores, os chocolates – e propõe alterar estruturas de poder”, criticou.

Também tratando dessa questão, a deputada Bella Gonçalves (Psol) manifestou, “mais do que o repúdio, o nojo de uma sociedade que produz essa notícia do estupro”. Para a deputada, a situação leva as mulheres a terem medo de andar nas ruas e serem emboscadas.

Outra notícia lamentada por ela foi a do desembargador mineiro que, primeiramente, absolveu um cidadão de 35 anos que tinha relações sexuais com uma menina de 12 anos e, diante da repercussão negativa, reviu a decisão. “Precisamos de campanha de engajamento para enfrentar a violência contra as mulheres e contra crianças e adolescentes. Chega!”, exaltou-se.

Por outro lado, Bruno Engler (PL) repercutiu a notícia do estupro, mas sob outro enfoque. Ele lembrou que foi o ex-namorado da adolescente que a levou para a emboscada e, apesar dessa ação bárbara, só pode ser condenado a uma pena máxima de 3 anos de internação. “É um absurdo – cinco marginais estupradores abusando de uma menina indefesa”.

Na opinião dele, um debate sério sobre o tema tem que tratar necessariamente de punição: “É preciso falar de redução da maioridade penal porque o estuprador de 17 anos sabe muito bem que o que está fazendo, não é criança; é vagabundo e tem que ser tratado e punido como tal”. Ainda para o deputado, a certeza da impunidade traz a criminalidade e o adolescente sabe disso.

Cantora Adriana Araújo é homenageada

Já a deputada Andreia de Jesus (PT) pediu um minuto de silêncio em homenagem à cantora Adriana Araújo, 49, que morreu nesta segunda (2), vítima de aneurisma cerebral. “Foi silenciada a voz dessa sambista, favelada, ‘cria’ da Pedreira Prado Lopes, em Belo Horizonte, que enfrentou preconceitos inclusive no samba, devido ao machismo estrutural”, lamentou a parlamentar.

Na avaliação dela, a morte da artista poderia ter sido evitada: “Os negros carregam doenças, como hipertensão e diabetes, que decorrem do período da escravidão e que já poderiam ter sido erradicadas; o racismo empurra a gente para sofrer essas consequências”.

Nessa perspectiva, Andreia de Jesus refletiu que a maioria das mortes causadas pelas últimas enchentes poderia ser evitada, se houvesse planejamento para as cidades. “O problema é que as pessoas pobres e negras são obrigadas a ocupar áreas de risco”, embasou.

Deputados repercutem enchentes na Zona da Mata e no Norte de Minas

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Após minuto de silêncio pedido pelo deputado Charles Santos (Republicanos) em memória das vítimas das chuvas na Zona da Mata (65 mortos em Juiz de Fora, sete em Ubá e um desaparecido), outros deputados foram à tribuna para falar das enchentes na região e ainda no Norte de Minas.

Cristiano Silveira (PT) destacou a visita do presidente Lula à região da Mata, na última semana: “Ele andou pelas ruas, abraçou e ouviu atingidos”. Por outro lado, o parlamentar criticou o governador Romeu Zema (Novo), que no mesmo dia da visita estava em São Paulo “defendendo golpistas e a anistia do (ex-presidente) Jair Bolsonaro”.

O parlamentar condenou ainda o fato de o governo ter cortado mais de 95% do orçamento do Estado para prevenção das enchentes e não ter apresentado nenhum projeto para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que disponibilizou R$ 3,5 bilhões para Minas. Por último, comparou a postura de Lula com a de Bolsonaro em relação ao apoio às vítimas das enchentes: “o ex-presidente, quando houve enchente na Bahia, foi andar de jet ski”.

O deputado Ricardo Campos (PT) manifestou pesar pelas vítimas das chuvas na Zona da Mata e no Norte. Ele destacou a situação calamitosa em Porteirinha (Norte), onde uma barragem começou a se romper, com a água atingindo centenas de famílias. Anunciou ter conseguido apoio do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, da Força Nacional, da Codevasf e da Agência Nacional de Aguas (ANA) para entrega de cestas básicas para as populações atingidas na região.

Ao mesmo tempo, Ricardo Campos criticou o governo mineiro por ter cortado verba para as enchentes e pela falta de investimentos no Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas (Idene). Enquanto isso, o governo federal anuncia recursos para obras no Norte, Noroeste e Vale do Mucuri, atingidos pelas chuvas. Ele anunciou que, no Plano Mineiro de Enfrentamento a Pobreza, vai tentar garantir recursos vinculados para a Defesa civil.

O deputado Carlos Pimenta (PDT) registrou preocupação com as chuvas no Norte de Minas, especialmente em Porteirinha, Mato Verde, Espinosa, Rio Pardo de Minas e Montes Claros. “Houve rompimento parcial da barragem do Lages, da Codevasf, e se ocorrerem outras pancadas de chuva, ela pode se romper totalmente”, alertou.

O transbordamento do Rio Mosquito, que provocou o caos em Porteirinha, também foi lembrado. “O governo federal já reconheceu estado de calamidade pública nessa cidade; e o prefeito Silvanei se envolveu totalmente nos trabalhos”, afirmou. O deputado ainda cumprimentou o vice-governador, Mateus Simões, que se dispôs a ajudar toda a região atingida. “O Estado deve estar atento, parceiro, solidário e ágil nessa ação”, concluiu. 

Moradia

Já o deputado Leleco Pimentel (PT) lembrou o aniversário da colega Beatriz Cerqueira (PT), nesta terça (3). Ele ainda destacou a homenagem na ALMG à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pela campanha da fraternidade deste ano, que trata da moradia. “Há 11 milhões de imóveis urbanos desocupados urbanos; prédios e casas suficientes para acabar com o deficit habitacional, de 6 milhões de imóveis”, avaliou. 

ALMG busca agilizar estado de calamidade pública

Ainda na reunião, foi lida decisão da Mesa da Assembleia, que modifica o tratamento do Legislativo à declaração do estado de calamidade pública, buscando dar agilidade ao instrumento. Dessa forma, ficou estabelecido que o ofício solicitando o reconhecimento da calamidade pública será recebido, publicado e encaminhado à Mesa da Assembleia, para parecer.

Esse ofício deverá ser acompanhado das publicações dos decretos: municipal, que declara o estado de calamidade, e do chefe do Poder Executivo estadual, que reconhece a calamidade do município.

Ainda segundo a decisão, o parecer da Mesa favorável a esse reconhecimento concluirá pela apresentação de projeto de resolução ratificando o decreto municipal que declara o estado de calamidade.

Uma vez recebido em Plenário, o projeto de resolução será publicado e incluído em ordem do dia, sem parecer, para discussão e votação em turno único. A rejeição do projeto, no todo ou em parte, implicará deliberação contrária ao seu teor.

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Requerimento de candidatura ao TCE é deferido

Por fim, foi anunciado o deferimento do requerimento que traz a candidatura do presidente da ALMG, deputado Tadeu Leite (MDB) ao cargo de conselheiro do TCE. Foi informado ainda que o requerimento foi encaminhado à Comissão Especial para análise, como prevê o Regimento Interno.

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Plenário repercute o estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro e os estragos causados pelas chuvas TV Assembleia

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