Trabalhadores da Copasa denunciam precarização e adoecimento
Nesta sexta (3), comissão recebeu sindicalistas preocupados com a retirada dos direitos.
Mesmo com a garantia de 18 meses de estabilidade após a conclusão da privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), os trabalhadores da empresa estão sendo pressionados a aceitar transferências para locais distantes até 900 quilômetros da própria residência. Essa foi a principal denúncia recebida pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta sexta-feira (3/7/26).
Durante audiência pública realizada no Auditório do andar SE, representantes manifestaram preocupação com o adoecimento mental causado pela precarização das condições de trabalho. O relato do diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua), Wanderci Gomes, sintetizou a situação.
Segundo ele, trabalhadores estabelecidos há quase 40 anos em um mesmo município estão sendo surpreendidos por e-mail com o aviso sobre a necessidade de se apresentar para atuar em outra unidade. Se ela estiver situada a até 75 quilômetros, a Copasa não oferece ajuda de custos.
Para distâncias entre 75 e 150 quilômetros, o auxílio é de R$ 1.621 e, acima dessa quilometragem, a indenização é de até um salário do trabalhador. Sem apoio psicológico, respeito pela situação familiar e consideração sobre as condições financeiras para providenciar residência em outra cidade, o trabalhador se sente pressionado a aceitar o deslocamento imposto ou pedir demissão.
Conforme o dirigente do Sindágua, há registro de três casos de suicídio possivelmente relacionados ao adoecimento mental de trabalhadores que não suportaram a piora no ambiente laboral. Dos cerca de 9 mil funcionários, aproximadamente 3 mil estão sendo transferidos de maneira forçada.
“Nunca vi tanta maldade. De todos os processos de privatização que eu vivenciei, o da Copasa é inédito", desabafou a coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador, Marta de Freitas. Ela observa que, ignorando a Norma Regulamentadora 1 (NR 1), a empresa não apresenta programa de gerenciamento dos riscos psicossociais.
O superintendente regional do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Alberto Calazans, frisou que está à disposição dos trabalhadores e da comissão. "Assim que eu tiver a data da reunião que vamos realizar para discutir todos os problemas oriundos da privatização da Copasa, entrarei em contato", garantiu.
Responsável por solicitar a audiência, o deputado Betão (PT) anunciou, como encaminhamento, o pedido de suspensão e reversão das transferências até averiguação dos casos. Entre outras questões, ele deseja saber se os gestores da Copasa estão consultando trabalhadores e representantes sindicais acerca dos deslocamentos e se estão respeitando a NR 1.