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Projetos esportivos podem perder financiamento com a reforma tributária

A partir de 2033, estados e municípios não poderão conceder mais benefícios vinculados à renúncia de receita.

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Elaborada para simplificar o complexo regime fiscal brasileiro, a reforma tributária pode atingir, de forma colateral, o financiamento de projetos esportivos, hoje em grande parte dependentes de leis de incentivo. A preocupação do setor foi tema de audiência pública da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (16/3/26).

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A reforma será implementada gradativamente até 2033, com a unificação de tributos estaduais, por meio do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), e de impostos federais, mediante a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Ou seja, o IBS substituirá o ICMS, do Estado, e o ISS, dos municípios.

Adicionalmente, a reforma tributária proibirá renúncias de receita por parte dos Estados, com vistas a acabar com a chamada guerra fiscal. Não poderão ser criadas, assim, fontes de financiamento com outros impostos, depois do fim do ICMS.

Daí vem o desespero do setor com as mudanças a caminho. Projetos esportivos sociais e de formação de atletas, desenvolvidos por associações sem fins lucrativos, atualmente sobrevivem justamente do repasse de recursos vinculados ao ICMS devido por empresas, entendido como um mecanismo de renúncia fiscal estadual.

Além disso, em Minas Gerais, vigora o ICMS Esportivo, um critério da Lei Robin Hood que destina aos municípios que fomentam atividades esportivas um percentual da arrecadação com o ICMS.

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Mobilização política

A audiência foi solicitada pelo deputado Coronel Henrique (PL), presidente da Comissão de Esporte. Ele destacou a importância de leis de incentivo, em Minas Gerais ampliada pela entrada em vigor de norma de sua autoria que triplicou o limite anual para captação de recursos para o esporte com a iniciativa privada – o percentual saltou de 0,05% da receita líquida anual do ICMS para 0,15%.

Uma das alternativas para a situação de penúria que se avizinha é uma proposta de emenda à Constituição (PEC) em discussão no Congresso Nacional, autorizando estados e municípios a instituírem programas de fomento indireto ao esporte, como acontece com o ICMS.

Nesse sentido, Coronel Henrique ressaltou a necessidade de mobilização do setor, tendo em vista que “tudo se resolve na política”.

Na mesma linha, Cléber Augusto Dias, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), abordou a relevância de publicizar os efeitos positivos das leis de incentivo em toda a cadeia do esporte, envolvendo cada vez mais pessoas e entidades nesse processo.

Assim como outros convidados, o professor também ressaltou a necessidade de manter em curso e aprimorar a lei de incentivo até 2033, quando está prevista a mudança definitiva. Uma de suas propostas é o aprimoramento da governança dos recursos captados, hoje direcionados totalmente para onde as empresas desejam, desvinculados do bem público.

Thiago Alvim, sócio da start-up Prosas, defendeu que o aporte indireto, via recursos de impostos, não se configura como um benefício fiscal às empresas, as quais não deixam de pagar o ICMS, apenas repassando parte do imposto aos projetos esportivos.

Rafael Silva, da Associação Natividade, sugeriu outra medida para driblar a proibição de aporte indireto: a vinculação ao critério educacional na alocação do IBS, tendo em vista a transversalidade do esporte. O deputado Roberto Andrade (PRD) e o deputado federal Sérgio Santos Rodrigues (Podemos) também salientaram essa característica do esporte, presente na formação de cidadãos, na inclusão e no desenvolvimento social.

Outra contribuição que surgiu do debate foi a possibilidade de financiamento de projetos esportivos por meio de fundos, como acontece na cultura. Se a legislação não vai permitir o repasse de parte dos recursos arrecadados com o ICMS, o Estado pode, por sua conta, alimentar esse fundo com sua receita própria, inclusive de impostos.

Captação de recursos em Minas

Eduardo Silveira, assessor especial da Secretaria de Estado de Fazenda, e Nina Carvalho, superintendente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, apresentaram o panorama atual do incentivo ao esporte em Minas.

Em 2025, foram disponibilizados para captação R$ 89 milhões, valor que saltou para R$ 96 milhões em 2026.

No ano passado, foram efetivamente executados R$ 57 milhões, em 191 projetos, em 73 municípios, com 58 mil beneficiários diretos.

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Comissão de Esporte, Lazer e Juventude - debate sobre os impactos da reforma tributária no esporte
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Novas regras para financiamento do esporte são debatidas na Assembleia TV Assembleia

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