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Morango egípcio ameaça produção do Sul de Minas

Maior produtora da América Latina, região aponta concorrência desleal como fator de desestabilização da atividade.

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O morango congelado importado do Egito está invadindo o mercado brasileiro, por sua qualidade, disponibilidade contínua e baixo preço. No entanto, a entrada massiva no País também se deve à concorrência desleal, impulsionada pela prática de dumping, de acordo com os produtores do Sul de Minas, maior região produtora da América Latina.

Para debater alternativas em busca da sustentabilidade econômica dos produtores mineiros, a Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) se reuniu, nesta terça-feira (10/3/26), em audiência pública.

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O encontro foi solicitado pelo deputado Dr. Maurício (Novo), o qual destacou a importância da produção de morangos, especialmente na microrregião de Pouso Alegre, para a geração de emprego e renda, o desenvolvimento local e a permanência dos produtores no campo.

Segundo o deputado, enquanto o morango egípcio é comercializado em média a R$ 15 no mercado interno, é exportado pelo preço médio de R$ 7,50 ao Brasil, um forte indício de dumping, prática comercial na qual as empresas exportam produtos a preços artificialmente baixos para eliminar a concorrência e dominar mercados.

O custo médio de produção do morango em Minas, conforme Dr. Maurício, é de R$ 8,50, o que faria os produtores amargarem prejuízos, vendendo abaixo do preço de custo.

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Os deputados Coronel Henrique e Antonio Carlos Arantes, ambos do PL, lembraram desafios semelhantes enfrentados por outros setores, a exemplo dos produtores de leite e de tilápia. No entender dos parlamentares, o agronegócio paga o preço do desequilíbrio da política econômica do governo federal, com o aumento de despesas e a consequente elevação de tributos, como medida compensatória.

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Já para Mariana Gabriela Marotta, analista da Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado), a origem do problema remonta ao acordo de livre comércio Mercosul-Egito. O pacto estabeleceu a progressiva diminuição de tarifas de importação do morango egípcio, as quais já acumulavam aproximadamente 60% de redução em 2022.

Ela citou o exemplo específico de um produtor que, de 2024 para 2025, perdeu 55% de valor no preço de caixas embaladas, pressionado pelos preços agressivos do produto de fora, enquanto os custos de produção subiram. O morango vendido diretamente à indústria chegou a um terço do valor, no mesmo período.

Deny Sanábio, representante da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado (Emater), reforçou o diagnóstico de concorrência desleal, devido à discrepância de exigências trabalhistas e ambientais para a produção de morango no Brasil, no Egito e na China, outro país exportador.

Mário Sérgio Carvalho, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), levantou outro aspecto a ser observado pelas autoridades competentes: a análise fitossanitária do produto importado, para identificar possíveis pragas, doenças, fungos, bactérias ou vírus no morango congelado.

Diversos vereadores e prefeitos do Sul de Minas ratificaram os argumentos apresentados pelos convidados da audiência, ao relatarem as dificuldades enfrentadas pelos produtores.

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Produção de morangos em números

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) comparou importação e exportação de morango no País de 2024 para 2025. Houve um salto de quase 250% no valor e de 165% no volume das importações, informou Maíra Ávila, coordenadora da pasta.

Grande parte do morango importado chegou in natura (89%), sendo 83% deles provenientes do Egito. A produção mineira, por sua vez, está concentrada na agricultura familiar (98%).

As exportações, como era de se esperar, caíram 87% em valor e 97% em volume no mesmo período.

Como desdobramento dos debates, o deputado Dr. Maurício apresentou requerimentos com o objetivo de aprofundar as questões levantadas pelos participantes, como a investigação da prática de dumping, a identificação clara dos produtos importados e a análise sanitária do morango com origem no exterior.

Comissão de Agropecuária e Agroindústria - debate sobre a importação de morango congelado
“Comprovada a prática criminosa, o governo federal poderia proibir ou taxar a importação. Não se trata de protecionismo nem de restringir a livre iniciativa, e sim de busca por transparência, equilíbrio concorrencial e preservação da cadeia produtiva.”
 Dr. Maurício
Dep. Dr. Maurício
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Importação de morango impacta produção mineira TV Assembleia

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