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Especialistas destacam a importância do Museu da Educação em audiência

Espaço apresenta vários problemas estruturais, além de carecer de equipe qualificada para a manutenção das atividades.

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A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) debateu, nesta quinta-feira (30/10/25), a importância do resgate da história e do patrimônio do Museu da Escola Professora Ana Maria Casasanta Peixoto.

A audiência pública foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT) e é um desdobramento da visita realizada pela comissão ao local, em novembro do ano passado, ocasião em que se constatou, segundo a deputada, descaso do governo estadual com a instituição.

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A deputada abriu a reunião lembrando a situação do museu na época da visita, com infiltrações e condições inadequadas para a conservação e guarda dos documentos.

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Nelma Lacerda Fonseca, ex-coordenadora do Museu da Escola e do Programa de História Oral da Educação Mineira, rememorou o histórico da criação do espaço. De acordo com ela, a ideia do museu se deu em 1990, período em que se comemorou o ano da alfabetização. Nesse contexto, as professoras da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (Fae/ UFMG) foram provocadas a fazer algo para destacar a importância da memória da educação.

“Na mesma época foi recolhido material para compor a exposição ‘Era uma vez uma escola’, e essa exposição teve muito impacto e ficou lotada. Diante da repercussão, o acervo ganhou espaço próprio na Praça da Liberdade, chegando a ter 70 mil títulos voltados à história da educação, e viveu tempos áureos de 1994 a 2007. Em seguida, o museu foi desalojado, indo para o Instituto de Educação e, depois, para o espaço do Bairro Gameleira, quando muito material se perdeu.”

Andréa Moreno, diretora da FAE, defendeu a importância de considerar a relevância do museu como um todo, que inclui, além do Museu da Escola Professora Ana Maria Casasanta Peixoto, o Museu de Ciências Naturais Leopoldo Cathoud e a biblioteca.

“O processo de guarda de memória envolve catalogação, controle de umidade, dedetização, entre outras etapas. Isso não se faz com voluntarismo. São três equipamentos que precisam de um cuidado técnico qualificado, com diálogo entre vários profissionais como historiadores, arquivologistas, educadores, museólogos.” 

A variedade do acervo da biblioteca do Museu foi detalhada por Juliana Miranda Filgueiras, professora e pesquisadora do Departamento de História da UFMG. De acordo com ela, o espaço dispõe de fontes documentais de grande valor histórico que preservam não só a história da educação, como também a memória institucional da Secretaria de Estado de Educação de Minas.

O acervo inclui livros didáticos e obras de educação desde o século XIX, videoteca com entrevistas de profissionais que contribuíram para a educação em Minas, as bibliotecas pessoais de Ana Maria Casasanta e Alda Lodi, além de fotos de práticas escolares e de escolas mineiras.”

Juliana citou, ainda, que Mário Jardim é o profissional que, sozinho, cuida do acervo da biblioteca, e que outros dois servidores cuidam dos museus da escola e de ciências, sendo um número insuficiente para o trabalho.

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O pioneirismo do Museu da Educação foi lembrado por Liliane Souza, vice-diretora da FAE/UFMG, sendo a primeira iniciativa do gênero na América Latina. “O Museu da Escola está num momento que merece atenção e também ação. Ter esse espaço é importante, mas é preciso trazê-lo para o seu protagonismo, com equipe, recurso e estrutura adequados. Quais são as propostas do governo para auxiliar esse espaço?”, questiona. 

Lucas Magalhães, professor de história do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), falou da importância do museu para preservar a memória de tantas mulheres que contribuíram para a história da educação no Estado. “Pesquisei a história da professora Leonilda Montandon, natural de Araxá, e que ninguém conhecia até ser feito esse trabalho de pesquisa. Assim como ela, outras 400 mulheres ainda esperam para ter direito à memória.”

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Governo diz concordar com relevância do espaço

Alexandre Marinho, superintendente da Escola de Formação do Governo do Estado e representante do secretário de Estado de Educação, afirmou sua preocupação com o espaço, enquanto professor, pesquisador e sociólogo.

Na fala, Alexandre disse que, mesmo estando apenas há 20 dias no cargo, compreende a importância do que está sendo discutido e que tem a certeza de que o secretário também concorda com a relevância do espaço. 

“O museu estava fechado e nós reabrimos a agenda para receber os pesquisadores. Ainda não está aberto para visitação do público, pois precisamos de uma reestruturação do espaço. Entendemos que a museologia é uma área técnica e estamos em contato com a Secretaria de Cultura para orientações nessa área. Também estamos aguardando acesso ao projeto do Museu que já existe, para que possamos estudá-lo e readequá-lo com apoio técnico necessário”.

O representante do governo acredita que em janeiro de 2026 o museu estará adequado para receber o público.

Como encaminhamento da reunião, a comissão agendará uma nova audiência pública para março de 2026, de forma que a Secretaria de Educação possa apresentar os retornos solicitados.

Tópicos: Educação
Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia - debate sobre o Museu da Educação
“Ao longo do tempo, nós lutamos para preservar a história e a memória da educação mineira. Por isso, já apresentamos o Projeto de Lei (PL) 2.897/2024, que cria o Museu da Escola Professora Ana Maria Casasanta Peixoto no Estado e que, atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça.”
Beatriz Cerqueira
Dep. Beatriz Cerqueira

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Especialistas pedem ajuda para conservar acervo do Museu da Educação TV Assembleia
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