Críticas ao Governo de Minas e valorização da liberdade de expressão marcam discursos
Deputado considera irrisório o reajuste concedido pelo governo, e deputada aplaude absolvição de Nikolas Ferreira por pagamento de multa.
A Reunião Ordinária de Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) desta quinta-feira (26/3/26) foi marcada por discursos na fase de oradores. O deputado Ricardo Campos (PT) utilizou seu tempo para tecer críticas ao Governo de Minas e a deputada Amanda Teixeira Dias (PL) valorizou, em seu discurso, a liberdade de expressão.
Ricardo Campos considerou “pífio” o reajuste de 5% concedido aos servidores estaduais, incapaz de recuperar o poder de compra dos salários. Afirmou que o governo não deu condições para cada categoria de servidores discutir perdas salariais e reivindicar o índice adequado de reajuste. Tudo isso, segundo o parlamentar, após a ALMG melhorar as finanças mineiras, ao aprovar o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
O deputado também condenou a burocracia do governo, que promoveu o atraso de mais de 30 dias no funcionamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – Leite. “O leite das crianças e dos idosos não está chegando por causa de papelada”, lamentou. Ele acrescentou que mais de 80 municípios e os agricultores participantes do programa não estão recebendo os valores correspondentes ao fornecimento.
Ricardo Campos reprovou o atraso, pelo governo estadual, na execução do programa federal Luz para Todos e informou que denunciou o fato aos Ministérios Públicos Federal e Estadual. “São mais de 18 mil protocolos feitos em Minas e estamos aguardando a Cemig fazer a sua parte. A operadora de energia do Estado tem obrigação de fazer essas ligações”, indignou-se.
Absolvição de Nikolas Ferreira
A deputada Amanda Teixeira Dias comemorou a absolvição do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) do pagamento de multa pelo discurso que proferiu no Dia das Mulheres, em 2023, usando uma peruca, o que foi considerado transfóbico. “O papel dele é realmente falar, expressar opinião”, defendeu. Ela se posicionou contra a aprovação do projeto de lei federal que equipara misoginia ao racismo, aprovado pelo Senado e aguardando tramitação na Câmara dos Deputados.
Segundo a parlamentar, se a lei entrar em vigor, pode limitar a liberdade de expressão. Ela lembrou ter sido vítima da misoginia na própria Assembleia, mas, ainda assim, se mantém contra endurecimento de penas para crimes de ódio contra a mulher. Também concordou com o banimento de atletas transgêneros da Olimpíada de 2028 pelo Comité Olímpico Internacional (COI).
O COI anunciou, nesta quinta (26), que todas as atletas devem se submeter a teste genético válido para a vida toda, indicando que mulheres trans devem competir na categoria masculina nas próximas Olimpíadas.