Controladora-geral do Estado é convocada pela Comissão de Educação
Parlamentares querem informações sobre investigações que motivaram exoneração do ex-secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares.
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) espera a controladora-geral do Estado, Marcela Oliveira Ferreira Dias, nesta quarta-feira (27/5/26), para falar sobre as investigações que motivaram a exoneração do ex-secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares. A reunião será realizada a partir das 10 horas, no Auditório José Alencar.
Assinam o requerimento para a realização da reunião as deputadas Beatriz Cerqueira (PT), Lohanna (PV) e Macaé Evaristo (PT) e o deputado Ulysses Gomes (PT). O objetivo é obter mais esclarecimentos sobre o procedimento de investigação aberto contra Rossieli Soares, exonerada da Secretaria de Educação em 27 de abril.
Inicialmente, o Governo do Estado não informou o motivo da exoneração de Rossieli Soares. A assessoria do ex-secretário chegou a divulgar que a saída teria sido “em comum acordo” e ligada a questões pessoais e de saúde.
Porém, no dia seguinte à exoneração, o Governo do Estado divulgou nota afirmando que motivaram a decisão “informações preliminares de investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado (CGE)”. O conteúdo da investigação ainda não foi revelado publicamente.
Rossieli Soares tomou posse em agosto de 2025. Antes, ele foi ministro da Educação no governo Temer e secretário de Educação nos Estados de São Paulo, Amazonas e Pará. Sua gestão em Minas Gerais foi marcada por controvérsias.
Em novembro do ano passado, um aulão sobre inteligência artificial realizado no estádio Mineirão foi suspenso por causa de uma pancadaria generalizada entre os alunos. Um mês depois, às vésperas do Natal, foi realizado um leilão para compra de materiais escolares, sem licitação, no valor de R$ 348,4 milhões.
A Concorrência Internacional 001/26, que prevê repassar à iniciativa privada a gestão e operação de serviços não pedagógicos de escolas estaduais, também recebe críticas. O serviço será assumido pelo fundo de investimento em participações IG4 BTG Pactual Health Infra, que venceu o leilão realizado na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, em março deste ano.
Segundo o Governo do Estado, a parceria público-privada (PPP) vai viabilizar investimentos em 95 escolas, que atendem 70 mil alunos de 34 cidades do Norte de Minas e da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
No entanto, de acordo com a deputada Beatriz Cerqueira, por meio dessa iniciativa, o Estado vai repassar R$ 5 bilhões para o fundo de investimento fazer a gestão da infraestrutura de escolas que já receberam investimentos públicos, conforme a Comissão de Educação verificou em visitas realizadas às instituições de ensino.
A deputada Beatriz Cerqueira, que preside a Comissão de Educação, questiona o uso de dinheiro público para a realização de obras que deveriam ser assumidas pelo concessionário privado. Trata-se de uma “situação escandalosa”, na sua avaliação.
É a segunda vez que a Comissão de Educação tenta ouvir a controladora-geral do Estado. Ela não compareceu à reunião marcada no dia 6 de maio, alegando questões de sigilo e a necessidade de preservar a condução dos trabalhos de investigação sobre a conduta de Rossieli Soares. Na ocasião, a deputada Beatriz Cerqueira criticou a falta de transparência sobre o caso.