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Comunidades pedem ampliação e melhoria do fornecimento de energia 

Demandas foram apresentadas na sexta-feira (27) à Comissão de Participação Popular da ALMG, em Grão Mogol.

- Atualizado em 02/03/2026 - 14:51
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Patrício corre com a neta de casa em casa para ligar o respirador sem o qual a adolescente de 15 anos morreria; Maria Aparecida lamenta a falta de água devida à queima rotineira do sistema de bombeamento do poço artesiano; Mônica já perdeu tudo o que estava na geladeira do pequeno comércio.

Eles e outros moradores das comunidades de Vista Alegre, São Miguel, Bamburral e Vale das Cancelas, localizadas no Município de Grão Mogol (Norte de Minas), apresentaram, nessa sexta-feira (27/2/26), diversas demandas relativas à prestação de serviços pela Cemig ao deputado Ricardo Campos (PT), presidente da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. (ALMG).

O parlamentar ressaltou que essas comunidades, dentre outras do Estado, encontram-se em situação de pobreza energética. Ricardo Campos explicou que a expressão, forjada pelo Ministério de Minas e Energia, nomeia o cenário em que cidadãos cotidianamente convivem com ruas sem iluminação pública, perda de alimentos e eletrodomésticos ou comprometimento do abastecimento de água por quedas de energia, justamente as ocorrências reportadas pela população local.

Representantes da Cemig, vereadores e gestores da Prefeitura de Grão Mogol acompanharam as visitas para levantamento das falhas e apontamento das possíveis providências. O deputado anunciou que os dados comporão relatório técnico, a ser encaminhado ao Ministério Público, Ministério de Minas e Energia e à presidência da própria Cemig.

Ricardo Campos afirmou ainda que, no próximo dia 10 de março, a Comissão de Participação Popular receberá autoridades dos respectivos órgãos para audiência sobre o assunto, a ser realizada na sede da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte.

De acordo com o deputado, na ocasião, além das demandas apontadas pelos moradores durante a visita dessa sexta, a empresa de energia deve dar retorno a respeito de aproximadamente 4 mil pedidos de ligação realizados há mais tempo, inclusive no âmbito do Programa Luz para Todos, do governo federal.

Ele informou que a Cemig já assinou contrato com a União para atender mais famílias em território mineiro sem custo.

Falta de energia em Bamburral coloca vida em risco 

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“Já ficamos até dois dias sem energia”, conta Patrício José dos Santos, aposentado e morador da comunidade de Bamburral. Foram dois dias de desespero para a família. Isso porque a neta, uma adolescente de 15 anos, só consegue respirar com a ajuda do aparelho de oxigênio, que depende de energia elétrica.

O supervisor da Área de Obras da Cemig, Jomar Cândido Dionísio, orientou os familiares a entrar em contato imediatamente e solicitar o registro de “Suporte à vida”. Se a informação constar no sistema da companhia, são impedidos desligamentos e a companhia providencia um gerador, para eventual a queda de energia não impedir o uso do respirador.

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Outro problema relatado com frequência foi o impacto da oscilação de energia no abastecimento de água. Maria Aparecida Silva Lopes, servente da Escola Municipal Domingos Alcântara III, se queixou da constante falta de água devida à queima do sistema de bombeamento do poço artesiano em função da baixa potência de energia ou picos. “Queima a cada 15 dias, a prefeitura faz a troca, mas a solução é sempre provisória”, salienta a moradora.

Já Édson Santos explica que a baixa capacidade de energia danifica e diminui a vida útil dos eletrodomésticos. Ele esclarece que a energia, em área rual, deveria chegar com 120 volts de capacidade, mas, na prática, essa voltagem não passa de 90 volts. “Uma geladeira que deveria durar 10 anos só dura três”.

Conforme o morador, em áreas urbanas se paga por 127 volts e se recebem os 127. “Aqui a gente paga por 120 volts e não recebe 100”, o que, para ele, demonstra a assimetria de tratamento da companhia.

Impasse fundiário inviabiliza atendimento das demandas por energia

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“Aqui tudo é gato”, conta Maria de Jesus Azevedo, liderança da comunidade de São Miguel. Segundo ela, os loteamentos mais recentes da área rural foram feitos em função de heranças ou contratos de compra e venda.

A maioria dos moradores não possuem sequer a escritura, documento que formaliza a compra, ou o registro, instrumento que legaliza a transferência da propriedade. Como a Cemig custeia apenas a primeira ligação de energia, as demais, derivadas das situações descritas acima, são todas irregulares.

Em geral, a Resolução Normativa 1.000/2021, da Agência Nacional de Energia Elétrica, determina que uma segunda ligação no mesmo endereço, não se tratando da conexão inicial da unidade”, seja cobrada do consumidor. “Chegam a cobrar 35 mil para instalar o novo ponto de energia”, ressalta Maria de Jesus.

Há ainda um agravante: para ser atendido pelo programa federal “Luz para todos”, há também a exigência de que o cidadão apresente o registro do imóvel para se tornar beneficiário.

A líder comunitária afirmou ainda que das 37 famílias que residem atualmente na comunidade, 18 delas não têm qualquer acesso à energia. A ausência de registro das propriedades inviabiliza o atendimento à demanda por energia não só em São Miguel, mas em todo o Estado, alerta o deputado Ricardo Campos.

O parlamentar se comprometeu a fazer o levantamento caso a caso para tomar as providências necessárias também à regularização fundiária. Ele não descartou a possibilidade de custear os processos por meio de emendas de sua autoria.

Moradores de Vista Alegre acumulam prejuízos e desalento

Mônica Alves, comerciante e moradora da Comunidade de Vista Alegre, diz que as 76 famílias do local “estão no escuro”. Não só devido à falta de energia, mas pela ausência de medidas efetivas da Cemig ou da prefeitura.

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Segunda ela, banho quente todo dia ainda é uma promessa distante. Em períodos de chuva, a queda de energia se agrava. Nesta semana, por exemplo, “foram quatro dias com a geladeira desligada, o prejuízo é enorme, perdemos tudo”, lamenta Mônica.

A moradora disse que é obrigada a descartar alimentos como carnes e demais congelados, mas nunca é ressarcida. No entanto, Mônica enfatiza que, apesar do serviço irregular, “a conta chega e bem cara”, até R$ 600,00.

Otoniel Souza, também morador da comunidade de Vista Alegre, cobra a instalação de mais transformadores e postes com extensão de rede. De acordo com ele, os próprios residentes colocaram os postes atuais. “Esses equipamentos não têm a mesma bitola dos da Cemig, por isso, não têm a mesma durabilidade. Em dois anos, envergam.”

Jomar Dionísio, da Cemig, informou a previsão de investimento na região Norte de Minas de R$ 2,2 bilhões em obras de melhoria, até 2027. Ele reconhece que a área a ser atendida é muito extensa, mas que os problemas levantados pelos cidadãos de Grão Mogol devemdiminuir até o fim deste ano.

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Comissão de Participação Popular - visita à Comunidade de Vista Alegre, em Grão Mogol
Comunicação de Participação Popular - visita à Comunidade de Vista Alegre, em Grão Mogol
Comissão de Participação Popular - visita à Comunidade de Vista Alegre, em Grão Mogol
Comissão de Participação Popular - visita à Comunidade de Vista Alegre, em Grão Mogol
Comissão de Participação Popular - visita à Comunidade de Vista Alegre, em Grão Mogol

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Quedas de energia prejudicam população de Grão Mogol TV Assembleia

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