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Comunidade reclama de incertezas durante visita à escola que pode virar Colégio Tiradentes

Pais, alunos e funcionários da Escola Estadual Nossa Senhora das Neves foram ouvidos pela Comissão de Educação da ALMG na segunda (14). 

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Para onde os estudantes serão remanejados? Como ficarão as aulas do curso técnico e as oficinas de esportes? O que será feito com os alunos de inclusão? Os questionamentos foram dirigidos à Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) durante a visita à Escola Estadual Nossa Senhora das Neves, em Ribeirão das Neves (RMBH), nesta segunda-feira (14/9/26).

Durante visita técnica, solicitada a pedido da presidenta da Comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), a comunidade escolar falou sobre os possíveis impactos da transformação da instituição em uma unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar.

A escola está situada no Bairro Santinho, mas atende a cerca de oito bairros da região. Atualmente, são 249 alunos matriculados e 55 funcionários em exercício, com turmas de Ensino Fundamental I e II, em tempo regular e integral,  Ensino Médio e Técnico em Desenvolvimento de Sistemas em tempo integral.

A unidade atende a alunos de 11 a 17 anos, que podem usufruir de oficinas de esportes do Projeto Fica Vivo e de vôlei oferecidas em parceria com a ONG alemã Kolping Internacional.

A continuidade das atividades esportivas foi uma das preocupações citadas pelos alunos durante a visita. Eles relataram que ter um local que ofereça as atividades perto de casa é fundamental para garantir a participação deles em segurança.

João Vitor de Paula, aluno do 2º ano do Ensino Médio, que estuda na escola há 7 anos, acredita que os alunos ficarão sem as atividades, caso a instituição seja transformada em Colégio Tiradentes. O colega Ryan Costa também defendeu as atividades extraescolares e destacou o envolvimento de estudantes dos bairros próximos.

Para Cíntia Cristina de Oliveira, diretora da escola, as atividades contribuem para a relação de pertencimento dos alunos e das famílias com as escolas. “Nossa escola não é trancada, fica à disposição da comunidade. Alunos podem jogar bola até as 21 horas e ex-alunos jogam no domingo de manhã. Todos ajudam a cuidar desse ambiente”, afirmou.

Pais de alunos também estão inseguros em relação ao futuro e disseram que ninguém da Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) foi à escola dar mais informações. Eles têm dúvidas se as aulas estão garantidas até o fim do ano e de como será o procedimento de matrícula para o próximo período.

“Se eles forem direcionados para escolas longe daqui, como faremos com o valor da passagem? E, quando chover, como fazemos com as crianças estudando longe?”, perguntou Beatriz Mendonça, mãe de estudantes da escola.

Vânia Pereira Ramos, que tem dois filhos que estudam na unidade, disse que está tudo muito confuso. “A cabeça da gente fica embaralhada. Não sabemos se poderemos mandar os meninos e até quando as aulas acontecerão normalmente", disse.

Equipe pedagógica alega falta de transparência

Professores e demais membros da equipe pedagógica da escola disseram que, em nenhum momento, foram procurados para saber por que a escola teria que ser transformada em Colégio Tiradentes.

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Alguns boatos foram citados durante a visita, como a garantia de vagas para os alunos que tivessem o uniforme e até a oferta de transporte escolar gratuito após a transformação. A bibliotecária Joana Rocha citou que está sendo comentado que a escola será apenas emprestada ao Colégio Tiradentes. 

Beatriz Cerqueira esclareceu que não existe empréstimo, mas o fechamento da escola estadual para que a transformação ocorra. Uniformes, materiais escolares e transporte dos alunos seriam custeados pelas famílias dos estudantes. 

A professora Valéria Martins disse ter receio de chamar representantes da SEE à escola, pois eles não esclareceram dúvidas sobre a situação durante audiência pública sobre o assunto que aconteceu na Assembleia. “Quero que eles venham prestar esclarecimentos aqui na escola, mas é fundamental que a Comissão de Educação esteja presente para acompanhar a situação”, afirmou.

Alexandre Santos Sturt, professor de História e membro do Colegiado Escolar, destacou o desconforto da equipe com a falta de comunicação direta por parte do Governo do Estado e o importante papel da escola com os alunos de inclusão. “O que faremos com os alunos que não querem ou não podem estudar no Colégio Tiradentes? Pois sabemos que ele tem outra filosofia e nem todos podem se adequar. E os funcionários concursados, contratados e terceirizados, para onde vão?”, questionou.

A coordenadora Michelle Muniz disse que o prefeito do município foi procurado e que existem outros espaços na cidade em que o Colégio Tiradentes poderia ser construído, sem a necessidade de fechar a Nossa Senhora das Neves. "Esta escola é acolhedora e atende a muitos casos de inclusão. Outros espaços já foram cedidos ao Estado e ainda não foram preenchidos. Por que não usar esses espaços?", sugeriu.

Denise Romano, coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, lembrou que defender a escola não é importante apenas para os estudantes atuais, mas para todos que estudarão nela no futuro. “Sabemos das ameaças que os diretores e diretoras sofrem por defenderem suas escolas e participarem de audiências públicas, pois é importante que os estudantes e suas famílias se envolvam nessa defesa”, afirmou.

O vice-diretor Francisco de Lima Ferreira destacou a presença da Comissão e lembrou que a escola é da comunidade. “A escola não é do governador ou da Secretaria de Educação, a escola é da comunidade, pois somos nós que fazemos esse espaço”, disse.

Beatriz Cerqueira afirmou que todos os questionamentos feitos durante a visita foram feitos à SEE, mas não foram apresentadas respostas nem um diagnóstico que mostrasse os critérios usados para transformar as unidades em Colégio Tiradentes. A deputada afirmou ainda que todas as escolas que ela visitou estão em perfeitas condições e que, por isso, foram procuradas pelo Governo do estado.

Citação

A parlamentar reforçou a necessidade de o Colegiado Escolar se organizar para cobrar esclarecimentos à SEE e disse que encaminhará os relatórios da visita técnica aos órgãos de Governo relacionados às mudanças.

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Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia - visita a escola de Ribeirão das Neves
Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia - visita a escola de Ribeirão das Neves
“Os impactos dessa transformação serão muitos, pois não há nesta região escola que oferte Ensino Médio e profissionalizante a menos de 5 Km. O Governo está promovendo uma política de evasão com essa medida."
Beatriz Cerqueira
Dep. Beatriz Cerqueira
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O remanejamento de alunos e a descontinuidade das práticas esportivas são algumas das preocupações da comunidade escolar. TV Assembleia

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