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Comunidade de Piumhi se mobiliza por criação de Monumento Natural da Cachoeira da Belinha

Representantes de diversos segmentos lotaram a Câmara da cidade para defender a criação de monumento prevista em projeto de lei em tramitação na Assembleia.

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A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou, nesta sexta-feira (15/4/26), mais uma etapa antes da criação do Monumento Natural Estadual (MONA) da Cachoeira da Belinha: a escuta da comunidade de Piumhi (Centro-Oeste) por meio de audiência pública. 

A audiência debateu o Projeto de Lei (PL) 1.024/2023, de autoria da deputada Beatriz Cerqueira (PT), que propõe justamente a criação do monumento. A Câmara Municipal de Piumhi esgotou a capacidade do auditório com mais de 230 moradores da região, estudantes, vereadores, técnicos e defensores do meio ambiente que defendem a fundação do monumento. 

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A Cachoeira da Belinha é uma queda d'água com aproximadamente 50 metros de altura e uma área de 1,013 milhão de metros quadrados. O monumento está inserido na área de preservação ambiental (APA) Serras e Águas de Piumhi, criada em 2024, com área total de aproximadamente 12 mil hectares, a seis quilômetros do centro de Piumhi.  

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Igor Messias da Silva, consultor técnico da Associação de Defesa Ambiental de Piumhi (ADAP), apresentou estudos e explicação técnica acerca da riqueza natural da Cachoeira da Belinha. Ele explicou haver dois tipos de vegetação na região, campos rupestres e área de mata. O local da cachoeira seria mais antigo que a Serra da Canastra. 

“A nossa região é muito antiga, por isso temos tipos de solos que são únicos. São ambientes diferentes dos da Serra da Canastra, por exemplo. O local é riquíssimo em vida, pois 15% da biodiversidade vegetal do nosso país está em campos rupestres, o que é muito relevante”, explicou.

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O consultor também detalhou que nesses campos vivem animais ameaçados de extinção, como o tamanduá-bandeira e o lobo-guará, por exemplo, além da flora ameaçada de extinção, como a sempre-viva e a palmeira-juçara, de onde se extrai o palmito, que alimenta muitos animais da região. De acordo com ele, Piumhi reúne riquezas de dois biomas, mata atlântica e cerrado.

Igor apresentou, além de espécies já em extinção, outras em risco de desaparecer. Durante o processo de proteção do território, foram identificadas duas dessas espécies. Uma planta pertence à família do girassol e é microendêmica, ou seja, ocorre em área muito pequena, aumentando a necessidade de conservação do ecossistema. A outra é um antúlio nativo de Piumhi, em fase de descrição e registro científico.

Além das riquezas naturais, os estudos mostram que Piumhi foi um território quilombola, com registros do Brasil Colonial, o que demonstra a importância da arqueologia histórica da região. Outro importante destaque para o turismo local é o fato de a Cachoeira da Belinha ser uma das poucas que têm acessibilidade para as pessoas com dificuldades de locomoção, o que é raro em áreas de cachoeira.

Foram apresentados alguns problemas já enfrentados na localidade, que precisam de medidas de proteção para não avançarem. Degradações no solo causadas por trilhas feitas por motociclistas estão aumentando. A turbidez da água também aumentou nos últimos anos, além do fogo sem controle, que segue atingindo o entorno.

Para o presidente da Câmara Municipal de Piumhi, José Wellington da Silva, a defesa da Cachoeira da Belinha é muito importante. “Esta casa estava cheia na aprovação da APA (Área de Proteção Ambiental) e hoje estamos com a casa cheia de novo para apoiar esse projeto, e esperamos que ele seja aprovado”, disse.

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De acordo com Carmen Lúcia, presidente da Associação de Defesa Ambiental de Piumhi (ADAP), que trabalhou diretamente no processo de aprovação da APA, o ser humano necessita trocar o olhar, totalmente voltado para fora. “Somente o sentimento de pertencimento vai transformar essa pseudo-realidade em que o homem vive. É incrível que, mesmo sentindo na pele os desastres ambientais, o ser humano não se dê conta de seu erro e lute para mitigar os problemas que ele mesmo causa. Não vamos conseguir salvar o mundo inteiro, mas podemos fazer a diferença aqui no nosso pedacinho”, acredita.

Sueli Cunha, produtora rural de queijo canastra na região, destacou a relevância do projeto da preservação da região para a produção do queijo, sobretudo no que se refere à qualidade da água, fundamental para o processo produtivo. “Por isso esse projeto é tão importante para a preservação das riquezas da região. Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. "Sonho que se sonha junto é realidade", disse, emocionada, citando Raul Seixas.

A autora do projeto que originou a Lei Municipal  2.767, que cria a Área de Preservação Ambiental Serras e Águas de Piumhi, incluindo a Cachoeira da Belinha, vereadora Shirley Gonçalves, disse que a presença da Assembleia no município destaca a importância da discussão. “Graças aos nossos ancestrais, temos tanta riqueza em Piumhi. Mas o que de tudo isso deixaremos para a próxima geração? Nós conhecemos essa cachoeira desde a nossa infância. A luta pela APA nós conhecemos, mas somente a APA será o bastante para preservá-la?”, questionou a vereadora.

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O estudante Kauã Barros, envolvido na causa ambiental do município, lembrou que essa é uma bandeira importante para a geração dele e outros estudantes presentes na audiência. Para ele, cuidar da Cachoeira da Belinha é cuidar do futuro de Piumhi. “Proteger a vida também significa proteger o meio ambiente. Que a criação do monumento não seja apenas uma proposta, mas um compromisso com a natureza de nossa cidade”, declarou.

André Vasconcelos, promotor de justiça da 2ª Promotoria de Justiça do Ministério Público, falou sobre o papel da presença humana no meio ambiente de forma harmônica e integrada, um manejo que respeite e preserve o ecossistema, diferente daquela interferência que agride e prejudica o meio. “Às vezes, o trilheiro adora a natureza, mas está prejudicando a área, mesmo sem querer. Então é preciso delimitar esses limites, com os planos de manejo e outros instrumentos para garantir a preservação”, defendeu.  

O biólogo Wellington Viana, do projeto Eko Mergos Pato-mergulhão, acrescentou que a região também funciona como corredor ecológico para muitas espécies aquáticas e reúne espécies de outras regiões do Estado. Por isso a importância do hotspot, que é um misto de espécies da fauna e flora que vivem em determinada região. 

Preservar é melhor que lutar para recuperar depois

Débora da Silva, presidenta da Bacia do Alto São Francisco, diz que as águas do São Francisco nascem na região e abastecem outras regiões de Minas e de outros estados como Bahia e Ceará. Do mesmo modo, Kelly Medeiros, diretora de comunicação do Sindsema, defendeu a importância da mobilização para a preservação geral da região.

Kelly lamentou a ausência de representantes da Secretaria do Meio Ambiente e do Governo do Estado e lembrou que a preservação prevista no projeto não envolve só a cachoeira, mas a qualidade do ar, do solo e a qualidade de vida das pessoas. “Nós que trabalhamos com licenciamento ambiental sabemos que é muito melhor conservar, pois quando a mineração vem e acaba com tudo, leva anos para recuperar. "Manter distância de qualquer atividade minerária é melhor para Piumhi", acredita. 

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Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - debate sobre a criação do Monumento Natural da Cachoeira da Belinha
"Nosso papel aqui hoje é escutar a comunidade para ver se de fato o Projeto de Lei será importante para a comunidade. Queremos saber se as pessoas são favoráveis à proteção da região, o que é um pre-requisito para o seguimento do processo na Assembleia."
Beatriz Cerqueira
Dep. Beatriz Cerqueira
Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - debate sobre a criação do Monumento Natural da Cachoeira da Belinha
Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - debate sobre a criação do Monumento Natural da Cachoeira da Belinha
Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - debate sobre a criação do Monumento Natural da Cachoeira da Belinha
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