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CRISE CLIMÁTICA

Barraginhas: uma ideia simples para garantir água o ano inteiro

Dia de campo promovido pela ALMG em Mirabela mobiliza lideranças do Norte de Minas para ampliação de projeto que pode transformar a agricultura no semiárido.

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Uma ideia simples, que pode contribuir para reverter a escassez de água no clima semiárido. São as barraginhas, pequenas bacias de contenção de água da chuva que facilitam a infiltração no solo, reduzindo enxurradas e aumentando a disponibilidade hídrica para a agricultura.

As barraginhas são uma solução ambiental barata e segura para garantir água o ano todo para consumo humano e para produzir, especialmente em regiões com secas pronunciadas. Elas compõem um conjunto de práticas de conservação do solo, juntamente com os terraços em nível, a adequação de estradas vicinais e o cercamento de nascentes e matas ciliares.

Na última sexta-feira (29/5/26), as práticas foram apresentadas a lideranças municipais do Norte de Minas, em um dia de campo promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em Mirabela. Também participaram do evento estudantes de escolas públicas, para depois atuarem como multiplicadores da ideia.

O projeto Construção de Barraginhas e outras Práticas Mecânicas de Conservação de Água e Solo integra o Plano Legislativo de Articulação e Monitoramento de Ações Relacionadas à Crise Climática (Plam Crise Climática), que propõe a implantação de unidades demonstrativas para incentivar práticas de conservação hídrica e recuperação ambiental no meio rural.

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Na bacia do Córrego do Salto, em Mirabela, serão construídas até o final de julho 173 barraginhas, cinco quilômetros de terraços e seis quilômetros de cercas de nascentes e matas ciliares. Serão beneficiadas cerca de 30 famílias que vivem em uma área de 1.100 hectares.

O objetivo é facilitar a infiltração da água da chuva e evitar a erosão do solo. As práticas mecânicas atuam como barreiras físicas, evitando que a água escorra e facilitando a recarga do lençol freático. Assim, ao longo do ano, a água vai brotar nas nascentes e deixar o solo mais úmido, beneficiando a agricultura e a pecuária.

A seca no Norte de Minas vem se agravando com as mudanças climáticas. A população da região cobra uma solução para o problema, como contou o extensionista da Emater-MG Jorge Veloso. “A ideia é fazer voltar a correr a água do rio e das veredas, para que eles possam continuar produzindo alimentos sem precisar se deslocar daqui, vendendo suas propriedades devido à falta de água”, explicou.

Contemplada com a construção de barraginhas em sua propriedade, a produtora rural Geraldina Mendes Neta espera ficar livre das dificuldades impostas pela estiagem. “Durante a seca, a gente tem que recorrer ao caminhão-pipa do município, para que traga água para o consumo humano”, relatou.

Oito barraginhas foram construídas na propriedade do produtor rural Reginaldo Dias, que está otimista. Ele espera que a adequação das estradas vicinais, que ganharam barraginhas para fazer a drenagem da água da chuva, contribua para melhorar o seu dia a dia. “Minha esposa tem que trabalhar na cidade, e, quando chove, o acesso fica péssimo. As barraginhas tiram a água das estradas e ajudam a melhorar o nosso acesso", contou.

Parlamentares ressaltam importância das barraginhas

Os parlamentares que participaram do dia de campo em Mirabela defenderam a importância das barraginhas para se garantir água o ano inteiro no Norte de Minas. Para a 1ª vice-presidente da ALMG, deputada Leninha (PT), é importante que a comunidade se aproprie da tecnologia das práticas mecânicas de conservação do solo, para aumentar a disponibilidade hídrica na região.

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O deputado Gil Pereira (PSD) considera as barraginhas “a salvação” do Norte de Minas. “Esse é o caminho para solucionar todos os problemas, principalmente nas estradas que ficam retendo muita areia”, disse, referindo-se à erosão do solo provocada pelas chuvas torrenciais.

O deputado Leleco Pimentel (PT) defendeu o envolvimento da comunidade na construção de estratégias para garantir a disponibilidade de água. Ele destacou o trabalho dos “domadores de enxurrada”, que conseguem reter a água no solo com as barraginhas. “O solo se faz caixa d'água, porque a água bate, pereniza e volta até a nascente”, comentou.

Uma ideia que surgiu da observação da natureza

Considerado “o pai das barraginhas”, o engenheiro agrônomo Luciano Cordoval de Barros, da Embrapa, contou que a ideia surgiu da observação da natureza. O ano era 1982, quando ele viu uma barragem natural, produzida por chuvas torrenciais depois de uma seca severa em uma fazenda em Janaúba (Norte de Minas).

“Aí eu pensei: uai... o que a natureza faz, eu posso fazer com a máquina. Vou formar sucessivos laguinhos e vou ter água para poder plantar cana para o gado comer, arroz, feijão…”, rememorou.

Depois de muitos estudos, ele aprimorou a tecnologia trabalhando na Embrapa. Hoje, as barraginhas são consideradas uma tecnologia simples, barata e funcional. Aos 75 anos de idade, Cordoval descreve como um “sentimento de alegria” a sensação de ver a ideia que ele teve há 44 anos mudando a vida de tantas pessoas.

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Projeto será levado aos Vales do Rio Doce e do Jequitinhonha

O projeto das barraginhas prevê a implantação de unidades demonstrativas de práticas mecânicas de conservação de água e solo em pequenas propriedades rurais em três regiões do Estado, que contam com diferentes situações de clima, bioma e acesso à água.

A intenção é mostrar a possibilidade de multiplicar as práticas em condições diversas, assim como divulgar os benefícios de uma tecnologia considerada barata, segura e eficaz. Além do dia de campo em Mirabela, estão previstas atividades em Periquito (Vale do Rio Doce) e Virgem da Lapa (Vale do Jequitinhonha).

O projeto é desenvolvido pela ALMG em parceria com a Emater-MG, a Embrapa, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), com apoio da Associação Mineira de Municípios (AMM).

O Plam Crise Climática, instituído pela atual Mesa da ALMG, busca concretizar sugestões apresentadas durante o seminário técnico Crise Climática em Minas Gerais: Desafios na Convivência com a Seca e a Chuva Extrema, realizado no ano passado. O projeto das barraginhas foi lançado em um evento realizado em 26 de maio.

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Vitrine de Barraginhas - Mirabela
Vitrine de Barraginhas - Mirabela
“A gente está vendo a água desaparecer. Estamos abrindo poço artesiano e achando a água em uma profundidade muito grande. Achávamos água a 80 metros, 90 metros; agora perfuramos 140, 150 metros e não tem água”.
Leninha
Dep. Leninha
Vitrine de Barraginhas - Mirabela
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O objetivo é ampliar o uso de tecnologias sociais para viabilizar a convivência com os efeitos da crise climática. TV Assembleia

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