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CRISE CLIMÁTICA

Projeto lançado pela ALMG visa estimular expansão de barraginhas pelo Estado

Unidades demonstrativas serão instaladas nos Municípios de Mirabela, Periquito e Virgem da Lapa. Lançamento ocorreu nesta terça (26).

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“O sonho de todos nós é que a gente possa ver o nosso Estado de Minas Gerais com menos problemas ambientais e com um controle maior das águas que caem no nosso solo”, declarou o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Tadeu Leite (MDB), no evento de lançamento do projeto Construção de Barraginhas e outras Práticas Mecânicas de Conservação de Água e Solo, na sede do Parlamento mineiro, na manhã desta terça-feira (26/5/26).

A iniciativa integra o Plano Legislativo de Articulação e Monitoramento de Ações Relacionadas à Crise Climática (Plam Crise Climática) e propõe a implantação de unidades demonstrativas para incentivar práticas de conservação hídrica e recuperação ambiental no meio rural.

Além das barraginhas, que funcionam como pequenas bacias escavadas para captar e infiltrar água da chuva, o projeto prevê práticas como terraceamento, proteção de matas ciliares e topos de morro e adequação ambiental de estradas vicinais.

Segundo Tadeu Leite, o projeto busca disseminar uma alternativa “barata, simples e eficaz” para retenção de água da chuva, especialmente em regiões historicamente afetadas pela seca. A intenção, explicou, é estimular prefeitos, produtores rurais e entidades a replicarem o modelo.

Os municípios que sediarão as unidades demonstrativas, chamadas de vitrines de barraginhas, são Mirabela (Norte de Minas), Periquito (Rio Doce) e Virgem da Lapa (Jequitinhonha). Representantes do Executivo das três localidades estiveram presentes no evento de lançamento desta terça (26).

“O semiárido tem dois meses de chuva e dez meses de seca. Nós sabemos o que é a falta d’água”, afirmou o prefeito de Virgem da Lapa, Dim Passarinho. Ele demonstrou a expectativa de que, no futuro, as barraginhas possam ser uma alternativa aos caminhões-pipa, que, segundo o gestor municipal, retiram recursos de outras áreas essenciais.

Fernando Henrique Rabelo, prefeito de Mirabela, disse que o projeto irá “trazer o sorriso para o nosso povo que depende da água, que espera a chuva chegar”. Já o vice-prefeito de Periquito, José Carlos Rodrigues, salientou os benefícios da iniciativa para os produtores locais e o desenvolvimento regional.

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O projeto das barraginhas será desenvolvido em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o Sistema Faemg Senar e a Associação Mineira de Municípios (AMM).

Cada unidade demonstrativa terá custo aproximado de R$ 300 mil. Os recursos são provenientes do Programa de Conversão de Multas Ambientais (Pecma), criado após a regulamentação da Lei 24.944, de 2024, de iniciativa da ALMG.

A legislação permite destinar parte dos recursos arrecadados com multas ambientais a projetos de preservação, recuperação e melhoria ambiental em Minas Gerais.

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Mobilização comunitária é fator fundamental

O engenheiro agrônomo da Embrapa Luciano Cordoval é responsável pela difusão da técnica das barraginhas pelo País. Ele criou o modelo há mais de 40 anos. Durante o evento de lançamento, o pesquisador afirmou que a principal força da iniciativa está no envolvimento das comunidades rurais.

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“Barraginha não é furar buraco. Barraginha é mobilizar, conscientizar, chamar a comunidade para reunião, plantar essa semente na cabeça da comunidade”, declarou.

Na fala, Cordoval destacou a importância do treinamento técnico para garantir a continuidade das ações. Segundo ele, ao longo dos anos de trabalho de disseminação das barraginhas, foram formados agentes capazes de replicar a metodologia em diferentes territórios.

“Há 25, 30 anos eu cobrava escanteio e tinha que correr para fazer o gol. Hoje, terceirizados cobram escanteio, outros fazem o gol e eu recebo foto, vídeo e áudio em tempo real”, comparou, ao mencionar a expansão da rede de colaboradores.

O engenheiro também ressaltou que a participação da população é decisiva para consolidar o projeto, independentemente das mudanças políticas nos municípios. De acordo com ele, quando a comunidade assume o protagonismo, as barraginhas deixam de ser uma ação de governo e passam a ser patrimônio coletivo.

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Dias de campo e curso online

Como forma de estimular a mobilização local e regional, a Assembleia de Minas pretende realizar “Dias de Campo” nas regiões contempladas pelo projeto, com apresentação das técnicas às comunidades locais e visitas aos locais onde as estruturas serão instaladas, nas seguintes datas:

  • Mirabela, no Norte de Minas, na região do Córrego do Salto, no dia 29/5
  • Periquito, no Vale do Rio Doce, na região do Córrego da Chieira/São Sebastião do Baixio, na Comunidade Quilombola Ilha Funda, no dia 8/6
  • Virgem da Lapa, no Vale do Jequitinhonha, na região do Córrego do Onça, no dia 19/6

O projeto conta ainda com um curso gratuito de ensino a distância oferecido pela Escola do Legislativo da ALMG. Com inscrições abertas até 24 de julho, a capacitação aborda as práticas de conservação previstas no projeto e é voltada a gestores públicos, produtores rurais, lideranças comunitárias, operadores de máquinas e demais interessados.

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Lançamento do projeto de vitrines de barraginhas para conservação de água e solo
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Vitrines de Barraginhas é um dos projetos prioritários da Assembleia decorrentes do seminário de enfrentamento à crise climática. TV Assembleia

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