Audiência em Araguari reforça papel da Emater e debate fortalecimento da extensão rural em Minas
Parlamentares, dirigentes da Emater, produtores rurais e representantes de entidades defenderam a assistência técnica para a economia do Estado.
A relevância da assistência técnica e da extensão rural para a economia mineira foi destacada em audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada no Município de Araguari (Triângulo Mineiro), nesta sexta-feira (26/6/26).
Promoveram a reunião a Comissão de Agropecuária e Agroindústria e a Frente Parlamentar em Defesa da Extensão Rural Pública e Gratuita em Minas Gerais, representadas por seus presidentes, os deputados Raul Belém (PSD) e Carlos Henrique (Republicanos), respectivamente.
“Falar de assistência técnica rural é falar de gente, é falar do produtor que acorda cedo, enfrenta as dificuldades e segue produzindo alimentos, sustentando nossa economia”, afirmou o deputado Raul Belém na abertura da audiência, que reuniu produtores rurais e representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a maior empresa pública do setor no País.
O parlamentar ressaltou a importância da instituição para o crescimento do agronegócio. “A Emater não leva apenas orientação técnica; leva conhecimento, inovação e dignidade ao campo. É por meio dela que as políticas públicas chegam, de fato, à porteira do produtor”, afirmou.
Raul Belém citou a expansão da energia fotovoltaica e o Programa de Conectividade Rural como iniciativas estratégicas da Emater. Segundo ele, a conectividade rural reduziu o isolamento dos produtores rurais. “Essas iniciativas deixam claro que fortalecer a Emater é estratégico para o presente e o futuro do agro mineiro”, concluiu.
Frente parlamentar nasceu em resposta a ameaças à Emater
O deputado Carlos Henrique relembrou tentativas de enfraquecimento da Emater promovidas pelo Governo do Estado que, segundo ele, foram revertidas com apoio do Parlamento.
A primeira delas propôs a fusão da empresa com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em 2020, o que gerou preocupação entre dirigentes da instituição. Segundo o parlamentar, a ideia foi abandonada após conversas com o então governador Romeu Zema, convencido da necessidade de manter as duas entidades separadas.
Em 2025, acrescentou, houve a tentativa de vender a sede da Emater, em Belo Horizonte, como forma de amortizar a dívida estadual por meio do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A medida acabou cancelada após mobilização dos servidores junto ao Parlamento mineiro.
“A Emater não tem um dia de paz. É sempre um novo leão que a gente tem que matar”, afirmou Carlos Henrique ao explicar a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Extensão Rural Pública e Gratuita em Minas Gerais, da qual é presidente.
Criada em janeiro de 2026, a frente parlamentar vem realizando encontros regionais para levantar demandas e elaborar propostas de fortalecimento da extensão rural no Estado. As contribuições devem compor um documento a ser entregue ao Governo de Minas e aos candidatos ao governo nas próximas eleições.
Até o momento, houve encontros em Belo Horizonte, Capelinha (Jequitinhonha), Governador Valadares (Rio Doce), Rio Pomba (Zona da Mata) e Araguari. Novas reuniões estão previstas para Alfenas (Sul) e Montes Claros (Norte).
Emater alcança mais de 96% dos municípios mineiros
A estrutura, a atuação e os principais resultados da Emater-MG foram apresentados por Gilberto Carlos de Freitas, gerente da unidade regional da instituição em Uberlândia.
Segundo ele, a empresa está presente em 820 dos 853 municípios mineiros, o equivalente a 96,2% do Estado, e realiza mais de 3 milhões de atendimentos por ano a mais de 350 mil produtores rurais. Gilberto destacou que a Emater atua como articuladora de políticas públicas para o desenvolvimento rural, em parceria com órgãos estaduais, prefeituras e produtores.
De acordo com o gerente, a Emater conta com orçamento operacional de R$ 385,1 milhões para 2026 e vem ampliando a capacidade de executar programas e investimentos no campo. Entre os destaques apresentados, estão o crescimento de 213% dos recursos destinados à agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), entre 2019 e 2024, e o projeto de assistência técnica para a reparação da Bacia do Rio Doce, que prevê R$ 374 milhões em investimentos para atender 2.970 propriedades rurais em 38 municípios atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão.
Gilberto apresentou indicadores de satisfação dos usuários da Emater-MG. Segundo pesquisa realizada em 2025 e 2026, 94,4% dos entrevistados avaliaram os serviços como bons ou ótimos, 88% afirmaram que recomendariam a instituição e 92% disseram que o atendimento contribuiu para melhorar a qualidade de vida de suas famílias.
Produtores defendem fortalecimento da instituição
“Ser produtor rural deixou de ser apenas uma herança familiar; hoje é preciso se profissionalizar”, afirmou Malk Mauad Ydy, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Araguari, ao defender o trabalho da Emater. Ele destacou a importância de a instituição preparar pequenos produtores para enfrentare mudanças climáticas.
Reforçou a avaliação, Fernando Sacoman, presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari. “Por meio da Emater, conseguimos linhas de crédito e desenvolvemos pesquisas. Sou engenheiro agrônomo e não são todos que têm esse privilégio”, disse, destacando a disponibilidade de profissionais da empresa.
Eliane Cristina Barbosa Cardoso, diretora da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado de Araguari e Região Ltda., ressaltou a parceria da Emater com sindicatos e cooperativas. “Até hoje não nos apresentou nada que não valesse a pena estarmos juntos”, afirmou.
Além dos elogios, a audiência serviu para apresentar reivindicações voltadas ao fortalecimento da instituição. Ex-presidentes da Emater entregaram aos deputados Raul Belém e Carlos Henrique um documento com propostas.
Entre as demandas, estão a realização de novo concurso público com cadastro de reserva, o reconhecimento formal da profissão de extensionista pelo Ministério do Trabalho, a criação de um prêmio de produtividade para os extensionistas, a implantação de um mecanismo automático de recomposição salarial e a reestruturação da Academia Brasileira de Extensão Rural (ABER).
Para Vitório Alves de Freitas, gerente de Consultoria e Projetos da Emater-MG, é preciso "uma reviravolta nas políticas públicas de desenvolvimento do setor agrário e rural, não só no Estado, mas no Brasil".
O deputado Raul Belém informou que pretende defender a vinculação da valorização dos servidores da Emater-MG ao crescimento do PIB do agronegócio e da agropecuária em Minas Gerais.