Apesar das obras, Odete Valadares demanda melhorias
Maternidade passou por reformas no bloco obstétrico, mas infraestrutura ainda precisa de reparos.
- Atualizado em 15/05/2026 - 17:30Embora tenha recebido investimentos superiores a R$ 1,3 milhão para reforma do bloco obstétrico, a Maternidade Odete Valadares segue precisando de melhorias. Essa foi uma das principais constatações feitas durante a visita técnica realizada nesta quinta-feira (14/5/26) pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
As obras, iniciadas em julho e concluídas em dezembro do ano passado, além de considerar regras da vigilância sanitária, tiveram que atender às do patrimônio, devido ao tombamento do prédio, localizado no Bairro Prado. Além disso, o Conselho Municipal de Saúde não acompanhou todas as etapas do trabalho, pois em 2016 paralisou atividades, retomadas no ano passado.
A diretora do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Érika Mendes dos Santos, reconheceu problemas estruturais como o alojamento da enfermagem. Ela apontou a iluminação muito forte para mulheres em trabalho de parto, mas fraca para profissionais, como um dos aspectos a melhorar.
Na área dedicada ao pré-parto, a utilização da banheira instalada no ano passado ainda depende de um processo de compra de insumos. Quedas na conexão de internet e falta de comunicação entre os sistemas de informação da farmácia, além de buracos no teto do laboratório, foram outras dificuldades identificadas.
A deputada Ana Paula expressou preocupação com a falta de anestesistas e denúncias de violência obstétrica e assédio moral. “Aqui é uma maternidade de referência, com alto índice de partos naturais, mas a experiência dessa mãe que nos apresentou um relato tão triste não pode ser negligenciada”, avaliou, em alusão ao desabafo de uma mulher, na entrada do prédio. Ela contou que após ter passado mais de dez horas em trabalho de parto, teve que ser submetida ao uso de fórceps.
Conforme a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), Neuza Freitas, algumas denúncias foram enviadas ao Ministério Público. “A intenção do Governo é sucatear para privatizar. A Maternidade Odete Valadares tem uma história, um atendimento de excelência e, nos últimos anos, com a terceirização, não estamos vendo avanço”, criticou.
Segundo a deputada, a partir de agora, o encaminhamento será produzir relatório técnico com os apontamentos. Também pretende pedir a revisão das cesáreas, monitorar a apuração das denúncias e acompanhar as intervenções de melhorias a serem realizadas no laboratório e no bloco obstétrico.
