JUAREZ ELISIÁRIO, jornalista e apresentador do programa Dedo de Prosa
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 15/09/2026
Página 5, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 11994 de 2025
33ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 10/9/2026
Palavras do Sr. Juarez Elisiário
Boa noite a todos e a todas. De maneira muito especial, agradeço a Deus, pois sei da dificuldade de cada um, estando perto ou longe, de sair num horário como esse, em Belo Horizonte, nossa grande BH, para estar aqui neste momento tão importante para nós e para toda a minha equipe. Então, a todos e a cada um de vocês, o meu muito obrigado. Guardarei para sempre no coração essa presença maravilhosa de cada um, que nos enche de alegria e orgulho pela amizade, pela história de vida que tem por nosso Dedo de Prosa. Nas pessoas do meu pai, de 95 anos, da minha mãe, de 88 anos, e do Pe. Vinícius Maciel, nosso grande amigo, grande líder espiritual nos nossos eventos, nas nossas vidas, quero cumprimentar cada um de vocês. Cumprimento também a Ana Paula Siqueira, essa jovem deputada, guerreira das Minas Gerais, representando o deputado Tadeu Leite, presidente desta Casa. Quero agradecer à Assembleia, importante casa do povo de Minas Gerais, por essa honraria que entra para a nossa história.
Uma coisa linda que a Ana está fazendo é que ninguém aqui hoje é visitante. Ela está replicando isso num gesto simples, mas muito simbólico, de um valor extraordinário para a política, que é a única maneira que temos de mudar a nossa vida, a nossa cidade, o nosso Brasil. Ela está tirando o bóton de visitante das pessoas, quebrando o protocolo, as regras e as normas, mas isso não afeta absolutamente nada o bom andamento da Assembleia, deixando todo o mundo à vontade. Ela está tirando e dizendo: “Você não é visitante; a Casa é sua.”. A você, que age assim, como deputada, representante do povo mineiro, o nosso muito obrigado pela sua vida e pelo seu mandato na Assembleia.
Estou completando 25 anos da minha história com a Marleze, que se tornou o meu lado forte – estamos casados há 25 anos. Agora a gente completa também 25 anos de casamento com o Dedo de Prosa. Marleze, muito obrigado pela presença, minha esposa e coordenadora do Circuito Brasileiro de Dança Sênior, que a gente faz em parceria com a Dança Sênior Brasil. A nossa empresa, que antes se chamava Pauta Comunicação – teve outros nomes –, hoje é Dedo de Prosa Comunicação e Eventos e nos ajuda muito.
Cumprimento a Ana Paula, xará da deputada, outra mulher extraordinária. Quando eu estudei, tinha um jornal em Capelinha e, de vez em quando, eu frequentava a Fafi-BH. E lá estávamos eu e a Ana Paula Damasceno, estudante de jornalismo, que era muito caxias. Eu estudei junto com a Ana, que hoje é a minha diretora na TV Horizonte, diretora da nossa TV Horizonte, a Rádio América, a América TV. Que honra eu tenho de partilhar este momento com você! Cumprimento a dona Nicinha, essa gracinha que as pessoas chamam de Sinhá pelo Brasil afora. Hoje mesmo, gravando o programa, ouvi: “A dona Sinhá, a dona Bolinha”, e por aí vai. É a nossa eterna força por trás dessa mulher. A gente não combina nada para fazer o programa; ela chega e, do jeito que o coração pede, a gente faz. Ela é uma guerreira que, há muitos anos, luta pelos direitos da terceira idade e, há algum tempo, integra a nossa cozinha. Meu muito obrigado a Deus por sua vida e a você pela presença junto de nós.
Cumprimento esse jovem, que dias atrás, completou 32 anos de idade. Pasmem! Quando o Dedo de Prosa nasceu – vamos completar 26 anos agora –, ele tinha seis anos de idade. Eu estou ficando usado, viu? Trata-se de um jovem que D. Walmor pinçou na nossa igreja e o colocou lá. Passei um ano acompanhando, em silêncio, o seu trabalho e a sua humildade. Ele se tornou um gigante da comunicação em Minas Gerais. Ele tem transformado a nossa TV Horizonte, colocando em lugar de destaque essa emissora importante, onde o Dedo de Prosa sempre sonhou estar. Se Deus quiser, nunca sairemos de lá, porque este é um sonho que brotou no coração de Deus. Pe. Samuel Fidelis, nosso diretor-geral da Rádio América, TV Horizonte, da nossa Rede Catedral, é uma honra receber o senhor. Aos funcionários da Assembleia, do cerimonial, o nosso muito obrigado. Gente, o Dedo de Prosa é um sonho que começou em 1999, que foi o Ano Internacional da Terceira Idade. Eu tinha mudado de projetos, de comunicação; viajava muito para Capelinha, minha terra, onde eu tinha o Folha do Vale; mexia com rádio, eventos e outras coisas mais. Falei: “Vou parar tudo e fazer um programa de televisão”. Então, junto com algumas pessoas que nos ajudaram, pensei: “'Bora' fazer o projeto do programa de televisão”. Alguns anos antes, eu e um amigo que sempre me incentiva e que se tornou um irmão, com quem tenho quase quarenta anos de amizade – o Kênio David, que está aqui –, tínhamos ido a uma emissora de Minas Gerais. Ele tinha uma moto, e com ela nós fomos lá, bem elegantes. Entramos no estacionamento, paramos a moto e chegamos ao diretor da casa. Nem se tratava do projeto de televisão ainda. Ele me incentivava e me fazia acreditar que eu era bom em comunicação. Eu, loucamente, falava: “Rapaz, não é isso, não”. Em 3 minutos de conversa, o diretor da televisão virou e falou: “Vocês têm dinheiro?”. Olhei para ele e falei: “Uai, quanto você acha? Tenho uns trocados aqui”. Ele falou: “Dinheiro para bancar esse projeto doido de vocês”. Eu falei: “Uai, não tenho, não!” Ele se levantou, e eu falei: “É agora, não é?”. Ele nos cumprimentou e falou: “Um abraço para vocês. Fiquem com Deus. Tchau”. Não, não falou “fiquem com Deus”, não. “Podem ir embora.” Nós fomos embora. Isso foi um balde de água fria, e, durante muitos anos, desanimei de fazer televisão.
Porém, em 1999, veio a ideia de voltar com o projeto. Aí, sim, surgiu o Dedo de Prosa. Falei: “Vai ser mais fácil, não é? Não há, na televisão, programa para a terceira idade”. Eu não via velho na televisão, quando não nas novelas, sendo caricaturado. “Caricaturado”: é isso mesmo, não é? Aí fomos buscar isso. O etarismo era mais presente do que hoje; havia muito preconceito com a terceira idade. Corremos aqui, corremos ali, inclusive na nossa TV Horizonte, onde só fomos parar depois de dois anos. A história do Dedo de Prosa foi cercada, recheada de desafios, e até hoje o desafio nos persegue. Eu não entendia por que havia tanto desafio e tanta dificuldade, Pe. Samuel, para fazer um projeto que acreditávamos ser bom, já que o idoso não tinha nada na televisão para ele. Eu falei: “Gente, que coisa!”. Fomos para outra emissora, que nos acolheu. Depois de dois anos, essa emissora acabou com a programação, colocou uma programação dentro da vocação dela, e nós fomos convidados a sair. Nisso, a faculdade Fumec já nos patrocinava. Todo o dinheirinho que entrava ia para a televisão.
Ficamos um mês fora, e a terceira idade realizou um abaixo-assinado, Ana Paula, com mais de dez mil assinaturas, em menos de trinta dias. Esse abaixo-assinado foi entregue nas mãos do saudoso arcebispo D. Serafim Fernandes de Araújo, com quem eu nunca tinha estado pessoalmente, embora ele fosse da minha região, da terra do meu pai. Fui chamado ao Palácio Cristo Rei, onde eu nunca tinha entrado. Disseram: “D. Serafim quer falar com você.” Eu falei: “Uai, o que está acontecendo? D. Serafim?”. Quando cheguei, abri a porta do palácio e vi uns trinta coordenadores de grupos de terceira idade, organizados, inclusive, pelo nosso querido Carlão, do Movimento de Luta Pró-Idoso, que nós ajudamos a criar. Olhei todo mundo lá. Não me esqueço da primeira coisa que o D. Serafim falou: “Esses meninos de Capelinha, do Vale do Jequitinhonha, são bobos demais, não é?”. Eu estava sem saber o que era aquilo. Aí ele me contou. Ele ligou para o diretor da televisão e falou: “Por que esse programa não está aí até agora?”. Contei a ele o nosso sonho de estar na TV Horizonte, que era a cara do Dedo de Prosa. Em menos de uma semana, já estava lá o Dedo de Prosa. Nós nos reerguemos; voltamos com o gás total, mas com muito desafio.
A partir daí, começou a haver desafio em cima de desafio, para conseguirmos patrocínio e para bancarmos o programa, que era feito em parceria com a televisão, como ocorre até hoje. Assim fomos crescendo. De lá para cá… O D. Serafim era muito amigo do João Monteiro Neto, diretor e fundador da Redevida, que, aliás, faleceu hoje. Que esteja na palma da mão de Deus e no colo de Nossa Senhora o criador da Redevida de Televisão. Ele me chamou a São Paulo, aonde fui. Assim, o Dedo de Prosa entrou em rede nacional. Ficamos lá por sete anos, e o programa ganhou força no País inteiro. Viajei para o Amapá, para Belém, para vários lugares, não é? Recebemos muita gente lá na cozinha.
Depois de um tempo, veio outro desafio: a questão dos patrocínios e tudo o mais. Saímos de lá, e a TV Aparecida nos acolheu. Ficamos seis anos na TV Aparecida. Depois desta mudança – a saída da TV Aparecida, que é dos redentoristas, muito bem administrada –, fomos para a TV Pai Eterno, que é do Santuário do Divino Pai Eterno. Passamos por essas emissoras sem ganhar um centavo. Nós disponibilizamos o Dedo de Prosa sempre no desejo e na vontade de fazer as pessoas assistirem ao programa em cada canto do Brasil, abrindo-se espaço para a discussão do envelhecimento ativo e saudável da população. A ideia é incluir cada realidade, seja do grupo do interior de Minas, seja de qualquer lugar do Brasil. Já houve gente da Paraíba que veio participar com a terceira idade. Enfim, a todo o mundo que vai, independentemente da religião, nós recebemos na nossa TV Horizonte, na nossa cozinha.
Foi passando o tempo, e conseguimos chegar aos 25 anos no ano passado. Fizemos um evento lindo, mais uma vez motivados pela TV Horizonte a transmiti-lo ao vivo, da Serra da Piedade. Como diz D. Walmor: “Magnífica arquitetura divina”. Muitos estiveram por lá. Hoje estamos aqui, no mês em que completaremos 26 anos no ar. Os desafios são gigantescos. Somos perseguidos pelos desafios, mas muito maior do que os desafios é a nossa fé viva e forte em Deus.
No primeiro ano do programa – havia até me esquecido disso diante das histórias que a gente foi vivendo –, fui a Aparecida, Ana Paula Damasceno, com a fita VHS. Cheguei lá com os meninos e com a Marleze. Aliás, eu ainda não tinha os meninos, não. Com a minha mãe e o meu pai, consagrei a Maria o Dedo de Prosa. Falei com ela: “Olhe a responsabilidade que a Senhora tem. A Senhora vai conversar com o seu Filho e falar com Ele, Nossa Senhora, para que eu esteja na televisão até o dia em que eu tiver verdade na comunicação e no coração, até o dia em que eu tiver ânimo de verdade para abraçar cada um que chega, até o dia em que eu tiver verdade para fazer o Dedo de Prosa com a minha equipe”. A minha equipe está aqui: irmãs, profissionais. “No dia em que eu for lá sem ter essa leveza no coração, sem gostar do que faço, tire-me disso. Tire-me disso, porque eu não quero fazer comunicação e o Dedo de Prosa assim.” Até hoje, ela e o Filho dela, Jesus Cristo, têm nos mantido.
Entendi que cada desafio pelo qual a gente passava, cada pedra no caminho, inclusive dentro da TV Horizonte, às vezes, por causa das visões que chegavam, de diretores… Às vezes, o bispo não sabe dessas coisas todas, não é? D. Walmor chegou a Belo Horizonte, e nós estávamos fazendo o Show da Fraternidade. Muita gente aqui se lembra disso. Havia 5 mil pessoas no Sesc Contagem-Betim. Tratava-se de um evento que a gente fazia e que era aberto, de graça para as pessoas. Ele chegou, e eu falei: “O senhor entre por aqui, por trás”. “Não. Vou entrar no meio do povo.” D. Walmor ficou 2 horas falando e cantando Dio, come ti amo. No meu ponto, diretores queriam que eu tirasse o D. Walmor, porque já tinha passado o tempo. Pense em uma coisa dessas! Os desafios eram esses, e a gente ia vivendo, vivendo, vivendo.
Entendi que o desafio estava moldando em mim uma missão. Pensei: “Isso não é mais só um programa de televisão. O Dedo de Prosa é mais uma missão do que um programa de televisão”. Aí estamos aqui, hoje, recebendo esta homenagem a todos os que fazem parte disso. Não vou citar nomes, mas cada um sabe que é uma pedrinha na construção deste castelo, que foi de sonhos e que, hoje, é realidade: o programa Dedo de Prosa, em cada canto do nosso Brasil. Muito obrigado a todos que participaram, que participam e que nos empoderam.
Há pouco mais de dois anos, quando estávamos desanimados, às vezes desiludidos, eis que surgiu um menino que, ao que parece, assistiu ao programa quando tinha 6 anos de idade, com a avó ou com a mãe. Conheci a família toda. Esse menino completou 30 anos e, nessa idade, chegou e nos encheu de ânimo, nos reergueu e nos deu, dentro da TV Horizonte, que hoje tem uma das melhores estruturas físicas e de equipamentos do Brasil, pertencimento. Nós somos pertencidos. Pe. Samuel nos deu pertencimento com a sua visão. Muito obrigado ao senhor. O senhor nos resgatou. O senhor é um elemento importantíssimo nessa nossa história e está transformando a comunicação da TV Horizonte – séria, imparcial e comprometida com a justiça social e com a comunicação aberta –, ouvindo as pessoas, mostrando, entretendo e fazendo a evangelização, que é tão importante.
Leve o meu abraço e o meu agradecimento ao nosso arcebispo, D. Walmor, que é um entusiasta da comunicação, um entusiasta da nossa Igreja Católica, que está construindo a Catedral Cristo Rei, onde já estamos de portas abertas, porque vocês fazem parte dessa catedral que está sendo erguida, independentemente da sua religião. Aquele é um templo onde nós precisamos fazer a evangelização e a comunicação, sobretudo para a terceira idade.
Para não me delongar muito, quero agradecer muito a Deus e à Nossa Senhora Aparecida por termos chegado até aqui com os desafios que tivemos, mas com muita fé. Às vezes não é fácil. Eu chego, tenho as minhas outras atividades, olho e falo: “Gente do céu, lá vamos nós para mais um encontro”. Esse é um evento que era para ser apenas um movimento para reunir a terceira idade em algum lugar do Brasil, para viajar, mas, diante das dificuldades que tivemos – de manutenção, de pagamento de folha, de pagamento das despesas do Dedo de Prosa –, fomos iluminados para transformá-lo em um evento turístico, que é um produto que mantém hoje os custos do nosso Dedo de Prosa: o Encontro Nacional Dedo de Prosa da Melhor Idade. A cada seis meses, temos o desafio de lançar um evento sem nenhum patrocínio, sempre com a garra, a fé e a coragem. Mas quem faz comigo sabe que sempre vai dar certo, porque nós temos muita fé em Maria Santíssima, a mãe maravilhosa de Jesus, seu Filho amado. E sobre os santos, então, não preciso nem falar, Pe. Samuel e Pe. Vinícius, pois são muitos os que nos ajudam mesmo. São muitos anjos por aí afora. Estejam todos vocês na palma da mão de Deus e no colo de Nossa Senhora. Muito obrigado.