DEPUTADA ANA PAULA SIQUEIRA (PT), presidenta "ad hoc", autora do requerimento que deu origem à homenagem
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 15/09/2026
Página 2, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 11994 de 2025
33ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 10/9/2026
Palavras da presidenta (deputada Ana Paula Siqueira)
Boa noite a todas e a todos os presentes neste Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Boa noite também a todas e a todos que nos acompanham pelos diversos canais de comunicação da Assembleia nesta noite muito especial, uma noite de memória, uma noite de encontros e uma noite para a gente celebrar as bodas de prata do Dedo de Prosa. Bodas de prata são a celebração de uma data muito comum àqueles e àquelas que o programa Dedo de Prosa prioriza, então estou muito feliz por estar aqui hoje com vocês nesta merecida homenagem.
Com carinho, quero cumprimentar a Mesa e começo com o meu amigo Juarez Elisiário, jornalista e apresentador do Dedo de Prosa, para quem solicito uma calorosa salva de palmas. Quero também cumprimentar e saudar, com muita alegria, o Pe. Samuel Fidelis Donatos, diretor-geral da Rede Catedral de Comunicação Católica. Muito obrigada, Pe. Samuel, pela sua presença. Parabéns pelo belíssimo trabalho que o senhor vem desenvolvendo na Rede Catedral, levando muitas vozes e histórias e trazendo notícias a toda Minas Gerais, aos rincões do nosso estado e a todas as dimensões que a Rede Catedral alcança.
Quero também saudar, com carinho, a minha xará, a Ana Paula Damasceno Torres, diretora da TV Horizonte, América TV e Rádio América. Ana, esse conjunto de veículos de comunicação tem revolucionado a comunicação não só em Minas Gerais mas também no Brasil. Eu visito muito os estúdios de vocês. Já quero parabenizá-los pelo belíssimo trabalho e lhes desejar muito sucesso e muitos anos de vida e que vocês possam, cada vez mais, estar conectados conosco, porque a boa comunicação também diz respeito à conexão – não conexão com aparelhos, mas, sim, com pessoas. Então, parabéns pelo trabalho!
Quero saudar também a dona Nicinha, coordenadora e apresentadora do Dedo de Prosa. Esse é o seu nome, viu, dona Nicinha? Está escrito aqui para mim Lenisse Germânia, mas, na verdade, é a nossa querida Nicinha. Tenho tanta coisa para falar sobre a senhora, mas, neste momento, quero lhe agradecer a presença e representatividade. Quando olho para a dona Nicinha, mãe, lembro-me da minha avó toda carinhosa, toda cuidadosa, toda cheirosa. Dona Nicinha, seja muito bem-vinda!
Quero cumprimentar também a Sra. Marleze Azevedo Fraga Elisiário, coordenadora do Circuito Nacional de Dança Sênior. Parabéns pelo trabalho, pela presença e por estar conosco aqui! Gente, vamos falar aqui uma verdade: o sucesso desta noite, bem como o sucesso do Dedo de Prosa, se deve ao trabalho muito articulado do nosso querido Juarez, mas sempre há uma mulher forte do lado fortalecendo essa caminhada. Então saúdo esse casal aqui que tanto contribui conosco.
Bom, gente, sou a deputada estadual Ana Paula Siqueira. Aqui, na Casa, eu sou presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e estou muito feliz em estar aqui, neste ato, representando o deputado Tadeu Leite, nosso presidente, que não pôde estar conosco e me atribuiu a responsabilidade de representá-lo. Vou tecer algumas palavras. Eu até trouxe algo escrito, Juarez, porque hoje é um dia que me emociona muito, para refletirmos um pouquinho sobre esta homenagem. Esta homenagem, gente, era para ter sido realizada no ano passado. No entanto, na data marcada para a nossa homenagem, infelizmente, este Plenário, que agora ocupamos, estava sendo ocupado por mim e pelos meus colegas deputados, oportunidade em que fazíamos uma discussão muito importante para o nosso estado: a da privatização da Copasa. Nesta tribuna, lutei incansavelmente contra a privatização da nossa empresa pública de água e de saneamento básico. Então, em função daquela luta, precisamos adiar um pouquinho a nossa comemoração. Vocês sabem que há tempo para tudo nesta vida. Hoje é o tempo especial que Deus escolheu para fazermos esta homenagem. O dia de hoje, então, é muito especial, porque estamos aqui para celebrar uma história que começou há 25 anos e que transformou a maneira como a televisão brasileira e toda a sociedade olham para a terceira idade.
O Dedo de Prosa nasceu no ano 2000 e se tornou o primeiro programa da televisão brasileira dedicado à terceira idade. O programa levou informação, música, boas lembranças, histórias, alegria e a nossa cultura mineira para dentro de muitas casas, colocando a pessoa idosa no centro da conversa, como protagonista da sua própria história. Talvez seja justamente esta uma das maiores contribuições do Dedo de Prosa: mostrar que envelhecer não é deixar a vida para trás. É um programa que, assim como o meu mandato na Assembleia de Minas, busca dar voz e vez a quem, por muito tempo, foi invisibilizado na nossa sociedade; que cria encontros, leva informações, celebra a música, resgata boas memórias e, acima de tudo, valoriza a vida de quem já viveu muito mas continua tendo muito a viver, porque, infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade etarista, que muitas vezes olha para a pessoa idosa a partir do preconceito, como alguém que vale menos, que já não tem como contribuir ou precisa apenas de cuidados.
É claro que falar de saúde, de prevenção, de prevenção às violências, de medicamento, de assistência e de proteção é fundamental. Até o ano de 2030, a população idosa no Brasil vai superar, pela primeira vez, o número de crianças e jovens juntos. Precisamos garantir o cuidado como política pública. Por isso, sou autora da lei que reconhece e valoriza a profissão de cuidador e cuidadora de idosos e sigo lutando pela inclusão dessa categoria no SUS.
Eu queria cumprimentar o Jorge Roberto. Cadê o Jorge Roberto? Está ali no cantinho. Ele é presidente da Associação dos Cuidadores e Cuidadoras de Idosos do Estado de Minas Gerais. Juntos, numa parceria, nós temos trabalhado aqui nesta Casa, neste Plenário, pelo reconhecimento dos cuidadores e por uma luta para que mais pessoas possam ser assistidas através da política pública gratuita para os nossos idosos. Então, Jorge, parabéns pelo seu trabalho e obrigada pelos elos, pela conexão. Eu já estive algumas vezes no Dedo de Prosa – não é, Juarez? – junto com o Jorge, para falar sobre esse trabalho que a gente toca aqui na Assembleia e que o meu mandato abraça, porque não é uma bandeira, é uma causa de vida e é um compromisso social, político e humanitário que tenho.
Mas a vida da pessoa idosa é muito maior que isso. Ela tem sonhos, tem desejos, tem história, tem a música que gosta de ouvir, tem lugares ainda para conhecer, tem amizades que quer cultivar, tem lembranças que quer compartilhar, tem muito a ensinar e, sobretudo, tem o direito de viver plenamente. E o Dedo de Prosa colocou tudo isso no centro. Não só na televisão, o Dedo de Prosa é uma verdadeira comunidade; uma comunidade que se encontra, que viaja, que faz passeios, que constrói amizades, que cria oportunidades de convivência, que transforma a vida de milhares de pessoas.
E eu posso falar isso com muita propriedade, porque tive, em uma oportunidade, a experiência de viver de perto um dos encontros do Dedo de Prosa. Estive no 22º Encontro Nacional Dedo de Prosa da Melhor Idade, em Aracruz, no Espírito Santo. Olha, gente, esse 22º Encontro me atravessou e me marcou profundamente, Vânia. Era o primeiro encontro depois da maior crise sanitária que nós vivemos, que foi a pandemia. Foi a primeira vez que conseguimos retornar aos encontros, e os idosos e as idosas, como público prioritário do cuidado, não podiam se encontrar há mais de um ano. E ali, Juarez, naquele encontro, vi centenas de idosos se reunindo, dançando, curtindo a piscina, curtindo os mais diversos bailes, se fantasiando, rezando. Não é Pe. Vinícius? Eu olhei para aquilo e disse: “Há vida, há esperança, depois de tudo o que nós passamos, e só não vão envelhecer aqueles que não estão mais aqui”. Daquele dia para cá, eu me comprometi pessoalmente a dar visibilidade a esse trabalho que vocês desenvolvem. Eu imaginei, Pe. Samuel, que a gente talvez nunca mais tivesse a oportunidade de se encontrar, e foi lá, em Aracruz, que eu não só tive a certeza dos muitos encontros que ainda faríamos, mas também a certeza convicta de que a melhor idade é a melhor idade para nos fazer reconhecer a importância da vida.
Tive uma grande alegria. Este ano, a minha mãe também esteve no encontro nacional. É a dona Marta Célia, que está sentadinha ali. Balance a mão aí, mãe, para todo mundo ver você. E ela voltou maravilhada com a oportunidade que o Encontro Dedo de Prosa traz para cada um e cada uma de nós.
Vi pessoas que estavam ali passando por momentos difíceis, por momentos singulares em suas vidas, de perda, de luto, de dúvida, de angústia, de ansiedade, de depressão, e que tiveram, no Dedo de Prosa, a oportunidade de se resgatarem, de ressignificarem as suas vidas, de construírem novas oportunidades, de fazerem novas amizades e de construírem uma nova rota, dançando, cantando e se fortalecendo na fé.
E, para que tudo isso aconteça, existe muita gente envolvida. Há muitas pessoas por detrás desses belíssimos encontros. Eu quero fazer um reconhecimento especial, singular, único e prioritário ao meu amigo Juarez Elisiário, me estendendo também à dona Nicinha. São a cara, os ícones do Dedo de Prosa. Juarez, você tem uma trajetória inteira dedicada à comunicação. Nascido em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, começou no rádio, passou pelo jornal, pela televisão, pelos eventos, pela comunicação pública e foi nosso colega, foi assessor aqui na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foi repórter, apresentador, assessor de imprensa, coordenador, produtor e diretor artístico. Gente, vocês estão vendo tanta coisa que cabe num homem só? É muita referência!
Eu acredito, Juarez, que uma de suas maiores contribuições foi perceber que a comunicação também pode ser uma ferramenta para aproximar pessoas, para combater a solidão e para valorizar quem muitas vezes não encontra espaço para ser ouvido. À dona Nicinha, fica aqui também o meu abraço, o meu carinho e o meu reconhecimento por toda a dedicação, por representar tão bem as mulheres mineiras e o nosso jeitinho mineiro e acolhedor. Essa dupla, gente, traz para a gente esse conforto e aconchego tão presente nas famílias do Vale do Jequitinhonha. Eu peço aqui uma salva de palmas para o povo do Jequitinhonha, representado aqui também pelo Juarez.
Em nome do Pe. Samuel Fidelis e da Ana Paula Damasceno, quero também parabenizar a TV Horizonte e a Rede Catedral de Comunicação Católica por investirem nesse tão importante projeto. E não podemos, Pe. Samuel, nem no mais distante pensamento, deixar que ele seja interrompido, porque eu acompanhei de perto a luta para que ele não saísse da programação. E agora aqui, gente, diante do povo mineiro, nós não vamos deixar isso acontecer nunca mais, ouviu, Juarez? Que essa prosa continue atravessando Minas e fronteiras e chegando cada vez mais longe. Que venham muitos encontros, muitas viagens, muitos bailes, muitas músicas, muitas histórias e muitas boas lembranças. Parabéns pelas bodas de prata – 25 anos do Dedo de Prosa – e que a gente nunca se esqueça de colocar a pessoa idosa no centro, sendo parte fundamental do nosso presente e do nosso futuro. Muito obrigada e parabéns ao Juarez, à Nisinha e a cada uma e cada um de vocês que fazem o Dedo de Prosa acontecer.