Pronunciamentos

DEPUTADA LENINHA (PT), presidenta "ad hoc"

Discurso

Entrega do título de Cidadão Honorário do Estado de Minas Gerais a Francisco César Gonçalves, conhecido pelo nome artístico Chico César, cantor e compositor.
Reunião 30ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 25/08/2026
Página 6, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 16946 de 2026
RQN 17897 de 2026

Normas citadas RAL nº 5661, de 2026

30ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 21/8/2026

Palavras da presidenta (deputada Leninha)

Bom dia. Bom dia com alegria a todos vocês que aqui estão. Bom dia a todos aqueles que nos acompanham de forma remota nesta sessão – como disse o Chico, no terreiro da alegria. E, como disse a deputada Andréia: este Parlamento nunca esteve tão aquilombado, tão enegrecido, com tanta gente boa e importante, que, muitas vezes, não teve nenhuma oportunidade de estar aqui, neste terreiro. Queria cumprimentar, de maneira muito especial, primeiro, a deputada federal, minha amiga Dandara, que está aqui, e também minha querida amiga Célia Xakriabá. Queria cumprimentar também o deputado Marquinho Lemos, que está aqui com a gente. Muito obrigada. E, de maneira muito especial, quero saudar a deputada Andréia de Jesus e agradecer a ela por ter me convidado para presidir esta sessão tão importante. Inclusive, eu tinha outra agenda. Mas falei: “Não, deputada, eu vou”.

E foi muito legal. A composição aqui é muito legal, não é, Chico? Há duas deputadas federais, uma negra, outra indígena, e duas deputadas negras ocupando a Mesa do Parlamento de Minas Gerais. Isso é história que nós estamos fazendo. Isso é muito importante. Queria cumprimentar também o Pereira da Viola, que abriu os nossos trabalhos. Ele é um artista, assim como muitos mineiros que lutam bravamente não só para viver, mas para fazer arte, para nos alegrar, para salvar nossas mentes e nossas almas.

Vou trazer a fala do presidente Tadeu, que deixou um abraço para o Chico César. Ele está fora de Belo Horizonte, mas é claro que ele também gostaria de estar aqui. (– Lê:) “Chico César são vários: o poeta, o intérprete, o compositor amoroso, o artista negro, o homem do Nordeste, o músico político e o experimentador, cujas canções memoráveis caíram no gosto popular e integram o nosso rico cancioneiro. É a todos esses artistas, reunidos em uma só pessoa, que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais tem a alegria de fazer esta homenagem hoje.

Nascido Francisco César Gonçalves, em Catolé do Rocha, interior da Paraíba, Chico César foi para João Pessoa aos 16 anos e, de lá, partiu para o mundo. O lançamento de Aos vivos, há mais de trinta anos, foi o marco inaugural da presença de um artista inquieto e inventivo na cena cultural brasileira, que transforma a tradição popular nordestina em matéria-prima para uma poesia musical contemporânea, misturando ritmos brasileiros, referências africanas, tropicalismo, cultura urbana e crítica social, com extraordinária liberdade linguística. Ao longo de sua trajetória, fomos conhecendo suas singularidades. Ele é o compositor-poeta, cuja palavra está no centro da obra. A partir desse fato, põe em discussão a crítica social, a questão racial e a ancestralidade, sem se esquecer dos temas amorosos, que são os motores das nossas vidas. Além disso, nele o Nordeste aparece mais como mola que como âncora: sua origem nordestina é algo que o impulsiona para o mundo, e não algo que o aprisiona em uma identidade regional. Mas, para que a história fique completa, devemos acrescentar o Chico César com fortes vínculos com Minas Gerais. Essa relação com Minas tem muitas camadas, com a presença continuada nos palcos de Belo Horizonte.”

Falei para ele, Titane, que a gente esteve no último show dele – com o Zeca Baleiro –, no Palácio das Artes, prestigiando-o e, cada vez mais, acompanhando toda a sua criatividade e performance espetacular.

“Há também projetos relacionados à memória e à cultura mineira, com iniciativas ligadas a Vander Lee e a Maurício Tizumba; e as parcerias afetivas com os artistas mineiros. Nesse sentido, Chico César parece ter construído uma ponte entre o Nordeste e diferentes vertentes da cultura mineira – a música negra e os tambores de Tizumba, o congado e a cultura popular de Titane, o Jequitinhonha de Déa Trancoso, a viola de Pereira da Viola e de Chico Lobo, a canção urbana de Belo Horizonte, também representada por Vander Lee e por tantos outros artistas que temos aqui. É fácil explicar esses diálogos com artistas mineiros: sua abertura para tradições musicais diferentes encontra em Minas um campo particularmente fértil. Por todos esses laços afetivos e concretos que o artista firmou com o Estado de Minas Gerais ao longo das últimas décadas, recebemos Chico César, mais uma vez, aqui em Minas Gerais, de braços abertos. Minas Gerais, aqui representada no Plenário desta Casa, abraça, portanto, um filho escolhido, que se tornou mais um motivo de orgulho da nossa gente: Chico César, agora mineiro das Minas e das Gerais.”

Muito obrigada.