DEPUTADO TADEU LEITE (MDB), presidente
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/08/2026
Página 4, Coluna 1
Indexação
29ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 17/8/2026
Palavras do presidente (deputado Tadeu Leite)
Bem, mais uma vez, boa noite a todas e todos. Sejam bem-vindos à Assembleia Legislativa numa noite especial e importante, numa noite de homenagens a esta que, certamente, é um dos orgulhos que temos em Minas Gerais, no Brasil e obviamente - por que não dizer? - no mundo como um todo. Por isso, caro presidente Zola, quero parabenizá-lo e agradecer-lhe a presença, não só através do seu nome, mas no de todos que se fazem presentes nesta importante noite. Obrigado. Repito: esta homenagem é muito justa, e, por unanimidade desta Casa - foi reconhecida pelos seus 77 deputados e deputadas -, estamos aqui nesta noite importante, no dia de hoje.
Quero cumprimentar o meu querido conselheiro do Tribunal de Contas, ex-presidente desta Casa, ex-colega, conselheiro do Tribunal e meu conselheiro particular, amigo Agostinho Patrus, uma das grandes referências desta Casa obviamente, mas também de Minas Gerais. Obrigado por sua presença, mais uma vez, e pelo trabalho que faz em nosso Tribunal de Contas. Nosso cônsul, Exmo. Sr. Pietro Tombaccini, cônsul-geral da Itália em Belo Horizonte, seja bem-vindo também à nossa Casa Legislativa. Quero mandar o meu abraço à Mila Batista Leite, secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, neste ato representando também o governo do Estado. Quero cumprimentar as senhoras e os senhores, o ex-deputado Fábio Ramalho, que vejo aqui, e tantos amigos que aqui vejo também.
Há 50 anos, um Fiat 147, que acabamos de ver no vídeo que passou, saía da linha de montagem, em Betim, e ganhava as ruas e as estradas brasileiras. Compacto por fora, mas enorme no significado: no carro que carregava a inscrição "Fabricado em Betim, Minas Gerais", havia mais do que aço, motor e tecnologia, havia uma aposta no Brasil, uma aposta em Minas Gerais. O 147 não ganhou apenas as estradas. Ele ajudou a abrir caminhos para a própria economia mineira. Por isso, hoje, quando nos reunimos para homenagear os 50 anos da Fiat Stellantis no Brasil, que foi a primeira unidade da empresa fora da Itália, celebramos também uma decisão que mudou o destino do nosso estado. A Fiat encontrou aqui não apenas matéria-prima, infraestrutura e mão de obra; encontrou um estado disposto a acreditar que era possível fazer aqui uma indústria moderna, tecnológica e competitiva. E Minas também encontrou na Fiat uma parceira para transformar sua própria vocação econômica. Até então, nossa história industrial estava fortemente ligada ao minério e ao aço. Com a sua chegada, esses setores agregaram valor à produção, e ao seu redor nasceu uma verdadeira cadeia de fornecedores, empresas de autopeças, serviço, tecnologia e logística, que formou um dos maiores polos industriais de todo o País.
A história da Fiat e a história de Minas, portanto, caminharam lado a lado. Enquanto a empresa crescia, Betim crescia. Enquanto novos modelos eram lançados, novas estradas eram abertas e melhoradas. Enquanto a produção aumentava, Minas ampliava sua infraestrutura, sua mão de obra qualificada e sua capacidade de gerar emprego e renda. Os números ajudam a dimensionar esse feito. Em 50 anos, como já foi falado por nosso presidente, mais de dezoito milhões de veículos foram produzidos. Hoje aproximadamente dezenove mil empregos diretos e milhares de empregos indiretos são movimentados por essa cadeia. E há um número que talvez traduza ainda melhor a dimensão dessa transformação. Presidente Agostinho, o PIB de Betim cresceu 261,5%, segundo o IBGE. Mas números, por maiores que sejam, não contam toda a história.
Afinal, milhares de trabalhadores encontraram segurança e perspectiva. Jovens tiveram acesso à formação profissional e a novas oportunidades, sem falar que modelos como o Fiat 147, o Uno e o Palio passaram a fazer parte da memória afetiva das famílias brasileiras. E tudo isso diz muito sobre a Fiat, uma empresa que não apenas acompanhou a transformação do Brasil, mas que em grande parte foi responsável por algumas delas.
Por essa razão, parabenizamos a direção da empresa, na pessoa do nosso presidente Zola, e seus colaboradores pela contribuição nessa trajetória. E é isso que nós reconhecemos hoje. Reconhecemos a visão de quem entendeu que o desenvolvimento não precisa ficar concentrado em um único lugar. Reconhecemos a coragem de quem carrega suas origens, o DNA da inovação e a compreensão de que a parceria entre a iniciativa privada e o poder público é capaz de produzir aquilo que mais interessa à sociedade. E reconhecemos também que essa história não terminou, afinal, como na canção de Milton Nascimento, Minas conhece o significado dos caminhos que levam a novos destinos. A Fiat chegou aqui em 1976. É hoje a Stellantis, um dos maiores grupos automotivos do mundo, mas continua tendo em Minas Gerais um dos seus mais importantes centros de produção, engenharia, inovação e desenvolvimento tecnológico.
Cinco décadas depois, o Fiat 147 ficou na memória dos brasileiros. A fábrica ficou na história de Minas, e, como somos terra de raízes profundas e de caminhos que levam ao longe, o que vem daqui encontra o mundo. Que continuemos vendo pelas estradas de Minas e do Brasil não apenas carros, mas sonhos, o trabalho e o futuro de milhões de brasileiros seguindo em frente.
Parabéns à Fiat Stellantis. Que os próximos 50 anos nos levem cada vez mais longe. O meu muito obrigado.