DEPUTADO CORONEL HENRIQUE (PL), presidente "ad hoc", autor do requerimento que deu origem à homenagem
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/08/2026
Página 2, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 16503 de 2026
26ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 10/8/2026
Palavras do presidente (deputado Coronel Henrique)
Dia 30 de julho de 1976, sexta-feira, último dia das minhas férias escolares daquele julho de 1976. Eu estava em Barbacena, vendo o jogo com meu avô. Como eu poderia imaginar que 50 anos depois eu teria esta oportunidade, Dr. Lidson, nosso presidente, esta oportunidade, Joãozinho, de homenageá-lo em nome do Cruzeiro Esporte Clube, esse time que fez história, nosso capitão Lucas Silva? Esse time conquistou a Taça Libertadores depois do Santos de Pelé, que tinha feito isso na década de 1960, e ninguém mais havia feito. E aí, deputado Professor Cleiton, cruzeirense como eu, mais uma vez, o Cruzeiro fez história.
Esta é uma noite histórica, uma noite em que a Casa do povo mineiro, ou seja, a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais recebe o time do povo, recebe o time que foi criado por italianos que vieram para construir a capital de Minas Gerais. Desse Palestra Itália, fundado no dia 2/1/1921, foi forjado o Cruzeiro no dia 7/10/1942. Foi fundado depois da Primeira Grande Guerra e sobreviveu à Segunda Grande Guerra Mundial. O Cruzeiro Esporte Clube representa o que há de mais genuíno em Minas Gerais. Nada mais justo que os 77 deputados, por minha iniciativa, aprovassem esta reunião especial para comemorarmos não uma data qualquer, mas, sim, meio século, meio século dessa conquista, e trazermos aqui, para representar todos aqueles jogadores, o Joãozinho, que era o mais jovem jogador daquele time, o Joãozinho que jogava ao lado de craques já consagrados: Piazza, capitão de 1966; Jairzinho, campeão do mundo, assim como o Piazza em 1970. E lá estava o moleque Joãozinho, com apenas 22 anos de idade, participando daquela final. Mal imaginava ele, que me confidenciou – não é, Joãozinho? – que, quando começou a jogar, não gostava de fazer gols e preferia driblar; ele preferia driblar a fazer gols, mas, naquele dia, entrou para a história. Com aquele gol que todos vimos aqui, o Joãozinho se tornou eterno e aqui hoje representa todos os jogadores de um time que ainda é recordista de gols em uma única Libertadores. São 46 gols naqueles 13 jogos, com 11 vitórias, 1 derrota e 1 empate.
Poderíamos estar aqui, Marcone, que representa o Cruzeiro SAF, aqui presente, comemorando vários títulos. Poderíamos estar aqui, prezado Athiê, presidente da nossa Associação de Grandes Cruzeirenses, comemorando o título de 1926, o centenário do primeiro título do Cruzeiro. Há 100 anos o Palestra Itália conquistou o seu primeiro título, que ainda carece de reconhecimento pela Federação Mineira de Futebol. Eu já encaminhei, como presidente da Comissão de Esporte, uma solicitação para que esse reconhecimento seja realizado.
Nesta noite de festa, Joãozinho, tenho certeza de que você deve ficar refletindo: “Cadê o resto?”. São tantos. Eu não queria ser injusto com ninguém daquele time, com ninguém da comissão técnica. Quando tomei essa decisão, resolvi escalá-lo para representar todos aqueles. Você trouxe em 1976 essa primeira Taça Libertadores da América e, com o bicampeonato em 1997, nós já temos ali dois escudos do Cruzeiro na base dessa taça, que projetou o Cruzeiro para o mundo. Eu falo que o título de 1966, o primeiro Campeonato Brasileiro, projetou o Cruzeiro na América, sendo que, no ano seguinte, em 1967, pela primeira vez, disputamos a Copa Libertadores, mas esse título projetou o Cruzeiro para o mundo. Graças a esse título, disputamos a final do Mundial Interclubes contra o Bayern de Munique, nos históricos jogos lá em Munique, na neve, e na final aqui, no Mineirão, que teve o seu jogo mais importante, que foi a final do campeonato mundial.
Essa Taça Libertadores deve ser referenciada sempre, porque, mais uma vez, o Cruzeiro levou Minas Gerais para o mundo. Em 1966, com o título do campeonato brasileiro, o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes mudou a história do futebol brasileiro. A partir daquela conquista, a CBF teve que repensar o formato do campeonato brasileiro, que deixou de ser Taça Brasil, passou a Roberto Gomes Pedrosa e, depois, teve diversos nomes. Mas isso aconteceu graças à conquista do Cruzeiro.
Essa Taça Libertadores marca uma época, quando havia o domínio absoluto dos times argentinos e uruguaios. Nós levávamos a desvantagem de não falar espanhol e éramos diversas vezes prejudicados. Mas, naquela sua malandragem, Joãozinho... Eu tenho certeza de que você, quando tomou aquela decisão, inspirado talvez por Deus... Você bem sabia que o juiz não tinha autorizado a cobrança de falta do segundo gol do River Plate e tomou a decisão de bater aquela falta sem a autorização do juiz. Mas eu sempre lhe disse que, quando você toca na bola, o juiz autoriza. Então o seu gol foi legal. Quando observamos o replay daquela cobrança, vemos que o Joãozinho toca na bola, e o juiz levanta o braço exatamente na hora em que ele toca na bola.
Essa conquista da Taça Libertadores de 1976 está eternizada aqui, na noite de hoje, está nos anais da Assembleia Legislativa. Eu espero que sejam comemorados aqui também os 50 anos do título de 1997 e diversas outras conquistas do povo mineiro, porque um país, uma nação e uma instituição que não valorizam a sua história e os seus heróis não estão preparados para crescer, não estão preparados para ser grandes.
O Cruzeiro, nos últimos dias — e aqui parabenizo tanto o Cruzeiro Associação quanto o Cruzeiro SAF —, reverenciou Joãozinho. Joãozinho, que hoje mora nos Estados Unidos, aceitou nosso convite para estar em Belo Horizonte nesse período, de 30 de julho até a data de hoje, para que nós continuemos fazendo isso que é tão rico: valorizar a nossa história e valorizar os nossos heróis.
Quero parabenizar o Dr. Lidson, que hoje, como presidente do Cruzeiro Associação, detém – e gentilmente nos emprestou – essa taça, que fica muito bem guardada na nossa sede campestre. Gostaria de mandar um abraço para Joanita, que cuida tão bem desse nosso patrimônio.
Fica aqui um desafio, Dr. Lidson, fica aqui um desafio, cruzeirenses de Minas Gerais, do Brasil e do mundo: nós podemos mais! Nós podemos mais! Nós podemos reverenciar a nossa história! O Cruzeiro é um time centenário, que tem 105 anos, e deve aprender com outros exemplos espalhados pelo mundo. O Cruzeiro precisa de um museu. O Cruzeiro precisa de um museu para nós contarmos para as gerações do futuro essa história tão grandiosa. Minas Gerais precisa do Museu do Cruzeiro. Belo Horizonte precisa do Museu do Cruzeiro. E, para valorizar a nossa economia, valorizar o turismo, valorizar a cultura, precisamos ter também a Rota Cinco Estrelas, para contar a nossa história, que começou no Barro Preto – com a construção do Mineirão, foi transferido para a Pampulha, com a construção da Toca da Raposa 1, a Toca da Raposa 2 e a nossa sede campestre. Nesses cinco pontos, as nossas cinco gloriosas estrelas, o Cruzeiro precisa registrar e mostrar para Belo Horizonte, para Minas Gerais e para o mundo o quão esse clube é valioso, o quão esse clube é rico e o quão esse clube representa Minas Gerais na sua essência. Nascemos Palestra, fomos forjados Cruzeiro.
Eu gostaria, Joãozinho, nesta noite de hoje, de falar muito mais sobre você, sobre essa pessoa que é o meu grande ídolo no futebol. Aquela criança de 8 anos de idade tem, nessa conquista da Libertadores, a primeira memória afetiva como cruzeirense. Isso me acompanhou por toda a vida. Vejo aqui diversos convidados, ilustres cruzeirenses das torcidas organizadas. Quando vejo o Robert aqui, do Comando Rasta, quando vejo também o pessoal da Geral Celeste, da Pavilhão Independente, me lembro de que, na década de 1980, então com 17 anos, também fundei uma torcida organizada, prezado jornalista e amigo Orlando Augusto. Fundei a torcida organizada Trovão Azul e passei a entender a importância do torcedor de arquibancada, a importância do que significa a torcida para o time.
O Cruzeiro tem uma característica ímpar, prezado amigo, Dr. José Cupertino, que muito nos honra com a sua presença e que é responsável direto pelo nosso contato com o Joãozinho. Essa torcida tem uma característica própria. Todos os outros times foram fundados para depois existir uma torcida. Com o Cruzeiro foi diferente: o Cruzeiro tinha uma torcida que precisava de um time para torcer. O Cruzeiro foi fundado pela sua torcida. Em 1921, os palestrinos se uniram para fundar o Palestra Itália. Isso mostra a importância da torcida do Cruzeiro desde o nosso nascedouro.
Eu não vou me cansar nunca de devolver para o povo mineiro, de devolver para o Cruzeiro tudo aquilo que aprendi com o meu avô na final da Libertadores, pequena Alícia, que muito nos honra. Talvez ela seja a mais nova aqui, com 12 anos de idade – ela está aqui com a sua família. Eu me lembro de que, naquela final, Lucas Silva, estava muito nervoso com o terceiro jogo no Chile, Joãozinho. O pessoal lá de casa falava assim: “Esse menino está muito fanático pelo Cruzeiro. Isso não vai fazer bem para ele”. Minha avó, minhas tias falavam isso. Meu avô me chamou no canto – eu estava com 8 anos de idade – e me disse: “Meu neto, está todo mundo falando que isso não vai fazer bem para você, mas acho que faz bem, sim. Um homem tem que ter um lado. Quando um homem escolhe um lado, que ele defenda esse lado até o fim”. Eu, naquele longínquo 1976, já tinha escolhido o Cruzeiro para ser o meu lado, já tinha escolhido o Cruzeiro para ser uma das bandeiras da minha vida. O Cruzeiro me faz feliz e o Cruzeiro vai continuar me fazendo feliz para sempre.
Hoje, com muito orgulho, como deputado estadual e presidente da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude da Assembleia, tenho essa autoridade legitimada. E tenho muita honra, com muito discernimento, de entender o papel do parlamentar nesta Assembleia. Nós legislamos e fiscalizamos, mas também representamos parcela da sociedade. Hoje me sinto um digno representante dessa paixão cruzeirense, dessa nação azul, e faço, de forma muito simples, esta homenagem. Em nome do Joãozinho, nós conseguimos homenagear todos os cruzeirenses, homenagear mais de vinte milhões de mineiros e mineiras espalhados por este estado e homenagear todos aqueles que não estão mais aqui e que nos legaram essa instituição e esse time, que depende de cada um de nós, fazendo o melhor ao seu tempo, seja como jogador, seja como diretor, seja como político, seja simplesmente como torcedor, porque é isso que todos nós somos.
Antes de encerrar, gostaria de agradecer a presença a todos vocês. De forma muito especial, agradeço a presença ao Dr. Lidson e ao Lucas Silva. Foi uma grande partida ontem, capitão – entrou e mudou o jogo. Nesse dia emblemático, às vésperas de um grande jogo da Taça Libertadores deste ano, espero que esta homenagem e a sua presença, Joãozinho, possam energizar toda a torcida do Cruzeiro para, cada vez mais, valorizarmos o nosso passado, conhecermos o nosso presente e projetarmos um Cruzeiro cada vez mais forte e mais poderoso, hoje nas mãos de um homem do povo. Nada mais justo que o Cruzeiro Esporte Clube hoje, a SAF do Cruzeiro, pertencer ao Pedro Lourenço, um homem do povo que teve a alegria de comprar o time do povo para devolvê-lo à sua torcida.
Um grande orgulho ser cruzeirense! Um grande orgulho nesta noite histórica poder homenagear a cada um de nós, poder homenagear a todos vocês! Não é prática muito comum na torcida fazer isto, mas isto me acompanha no meu mandato: eu, como coronel do Exército, me despeço, agradeço e presto a cada um de vocês, ao Cruzeiro e especialmente ao Joãozinho a minha melhor continência. Muito obrigado. (– Faz continência.)