DEPUTADO ROBERTO ANDRADE (PRD), presidente "ad hoc"
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/08/2026
Página 13, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 19052 de 2026
25ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 6/8/2026
Palavras do presidente (deputado Roberto Andrade)
Boa noite a todos. Começo cumprimentando o Antônio Marcos Nohmi, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Cumprimento minha colega, minha amiga Maria Clara Marra, que tem feito um belíssimo trabalho nesta Assembleia. Não poderia ser diferente. Eu fui colega do pai dela, aqui na Assembleia, e agora tenho a honra de ser colega da Maria Clara também. Acho que estou ficando velho, Maria Clara, mas ainda vamos estar por aí. Quero cumprimentar a desembargadora Ana Paula Nannetti Caixeta, que representa o nosso TJ; o ex-governador Eduardo Azeredo, aqui presente, com quem aproveitei para trocar algumas figurinhas sobre política; Serafim Melo Jardim, do Museu Casa de JK, em Diamantina. Eu estive lá e tive a honra de ser recebido pelo senhor. Talvez o senhor não se lembre disso, pois recebe muita gente lá, mas eu me lembro. Devo haver até uma foto com o senhor lá. Cumprimento também José Carlos Serufo, representando a Academia de Medicina de Minas Gerais.
Senhoras e senhores, é com muita honra que ocupo esta tribuna, no Plenário que tem o privilégio de trazer o nome de Juscelino Kubitschek, para prestar homenagem a um dos maiores estadistas que este país já conheceu. Reunimo-nos hoje para marcar duas datas que se entrelaçam na história do Brasil: os 50 anos do seu falecimento e os 70 anos de sua posse como presidente da República, datas que celebramos com ênfase ainda maior por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, que, em parceria com diversas instituições do País, promove, ao longo de 2026, o Ano JK, um amplo programa de homenagens dedicado à memória de Juscelino Kubitschek de Oliveira.
Diamantina, joia do século XVIII, deu ao Brasil um homem que carregava em si a herança dos inconfidentes: uma visão do futuro comprometida com a liberdade. Foi ali que Juscelino se formou como homem, antes de partir ao encontro do seu destino histórico, o velho sonho da integração do Brasil e dos brasileiros. Integrar sempre foi sua vocação. Como prefeito de Belo Horizonte, conduziu a cidade rumo à modernidade, num movimento de abertura ao cosmopolitismo e ao progresso do qual a Pampulha permanece como símbolo maior. Como governador de Minas Gerais, dedicou-se às melhorias do setor energético, à abertura de estradas, unindo um território que antes se dispersava em várias Minas regionais. E, por fim, Brasília coroou essa vocação: o Brasil deslocou-se definitivamente do litoral para o centro, ganhando um coração e passando a se articular de forma equilibrada, como um corpo único.
As iniciais de seu nome tornaram-se símbolo de uma época. Os anos JK foram apenas 5, mas, como dizia seu próprio lema eleitoral, continuam valendo por 50. Foram anos de crescimento econômico extraordinário, de desenvolvimento industrial, de grandes obras e de confiança no futuro. Mas foram também anos em que a democracia encontrou espaço para o diálogo, para a conciliação e para a construção de consensos. O próprio Juscelino Kubitschek sintetizou essa disposição de olhar para frente e afirmar: ‘o otimista pode errar, mas o pessimista já começa errando’. A frase traduz, de maneira singular, o espírito que orientou a sua vida pública: a convicção de que o desenvolvimento de uma nação depende também da capacidade de acreditar em seu próprio potencial de transformar essa confiança em ação.
Juscelino não se conformou com a ideia de que o Brasil seria sempre apenas o País do futuro. Ao contrário, procurou fazer do futuro uma obra do presente, e talvez essa seja uma das maiores lições que o seu legado oferece. Em tempos que novamente nos desafiam a pensar o desenvolvimento, a modernização e a integração do Brasil, a trajetória de JK nos lembra que grandes projetos nacionais exigem planejamento, coragem, capacidade de diálogo e, acima de tudo, confiança na possibilidade de realizar.
Ao mesmo tempo, ao homenagear Juscelino Kubitschek, não podemos esquecer as provocações que também marcaram sua trajetória. Durante o regime militar, teve seus direitos políticos cassados e viveu no exílio, só retornando ao Brasil na década de 1970. Morreria em um trágico acidente rodoviário, episódio que só recentemente teve sua causa esclarecida em definitivo, depois de investigações da Comissão da Verdade. Neste contexto, quando vivemos hoje uma etapa difícil da nossa história, a lição de Kubitschek se torna urgente: a lição do entendimento, do diálogo e do consenso como caminhos para retomar a nossa rota do crescimento.
Precisamos, mais do que nunca, resgatar a autoestima que esse excepcional mineiro trouxe ao Brasil quando o mundo já não olhava apenas para o País do futuro, mas para um país que construía, com otimismo, seu presente. Esse é o sentimento coletivo que o Ano JK nos convida a resgatar. Não seria possível fazer esse resgate sem reconhecer o papel essencial do Instituto Geográfico de Minas Gerais, que se destaca a décadas como depositário das tradições do nosso estado, guardião da memória que hoje nos permite, com rigor histórico e sensibilidade cívica, celebrar o legado de Juscelino Kubitschek.
Que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais continue sendo espaço de conciliação, de futuro e de esperança: os mesmos valores que Juscelino Kubitschek de Oliveira, o mineiro de Diamantina, dedicou à construção do Brasil. Muito obrigado.