DANIEL RIBEIRO PINTO, coordenador da Subcomissão de Educação da Comissão Nacional das Novas Comunidades do Charis Brasil
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 05/08/2026
Página 7, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 16779 de 2026
24ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 3/8/2026
Palavras do Sr. Daniel Ribeiro Pinto
Boa noite a todos. Quero cumprimentar a deputada Chiara Biondini; o deputado federal Eros Biondini; a Sra. Cristina, fundadora e reitora do Colégio Recanto do Espírito Santo; o Exmo. Sr. Vereador do Município de Divinópolis, Matheus Dias; o Exmo. Vereador do Município de Belo Horizonte, o ex-deputado estadual Cláudio do Mundo Novo. Eu me sinto honrado de poder estar aqui e receber esta homenagem, em nome de tantos que aqui represento, de tantos Eduardos e Andrés, Cristinas e Carlas, Rafaelas e Marcos, Zarns e Kátias, Wesleys e Jeanes, Julianas e Andersons, Tones e Zucas, Natalinos e Cristinas, Carolinas e tantos mais.
Minha fala representa aqui a voz e o coração de inúmeros fundadores, reitores, diretores, coordenadores, professores, estagiários, estudantes, missionários, colaboradores e famílias que se dedicam à nobilíssima missão da educação católica. Nos últimos 10 anos, o Brasil tem vivido um movimento inesperado e necessário, potente e audacioso no ramo da educação. A crise pandêmica criou uma oportunidade que jamais imaginávamos: fez com que os pais pudessem acompanhar de casa a educação que estava sendo dada dentro da escola, através das aulas on-line ou de recursos similares. De forma generalizada, houve uma percepção de objetos estranhos inseridos no ambiente escolar: a ideologia, a instrumentalização e uma abordagem que minava valores familiares e cristãos. Além disso, não raras vezes, foi possível sentir na pele um ensino raso que fez compreender o porquê de o Brasil estar, há muito tempo, nos últimos lugares na educação global.
Nesse cenário, uma inspiração generalizada impulsionou a formação de novas escolas em vista do resgate da educação católica, voltada à formação do caráter, da virtude e da fé, integradas no processo educacional de excelência acadêmica. Associações de pais, empreendedores e novas comunidades foram os principais atores desta nova safra, cujas estatísticas falam de um montante aproximado de mais de duzentas escolas no Brasil. Iniciativas como a Unitrinus, que já foi relatado aqui, que teve o nascimento em Minas Gerais, por exemplo, possui já inúmeros parceiros no Brasil. Essa nova safra certamente entrará no rol da história da educação católica, uma história riquíssima que conta com praticamente 2 mil anos de tradição.
Desde aquele mandato final de Cristo, contido no último capítulo do Evangelho de São Mateus, “Ide por todo o mundo e ensinai a todas as nações”, os discípulos de Jesus saíram mundo afora e muito cedo, bebendo da tradição greco-romana, montaram escolas confessionais. O primeiro foi São Paulo Apóstolo, que, após ser expulso da sinagoga, alugou uma escola e ali ensinava no contraturno, muito basicamente, a doutrina cristã. Mas em pouco tempo, ainda no primeiro século, as primeiras sementes geraram frutos com o surgimento das escolas catequéticas, em que se estudava também a filosofia. Em seguida, as escolas dos grandes monges, as ditas escolas monacais se espalharam pelo Império Romano e durante toda a Idade Média. Depois, as escolas catedrais, organizadas pelos bispos, se desenvolveram e foram as bases para o surgimento das universidades que nasceram no seio da Igreja Católica: Bolonha, na Itália; Sorbonne, na França; Oxford, na Inglaterra; e as demais grandes universidades da Europa.
Com a modernidade, surgem as congregações, como os jesuítas, e tantos outros que espalharam milhares e milhares de escolas pelo mundo inteiro, chegando até aqui, no Brasil. Hoje, a nova safra bebe dessa herança bimilenar e traz também a sua contribuição: uma busca de renovada identidade com as novidades do terceiro milênio. Estamos no tempo da IA, do pensamento computacional e da robótica. As novas escolas são um sinal da democracia brasileira e são um convite e um alerta, um convite a darmos as mãos a todos os educadores das escolas públicas e das escolas privadas, a mergulharmos numa educação integral, que é pessoal, social e espiritual, e um alerta para os perigos de uma educação fragmentada e relativista, que tira Deus e a espiritualidade do centro e é fadada ao fracasso de uma humanidade hedonista e narcisista de uma vida sem aquele que é o sentido de tudo: o Deus, que é amor.
Aproveitamos para deixarmos o apelo aos parlamentares de todo o Brasil: se esforcem para que, no Brasil, haja a possibilidade de haver escola católica para todos e também para os que não podem pagar, pois é um direito do cidadão ter acesso a uma educação confessional conforme sua consciência, conforme a LDB. Pedimos também que os parlamentares legislem sobre o processo dos Cebas, para que seja feito com mais celeridade no Brasil. Para finalizar, agradecemos o “sim” e a vida doada de tantos educadores, o apoio da Santa Igreja, nas pessoas dos bispos e dos sacerdotes, a intercessão dos Santos e de Nossa Senhora e de todos que rezam pela boa educação. Agradecemos, de modo especial, aos deputados Chiara Biondini e Eros Biondini, pela homenagem e por valorizar e apoiar as escolas católicas. Por fim, também agradecemos a Deus e pedimos que sua bênção e misericórdia recaiam sobre nossa Minas Gerais, nosso Brasil, nossas escolas e famílias e que jamais esqueçamos que somos todos irmãos e que o amor de Cristo nos uniu. Muito obrigado.