Pronunciamentos

CRISTINA ARAÚJO NOGUEIRA MARTINS, fundadora e reitora do Colégio Recanto do Espírito Santo

Discurso

Presta homenagem às escolas católicas de Minas Gerais pelo destacado trabalho de educação e evangelização.
Reunião 24ª reunião ESPECIAL
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 05/08/2026
Página 5, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 16779 de 2026

24ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 3/8/2026

Palavras da Sra. Cristina Araújo Nogueira Martins

Boa noite. Paz e alegria. Gostaria de agradecer primeiramente a Deus. Toda honra e toda a glória seja dada a Ele, e somente a Ele, pois tudo é graça d'Ele.

Gostaria de parabenizar a deputada Chiara, o Eros, que, com tanto carinho, convidou-nos para falar aqui. Ele esteve com sua esposa no nosso Colégio Recanto do Espírito Santo e pediu para que eu pudesse dar o testemunho da nossa história, que está representando também a história de cada colégio. E aqui estou. Peço a graça de Deus, que Nossa Senhora passe à frente, para que Ele mesmo fale através de mim. Que eu seja apenas instrumento aqui. Toda a minha admiração por vocês, pois vocês representam Deus aqui, no Brasil, e no mundo também. Que Maria passe à frente para que cheguem à presidência do nosso Brasil. Precisamos de pessoas com o coração generoso, aberto à graça de Deus, como vocês têm. Quem sabe, hein? Uma missão.

Voltando, vou ser breve. Quando eu tinha 18 anos, tive minha primeira experiência com Deus – eu, que vivia na escuridão. Vou pedir para vocês fecharem os olhos agora só para verem como eu vivia. Fechem os olhos. É nessa escuridão aí, sem enxergar as coisas de Deus. Mas, um dia, Deus me chamou, e participei de um encontro católico na minha cidade, Itaúna, da Renovação Carismática. Chegando a esse retiro, a que fui por um chamado de um amigo… Falei: “nossa, se ele está indo, eu vou também”, porque era uma pessoa que eu admirava. Então eu estava nesse caminho e fui. “Ah, se ele vai, eu vou. Acho que estou precisando também.” E lá cheguei e me deparei com uma faixa em que estava escrito: “Deixe a luz do céu entrar, abra bem o seu coração e deixe a luz do céu entrar”. Há até uma música que diz assim, não é? Mas eu nem conhecia, não sabia que luz era essa. Mas eu falei: “Eis-me aqui. Estou aqui, não é? Então, eis-me aqui, deixe eu abrir o coração”. E essa luz entrou, porque eu abri o meu coração por inteiro. Falei: “Estou aqui. Se é para estar na chuva, é para molhar. Então deixe eu me encharcar”. E aí Deus agiu, como tenho certeza de que muitos aqui já passaram por uma experiência pessoal forte com Deus. E ali Deus me mostrou a claridade, a espiritualidade, a fé. Comecei a enxergar muitas coisas maravilhosas, belas e verdadeiras, em que eu nunca havia reparado.

Passei o final de semana, tirei várias fotos. Sou antiga, gente, tenho 45 anos. Na época, eram aquelas máquinas de rolo de filme, com que você tirava 12 fotos, acabou e pronto. Não era como hoje, não. Ali tirei as fotos daquelas amizades que eu tinha feito. Quando cheguei em casa, na segunda-feira, faltava ainda uma foto para o rolo de filme girar. Acho que aqui vocês são mais ou menos da minha idade, então estão me entendendo. Vocês, eu não sei, depois pesquisem aí. Mas eu tirei a última foto da janela do meu quarto, ao olhar o pôr do sol com outro olhar, com os olhos abertos para a graça de Deus. Eu estava em estado de graça e achei o pôr do sol maravilhoso. E tirei a foto, a foto girou, mandei revelar, chegou em casa. Quando abri o envelope com as fotos, a última foto, a do pôr do sol, estava lá, mas não do jeito que eu havia observado o céu, pois ali estava também uma manifestação divina. Era o próprio Espírito Santo de Deus em forma de pomba naquela foto. Eu dei até de presente. Está até ali a foto. Dei de presente para eles hoje. Essa foto marcou muito para mim, para a minha família, para a minha mãe. E disse: “A foto é o Espírito Santo de Deus”. Eu nem sabia que o Espírito Santo se manifestada em forma de pomba – tamanha ignorância espiritual -, mas, depois disso, fui aprendendo muita coisa.

Deus me chamou para algo muito grande. Fui me rendendo aos poucos, renunciando a muitas coisas, e Deus foi providenciando amizades e o amor da minha vida, André, que conheci depois de dois anos. Começamos um namoro santo. Namoramos por cinco anos e tínhamos várias partilhas durante o namoro. Havia um incômodo dentro de mim de querer partilhar tudo aquilo que Deus me deu. Não achava que era para mim; achava que era para o próximo. Ele também tinha um incômodo muito grande, que chegou a partilhar depois que a gente se casou. A gente já tinha três filhos, e ele partilhou comigo que se preocupava muito com a educação. Disse que tinha vontade de abrir um colégio para os nossos filhos. A gente já tinha uma comunidade católica. Ele tinha os filhos dos membros da comunidade e tinha os nossos sobrinhos. A gente já começou ali, ele partilhando, e a gente começou a sonhar juntos em levar esse sonho para a comunidade. A comunidade, como sempre, intercedeu, rezou. Ela faz vigília, adoração, comunga e reza o terço. Fazemos tudo isso juntos há anos. A comunidade tem 25 anos, e somos casados há 20 anos. Foi muita oração. Deus foi mostrando que era um apostolado da nossa comunidade, da qual somos os fundadores. O Colégio Recanto do Espírito Santo é um apostolado.

Desde o início, tenho certeza de que a grande maioria dos colégios que estão nascendo hoje confessionais católicos – para não falar todos, mas acredito que todos – é o mover do Espírito Santo de Deus. Fomos percebendo isso aos poucos, quando participamos de congressos católicos. Fomos percebendo que o mover do Espírito Santo não era só dentro de nós, mas, sim, em vários outros fundadores, vários outros responsáveis por grandes missões católicas. Então, com Deus, não precisamos temer. É ele que está à frente de tudo, porque, por nós, por nossas capacidades, nada aconteceria. A gente deu o nosso tudo para Deus – até além -, mas Deus retribui em dobro e vai retribuindo cada vez mais. E providencia pessoas, além da nossa comunidade, que sempre está rezando, sempre está por trás de tudo, nas orações, principalmente, e também na doação de vida e no trabalho. Muitos estão no nosso colégio sendo educadores missionários. Além deles, Deus providenciou tantas pessoas, tantos profissionais capacitados, para estarem conosco nesta missão, que é de surpreender! Acredito que, na escola de todos vocês, também foi assim e está sendo assim, porque também estão surgindo outras, estão brotando cada vez mais. É uma fonte inesgotável de água viva mesmo esse mover do Espírito Santo! São muitas escolas.

Eu me lembro de que, quando a gente ia abrir a escola, a gente procurou material didático compatível com a nossa missão, com aquilo que a gente precisava passar para os nossos alunos, como os valores cristãos em toda a proposta, pois a educação precisa ser integral. O ser humano é corpo, alma e espírito. A gente precisa, sim, preocupar não só com o intelecto dos nossos filhos e alunos, mas também com a espiritualidade. Dom Bosco, um dos nossos baluartes, fala que a base da educação é a religião. E Jesus fundou a religião, a religião católica. Ele fundou a religião católica. Então a base da educação é a religião católica. Acreditamos profundamente nisso, e sei que vocês também.

Ali, a gente tem pessoas, chegaram grandes profissionais que hoje são os educadores missionários – assim chamamos -, como o porteiro, a faxineira, o professor, todos que estão na linha de frente, a diretoria, a gestão. Todos nós chamamos de educadores missionários, pois abraçaram conosco essa missão. Eles sabem e se conscientizam – a cada dia, a cada formação que nós proporcionamos e que Deus providencia a cada instante – de que precisam dar a vida, dar a vida, para essa missão. Não é por causa do salário. Muitos estão ali como voluntários. Muitos estão ali sendo amigos da obra, doando, querendo… Tem gente que fala: “Deixem-me trabalhar de graça para vocês”. Então não é o salário; é o entendimento do que está se passando neste mundo. O Eros colocou o que todos já sabem, mas nós estamos aqui para o que der e vier, espelhando-nos em Nossa Senhora, no “sim” de Nossa Senhora, no “sim” de cada santo que está na Igreja Católica. Queremos nos doar, simplesmente – e falo por cada um de vocês. Que Deus nos capacite cada vez mais. Que possamos ter cada vez mais apoio para que juntos nós possamos fazer ainda mais.

Falando do material didático, surgiu a Editora Unitrinus, que também está presente. Diante de tanto material que vimos pela frente, tivemos que criar um, junto com a Comunidade Resgate, de Juiz de Fora, e a Comunidade Missão Maria de Nazaré, de Divinópolis. Então, com a graça de Deus – nem falo que foi a gente, pois isso foi um milagre -, a Editora Unitrinus hoje atende a mais de noventa colégios católicos. Pensem: em quatro anos de existência! Isso é um milagre – é um milagre! E ela atende do maternal ao ensino médio. Então isso é uma maravilha. Nós precisamos louvar a Deus o tempo inteiro. Não somos nós; é Deus que está à frente de tudo. É o Espírito Santo realmente agindo no nosso Brasil. Então aquela foto não foi para mim. Aquela foto foi para cada um de nós que deixou a luz do céu entrar e fazer a diferença neste mundo. Parabéns a todos vocês. Que Deus nos capacite cada vez mais. Estamos juntos. Rezem por nós, que rezamos por vocês. Deus seja louvado!