Pronunciamentos

DEPUTADA LOHANNA (PV)

Questão de Ordem

Solicita esclarecimentos ao senador Cleitinho Azevedo após ele afirmar que teria recebido oferta de dinheiro de um político do Município de Divinópolis para não disputar o governo de Minas.
Reunião 30ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 10/07/2026
Página 45, Coluna 1
Indexação

30ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 8/7/2026

Palavras da deputada Lohanna

A deputada Lohanna – Presidenta, pedi a palavra por causa de uma denúncia extremamente séria que precisa ser feita aqui, na Assembleia. Hoje o senador da República, que também é senador representando a minha cidade de Divinópolis – o senador Cleitinho –, fez uma fala muito séria no Senado Federal. Ele disse que lhe ofereceram dinheiro para que não fosse candidato ao governo do Estado. Veja, presidenta, que, além de dizer isso, ele falou que um político de Divinópolis fez isso. Vejamos! Divinópolis está bem representada no cenário político hoje. Nós temos algumas opções para citar. Dos mais conhecidos, temos o irmão dele – e são vários irmãos: um irmão que é deputado estadual; outro que foi prefeito; o deputado federal Domingos Sávio, que é pré-candidato a senador; o ex-deputado Fabiano Tolentino, que, hoje em dia, tem um mandato compartilhado com o deputado Professor Wendel; eu; e os vereadores da cidade. Então eu gostaria de saber e de perguntar aqui, no Plenário da Assembleia, onde, sem dúvida, pela relevância, essa questão vai repercutir, qual foi o político de Divinópolis que ofereceu dinheiro para que o senador Cleitinho não fosse candidato a governador. Segundo ele, presidenta, isso aconteceu dentro de um carro com música alta, por medo da pessoa que fez essa pergunta. Presidenta, veja a seriedade do que o senador Cleitinho disse. Essa é uma acusação que precisa ser reportada aos órgãos de investigação; e é isso que o nosso mandato vai fazer. Vou noticiar tanto à Polícia Civil quanto ao Tribunal Eleitoral para que tenhamos condições de saber, porque isto, no mínimo, configuraria abuso de poder econômico: uma pessoa tentar tirar a candidatura de outra, tendo dinheiro para dispor e poder fazer isso. E pior: o senador Cleitinho dizer que foi um político de Divinópolis que fez isso! Bom, nós temos, além desses nomes que citei, 17 vereadores e a prefeita, que era vice do irmão dele. De quem ele está falando? Quem é o político de Divinópolis que ofereceu dinheiro para que ele não fosse candidato a governador? Acho que é importante colocar isto: o senador Cleitinho falou que não está à venda, mas foi ele mesmo que, há menos de dois meses, deu uma entrevista para o jornal Estado de Minas e disse que só entrou na política porque queria aparecer. Ele disse também que, se recebesse qualquer oferta melhor, largaria essa – e aí falou uma palavra que começa com “m”. Todos sabem qual palavra é, mas não vou repeti-la aqui em respeito ao Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Acho, presidenta, que as pessoas têm todo o direito de ser ou não ser pré-candidatas, de colocar ou não os seus nomes, os seus corpos, as suas almas e os seus corações à disposição do povo mineiro. Isso é em qualquer disputa, seja para deputado estadual, seja para deputado federal, seja para senador, seja para governador. Mas é muito sério quando uma pessoa diz que ofereceram dinheiro a ela. Acredito que os 22 milhões de mineiros têm o direito de saber quem foi que, supostamente, ofereceu dinheiro, e mais, quem foi o político de Divinópolis que ofereceu dinheiro ao senador Cleitinho para que ele não seja candidato. Até porque, como ele mesmo disse, isto nunca foi algo que ele desejou: representar e cuidar do nosso povo. Ele entrou na política, nas palavras dele, para aparecer. Por isso, presidenta, estou deixando aqui registrado que o nosso mandato vai oficiar a Polícia Civil e o Tribunal Eleitoral para entender quem ofereceu dinheiro ao senador Cleitinho, já que isso configura, com certeza, crime eleitoral. Se o deputado Eduardo Azevedo estivesse aqui, eu lhe perguntaria se foi ele, já que ele é o outro político de Divinópolis que a gente tem aqui, no Plenário. A gente precisa entender quem foi, afinal de contas, se o senador Cleitinho está querendo dar passos para trás e não ser pré-candidato, seja porque percebeu o tamanho da dívida do Estado, construída inclusive pelo governo que ele apoiou durante sete anos, governo do Zema e do Mateus Simões, seja porque ele percebeu que tem condições de negociar coisas maiores, seja por qualquer outro motivo... O que ele não pode é atribuir, de forma irresponsável, a alguém da cidade da qual ele veio a responsabilidade por tentar comprá-lo. Até porque, presidenta, vamos falar a verdade, as pessoas não tentam comprar quem não está à venda. Ninguém tenta acessar algo que não está numa vitrine. Ninguém nunca tentou me comprar. Alguém já tentou comprá-la, presidenta? As pessoas não tentam comprar quem não está à venda. Talvez as pessoas estejam tentando comprá-lo porque ele disse, publicamente, para o Estado de Minas, dois meses atrás, que, se recebesse uma proposta melhor, sairia dessa “m” – é a palavra que ele disse. Mas entendo que o senador Cleitinho deve, no mínimo, explicações sobre o que ele estava falando e sobre quem que ele estava falando. Obrigada, presidenta.