DEPUTADO ULYSSES GOMES (PT), autor do requerimento que deu origem à homenagem
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/06/2026
Página 3, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas RQN 17748 de 2026
RQN 17749 de 2026
Normas citadas RAL nº 5662, de 2026
19ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 18/6/2026
Palavras do deputado Ulysses Gomes
Boa noite, senhores e senhoras, amigos e amigas. É uma alegria celebrar, nesta noite, esta homenagem, este momento festivo. Quero cumprimentar o querido amigo presidente Tadeu Leite e agradecer a ele tanto a presença como também a confiança, a amizade e a parceria. Nesses últimos três anos e meio, construímos juntos, aqui no Legislativo, de forma intensa, um trabalho tão bonito que tanto me orgulha.
Na sua pessoa, presidente, quero agradecer a presença dos nossos colegas: amiga deputada Leninha, nossa querida vice-presidente; amigo deputado Adriano Alvarenga; querido amigo deputado Doorgal Andrada; querida amiga deputada Ione Pinheiro; querido amigo, companheiro Leleco Pimentel; querido amigo, irmão de fé, Professor Cleiton – eu vi que ele está em algum lugar aqui; querido amigo e companheiro Roberto Andrade, a quem faço um agradecimento de forma especial; ilustre deputado federal Padre João. Enfim, registro a presença de todos os deputados. Registro, ainda, meus agradecimentos ao deputado federal Pinheirinho, que representa a Câmara dos Deputados nesta solenidade. Quero agradecer muito a presença de todos vocês que abrilhantam este momento tão especial! Agradeço e registro as seguintes presenças: querido amigo ex-deputado Odair Cunha, ministro do Tribunal de Contas da União, companheiro de luta, irmão de fé e caminhada; Exmo. Sr. Desembargador Raimundo Messias Júnior, corregedor-geral de justiça eleito para o biênio 2026-2028, representando o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais; Exmo. Sr. Antônio Sérgio Tonet, ex-procurador-geral de justiça, representando o procurador-geral de justiça Paulo de Tarso, que nos cumprimentou há pouco – obrigado, Tonet; Exmo. Sr. Conselheiro Durval Ângelo, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, ex-deputado com quem tive a honra de trabalhar durante anos; Exma. Sra. Karina Rodrigues, subdefensora pública-geral administrativa, minha amiga, a quem agradeço a presença como representante da nossa defensora pública-geral, a Caroline, e representante também de todas as mulheres – um abraço a toda a Defensoria Pública; Exmo. Desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Agradeço a presença de V. Exas.
É uma alegria muito grande partilhar com vocês este momento. Caros amigos e amigas, hoje não estamos aqui reunidos apenas para prestar uma homenagem institucional. Estamos aqui para celebrar uma história, uma história construída com trabalho, coragem, lealdade e compromisso com as pessoas. Estamos aqui para homenagear o nosso querido amigo Odair Cunha, que achou que esta seria uma homenagem para um monte de gente. Aliás, há pouco, Roberto, ele me perguntou quantos seriam homenageados. A Fernanda falou que eram uns 10. Mas, como poderiam ser 10, Fernanda, se são 77 deputados, Tadeu? Ele achou que era uma homenagem para todos nós aqui. Então nós estamos aqui para homenageá-lo.
O ex-deputado Odair Cunha alcança, neste momento, uma das mais altas missões da vida pública brasileira ao assumir o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. Mas, para quem conhece o Odair de perto, ser ministro do TCU vai além de um cargo importante, representa o reconhecimento de uma vida inteira dedicada ao serviço público, ao diálogo e à construção de pontes. Conheço o Odair há mais de duas décadas e, ao longo de todos esses anos, tive o privilégio de acompanhar não apenas o deputado, o secretário de Estado ou o homem público admirado em todo o País. Conheci o amigo, o companheiro de caminhada, o irmão que a política me deu. Vi de perto a sua dedicação às pessoas, a sua capacidade de ouvir, a sua simplicidade no trato com todos e todas e a sua disposição permanente para construir soluções.
Poucas pessoas conseguem atravessar tantos anos da vida pública preservando aquilo que mais é valioso: a humildade, a coerência e o respeito pelas pessoas. Você conseguiu, Odair! A sua trajetória política começou muito cedo e foi construída sem atalhos. Foram mais de 20 anos representando Minas Gerais na Câmara dos Deputados: seis mandatos consecutivos conquistados pelo voto popular, inúmeras responsabilidades assumidas e uma atuação marcada pela seriedade e pela competência. Mas, talvez, o que mais impressione não sejam os cargos ocupados ou as funções exercidas. O que mais impressiona é a confiança que ele conquistou ao longo do caminho, uma confiança que ficou evidente em sua eleição para o Tribunal de Contas da União, uma vitória histórica construída por uma ampla convergência política, reunindo diferentes correntes de pensamentos e conquistando uma maioria expressiva de votos.
Mais do que uma vitória pessoal, foi o reconhecimento de sua trajetória com a palavra e o compromisso do presidente fazendo jus à sua confiança, o presidente Hugo Motta. Foi o reconhecimento de um homem que sempre compreendeu que a política deve ser instrumento para melhorar a vida das pessoas. Foi o reconhecimento de alguém que nunca perdeu suas origens.
Odair nasceu em Piedade, São Paulo, mas foi em Minas Gerais que construiu sua história. Foi no Sul de Minas que formou seus valores, iniciou sua militância, construiu sua família e consolidou sua caminhada pública. Por isso, podemos dizer que ele se tornou mineiro não apenas por escolha, mas por pertencimento. Minas o escolheu, e ele dedicou sua vida a servir a Minas Gerais. Acredito que muitos não sabiam disso. Aliás, ouvi esse comentário ao convidar as pessoas para este momento e mencionar que ele havia nascido no interior de São Paulo. Na verdade, ele nunca gostou de ficar contando essa história. É verdade. Depois levante a mão quem não sabia. Tenho certeza de que a maioria não sabia – pelo menos ouvi isso de muitos.
Eu já havia comentado com ele que lhe daria um título de cidadão mineiro, e ele sempre brincava: “Não faça isso. Não precisa. Eu já sou mineiro”. Ele não queria que eu fizesse isso. Mas vamos aos fatos. Não é isso? Sua mãe, dona Alice, com muita alegria – ela está presente aqui hoje –, é natural de Campos Gerais. Está certo, dona Alice? E seu pai, Sr. Milcio, é natural de Boa Esperança. Ele não está aqui hoje porque amanhã cedinho, de madrugada, tem uma apanha de café e não pôde vir. Ele não largou a apanha do café. Está certo? Não estou mentindo, não é? Eles se conheceram, tornaram-se amigos, começaram a namorar. Namoraram quatro meses, noivaram por mais quatro meses. Está certo, dona Alice? Fiquei sabendo dessa história. E se casaram em Campos Gerais.
O Sr. Milcio foi trabalhar em uma fazenda em Piedade, no interior de Minas, a cerca de 500km de Boa Esperança. Era a Fazenda Água Branca, localizada no bairro rural chamado Turvo, em Piedade. Durante os anos em que moraram lá, nasceram Odair e sua irmã Leila, que também está aqui presente. Quando Odair tinha cerca de três anos e meio, a família voltou para Boa Esperança. Até hoje ele nunca voltou à cidade onde nasceu. O único registro que temos de alguém da família voltando lá foi quando dona Alice e o Sr. Milcio, levados pelo Ézio – que está aqui também e é motorista do Odair –, precisaram buscar uma segunda via da certidão de nascimento para esse homem casar com a Nilda, em 2005. Não é isso, Nilda? Vou lá algum dia conhecer a fazenda.
Muitos confundem o nome de Odair com o do famoso cantor Odair José. Mas, de cantor, esse homem não tem nada, não é mesmo? Mas – vamos falar a verdade, não é, dona Alice? – a história desse Odair que conhecemos se confunde com a daquele que, de fato, foi a motivação do seu nome. Quem foi? O Sr. Milcio. Assim como – acredito – todo mundo aqui que é atleticano fanático, como o Sr. Milcio... Ele deu ao filho o nome de Odair José em homenagem ao jogador Oldair, conhecido pelos torcedores da época como Odair José. Por conta do cantor famoso, a torcida do Galo, em vez de chamá-lo de Oldair, o chamava de Odair José. Ele foi um dos maiores ídolos do nosso Galão da Massa na década de 1970, sendo capitão da equipe e peça fundamental na conquista do 1º Campeonato Brasileiro em 1971. Por que a coincidência? Oldair foi meio-campista e lateral-esquerdo, jogador de muita garra, liderança e técnica. Ele também nasceu em São Paulo e veio para Minas jogar no Galo em 1968, ficou por quase uma década e, depois, continuou morando aqui. É um pouco da história que há por trás do nome desse rapaz que, de bola... Todo mundo que o conhece entende bastante. Pelo menos torce para o Galo.
Enfim, meus amigos, recentemente tivemos a oportunidade – muitos aqui vão se lembrar – de testemunhar algo muito bonito durante o encontro que promovemos no Sul de Minas, intitulado Histórias que Vi e Vivi, realizado na cidade de Campanha e organizado pelo nosso querido amigo e irmão Roberto Silva. Ali estavam prefeitos, vereadores, lideranças, apoiadores e amigos de dezenas de cidades do Sul e Sudoeste de Minas. Aliás, muitos deles estão aqui hoje para também homenageá-lo, Odair, lideranças políticas, sociais e religiosas, amigos e amigas que, a cada dia, demonstram carinho, apoio e reconhecimento. Obrigado, minha gente, mais uma vez, pela presença de cada um de vocês.
Mas o mais importante não era quem estava presente naquele momento, nem mesmo quem está aqui hoje. O mais importante era e continua sendo o sentimento que havia naquele momento, que é o mesmo que está presente aqui hoje: de carinho, gratidão, respeito e admiração. Esse sentimento é que moveu e move cada um e cada uma que, ao longo desse tempo, esteve ao seu lado. Aquele foi um dia especial, uma noite em que todos nós pudemos perceber, assim como percebemos nesta noite, que a maior obra de uma vida pública não está nos prédios inaugurados, nos convênios assinados ou nos cargos ocupados. A maior obra está nas pessoas, está nos laços construídos, está no bem que se faz ao longo da caminhada. E, talvez, não exista homenagem maior do que o reconhecimento sincero daqueles e daquelas que caminharam ao seu lado e tiveram suas vidas tocadas pelo seu trabalho, pela sua história e pela sua amizade.
Guimarães Rosa nos ensinou: “O que a vida quer da gente é coragem”. Eu tenho certeza de que, ao longo dessa trajetória, muitos ouviram o Odair repetir isso muitas vezes. E coragem nunca faltou ao Odair – coragem para assumir responsabilidades, coragem para enfrentar desafios, coragem para construir consensos, coragem para permanecer fiel aos seus princípios. Tenho absoluta convicção de que, ao Tribunal de Contas da União, Odair leva exatamente as mesmas virtudes que marcaram toda a sua trajetória: a sensibilidade, a humildade, o equilíbrio e o compromisso com o interesse público. Sua chegada ao TCU é motivo de orgulho para Minas Gerais, para o Sul de Minas e para todos aqueles que acreditam na boa política. É a coroação de uma caminhada construída com muito trabalho e dedicação, mas é também o início de uma nova missão – uma missão que, tenho certeza, será desempenhada com a mesma responsabilidade e o mesmo espírito público que sempre acompanharam a sua trajetória.
Ao longo desses anos, trabalhando juntos em toda a região, dia a dia, vivemos juntos vários momentos inesquecíveis e histórias que mereçam talvez ser contadas e escritas em um livro. São histórias de desafios, de conquistas, de transformação, mas também algumas – ou muitas – histórias engraçadas. Quando iniciei meu primeiro mandato, em 2011, Odair iniciou o seu terceiro mandato. Em muitos lugares, as pessoas me chamavam de Odair. Com paciência e muito trabalho, fui conquistando espaço e conhecimento. Aos poucos, Tadeu, comecei a ser chamado pelo meu nome. Aos poucos, as pessoas deixaram de me confundir com ele. Mas, com o tempo e com o trabalho conjunto, as confusões foram acontecendo a ponto de confundirem os dois: Ulysses por Odair, Odair por Ulysses.
Eu sempre conto um caso ocorrido na cidade de Estiva. Não sei se os companheiros de Estiva estão aqui. Nós inauguramos um comitê pequeno lá, com umas quinze pessoas. E, naquele dia, num final de semana, havia poucas pessoas. Quando a gente saiu, um senhor veio desejar sucesso para nós na campanha. Ele tinha acabado de ver os dois, acabado de ver a cara dos dois, e estava lá escrito no comitê, mas ele cumprimentou o Odair e o chamou de Ulysses e se virou para mim e me chamou de Odair. Na cara do gol! Mas, como questionar o eleitor, o amigo, o apoiador? É natural, às vezes, a pessoa se confundir.
Mas o melhor aconteceu no mês passado, numa visita que eu fiz a Bonfinópolis de Minas. Numa feira agropecuária, uma liderança chegou e, ao me cumprimentar, veio direto e disse: “Acompanhei sua posse. Parabéns, ministro!”. Eu agradeci. Pelo menos virei ministro. Achei o máximo. Virei ministro naquele momento. Mas como questionar a confusão, se o próprio então deputado Odair, ao cumprimentar, num evento, numa festa, a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, comentou com eles, na hora de tirar aquelas fotos: “Assisti ao filme de vocês – 2 Filhos de Francisco”. E, na verdade, o filme é sobre Zezé Di Camargo e Luciano. Eu também não posso… Sorte que eu não falei, mas cheguei a uma festa e fui tirar foto com o Luan Santana. Eu virei para o prefeito: “Eu achava que era Luan e Santana”. Cheguei lá e só havia um. Mas eu, pelo menos, não passei a vergonha de falar para ele. Ou posso me lembrar das confusões, meu amigo Roberto Andrade – cadê o Roberto? –, que gosta muito do salame jamón. Na hora que falam jamón para o Odair, ele acha que é “‘ca’ mão” e come com a mão o negócio. Então não é por falta de confusão… Não nos é dado o direito de questionar os eleitores.
Tirando as brincadeiras, meu querido amigo Odair, hoje celebramos sua conquista, mas celebramos principalmente quem você é. Celebramos o amigo leal, o companheiro de jornada, o homem de fé, o pai de família, o mineiro de coração. Receba, meu amigo, nossa gratidão, nosso carinho e nossa admiração. Que Deus continue iluminando os seus passos nessa nova etapa e que você jamais se esqueça de algo que todos nós aqui sabemos: independentemente dos cargos que a vida lhe confiar, você sempre será um dos nossos. Exatamente hoje, no dia do seu aniversário, completando 50 anos de idade, você ganha oficialmente o título que sempre honrou: o de ser mineiro de coração.
Parabéns, meu amigo! Parabéns, meu “compadi”, que, aliás, é de verdade, pois é padrinho da minha querida Mariana! Parabéns, agora ministro Odair! Parabéns, mineiro Odair! Deus o abençoe, meu irmão! Muito obrigado a todas e a todos.